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Brasil
17/09/2009 - 13h06

Deputados dizem que reforma foi apressada para derrubar veto à "ficha suja"

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MÁRCIO FALCÃO
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

A pressa dos deputados em analisar as mudanças feitas pelo Senado na reforma eleitoral foi consequência, principalmente, da emenda aprovada pelos senadores que proíbe a participação de políticos "ficha suja" na disputa eleitoral. Deputados ouvidos pela Folha Online afirmaram que os parlamentares temiam um novo desgaste para a Casa num debate público sobre a candidatura de políticos que respondem a processos na Justiça --por isso decidiram acelerar a análise da matéria.

Veja o vídeo

Na avaliação de um grupo de deputados, se o tema fosse debatido somente na semana que vem, a Câmara poderia ser pressionada a acatar ou flexibilizar a emenda do senador Pedro Simon (PMDB-RS) que previa "reputação ilibada" para os candidatos. Pela emenda do Senado, caberia a um juiz de primeira instância decidir se o candidato poderia ou não entrar na disputa, mas a regra não prevaleceu na Câmara.

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A resistência teria partido, principalmente, de parlamentares do chamado "baixo clero" --filiados a legendas pequenas-- que teriam ameaçado impedir a aprovação da reforma a tempo de valer para as eleições de 2010. Para que entre em vigor no ano que vem, o texto tem que ser sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva até o dia 2 de outubro. As mudanças poderiam ser votadas pela Câmara até o dia 30 de setembro.

O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), negou que a pressa tenha relação com a emenda de Simon. Segundo Temer, a pauta da Câmara vai estar trancada por duas medidas provisórias na semana que vem, o que poderia impedir a análise da matéria a tempo de valer em 2010.

Temer reconhece, porém, que a emenda de Simon poderia provocar ambiguidades na legislação eleitoral. "Havia muita subjetividade na história da reputação ilibada. Essa é questão que depende de critérios objetivos. Não há objeção dos deputados para que haja ficha limpa. Claro que isso facilita muito as eleições [ficha limpa], mas os critérios não estavam bem definidos", afirmou.

O líder do PSDB na Câmara, deputado José Aníbal (SP), criticou a pressa para a análise da reforma eleitoral. "Esse é um tema que o Congresso não pode mais fugir. Se a emenda era genérica e permitia distorções, nós tínhamos a obrigação de aperfeiçoar e não descartar simplesmente. É uma pena que mais uma vez a Casa tenha cedido às pressões", disse o líder.

A Câmara votou a proposta 24 horas depois do texto ter sido aprovado pelo Senado. Para garantir a votação da matéria, os deputados Flavio Dino (PC do B-MA) e Antônio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA), foram pessoalmente procurar o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), para agilizar o envio, à Câmara, do texto aprovado na véspera pelo Senado.

Os deputados conseguiram fazer com que o texto chegasse à Câmara por volta das 19 horas desta quarta-feira, o que viabilizou a votação. Pelos cálculos iniciais do Senado, a proposta só seria encaminhada aos deputados às 22 horas.

Acordo

A Câmara viabilizou a rápida votação por meio de acordo firmado entre líderes de todos os partidos em torno do texto. Os deputados rejeitaram todas as mudanças feitas pelo Senado no texto, com exceção da liberdade total à internet no período da disputa política. Os deputados mantiveram, porém, restrições para a realização de debates entre os candidatos na internet. Os sites, emissoras de rádio e TV terão que convidar para os debates todos os candidatos de partidos que tenham representantes na Câmara Federal.

Os parlamentares retiraram a permissão para que candidatos à Presidência da República paguem por anúncios em sites jornalísticos. O Senado havia autorizado a propaganda, mas a mudança não foi acatada pelos líderes na Câmara.

Os deputados mantiveram a permissão para que sites oficiais dos partidos e dos candidatos fiquem ativos, inclusive no dia da votação. Pela legislação atual, os sites oficiais são obrigados a retirar do ar o seu conteúdo no período que vai de 48 horas antes da disputa até as 24 horas posteriores à votação.

O texto também mantém emenda do Senado que isenta os provedores da internet de penalidades em casos de propaganda irregular que não forem do seu conhecimento. Outra emenda acatada pelos deputados estabelece que os provedores, depois de notificados pela Justiça por propagandas irregulares, sejam obrigados a retirar os anúncios do ar.

Comentários dos leitores
Santos Júnior (327) 05/12/2009 22h19
Santos Júnior (327) 05/12/2009 22h19
Sr Cássio Tavares, enquanto os DEMs expulsam os corruptos do partido, o PT comemora seus 30 anos com a volta dos mensaleiros.Eu não tenho rabo preso com nenhum partido político, e para mim são tudo farinha do mesmo saco, mas da pra perceber uma mínima diferença?Um abraço! sem opinião
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Santos Júnior (327) 05/12/2009 19h20
Santos Júnior (327) 05/12/2009 19h20
Sr Cássio não é inventar, eu e muitos outros aqui gostaríamos de saber que tal de sucesso é esse rs.A educação continua péssima, a saúde pública nem se fala, continuamos pagando muitos impostos, e apesar da declaração de auto-suficiência em petróleo, a gasolina continua bem carinha e ainda o importamos...A vale nunca foi patrimônio do povo brasileiro.Depois que ela foi vendida eu não recebi a minha parte, o senhor recebeu a sua?Era uma empresa que estava a beira do colapso e que servia pra funcionário público preguiçoso apadrinhado com político ganhar dinheiro sem ao menos ir lá "bater o ponto".Veremos a vale agora se não gera mais lucros ao Brasil.Da mesma forma foi nos setores de telefonia, o sr se lembra o quanto era difícil uma linha telefônica em casa?E agora será que melhorou ou piorou?Quando a Petrobrás descobriu o petróleo abaixo desta camada "Pré-Sal" logicamente o governo fez mais que sua obrigação, investindo recursos para sua exploração e para a propaganda, é claro, em cima de tal descoberta, afinal não poderiam perder esta "boquinha".Isto não é factóide, é realidade.É só tentar discutir estes assuntos com aqueles que não recebem bolsa do governo e aí o senhor verá o que pensam.Um abraço! 3 opiniões
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Cassio Tavares (758) 05/12/2009 15h50
Cassio Tavares (758) 05/12/2009 15h50
O ex-presidente Fernando Henrique foi literalmente afastado de aparecer no programa do partido nessas 5ª feira. Se aparecer já seria desastroso, imagine só se ele resolvesse falar. Nem a pau Juvenal. O partido até que enfim deu uma dentro. Mas também com um cidadão que já havia dito assim : ESQUEÇAM DE TUDO QUE ESCREVI, o que ele falasse poderia ser altamente desastroso para o partido. Ué, e a Governadora Yeda Cruzius também não apareceu por motivos mais do que óbvios. Desse jeito não vai sobrar ninguém. E no Programa Café com Leite, foi elogio pra lá, elogio pra cá. Só lá na telinha viu, porque aqui fora a coisa está brava. Mas estão dizendo que o Kassab ( cá sabe alguma coisa ) está já soprando no pé do ouvido do governador : não entra nessa não Serra. Isso aí é gelada. Desembarca. Mas como vai dizer ao partido que vai preferir a reeleição ?. É um constrangimento enorme e que ele vai empurrando com a barriga até quando puder. E o mineirinho vai só solapando por trás. 5 opiniões
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