Ombudsman diz que Folha deu mesmo tratamento para FHC e Lula
da Folha Online
O ombudsman da Folha, Carlos Eduardo Lins da Silva, disse nesta segunda-feira que a cobertura do jornal durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi tão dura quanto está sendo na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo ele, muitos leitores acreditam que a Folha foi muito mais condescendente com FHC do que com Lula. Porém, como não há dados científicos, sua avaliação é apenas pela "aparência".
"A Folha era muito dura com o presidente FHC também. [...] Ele se manifestou pra mim como ele não gostava de como a Folha cobria o governo dele. O presidente Lula também não gosta", afirmou Lins da Silva ao lembrar que FHC ficou "ressentido" com o jornal quando deixou o governo.
O ombudsman disse que "certamente" o jornal foi mais duro com o governo do ex-presidente Fernando Collor, atual senador pelo PTB de Alagoas. Prova disso é o fato de Collor ter feito uma operação similar à que foi feita recentemente no jornal argentino "El Clarín" sobre supostos problemas fiscais na empresa.
Lins da Silva também foi questionado sobre as críticas que recebe de leitores e das fontes. Segundo ele, as críticas não são importantes quando representam posicionamentos político-partidários. "Mas quando o jornal comete erros graves aí sim a credibilidade se fere. O jornal tem errado muito e eu acho que alguns desses erros bate na credibilidade", afirmou.
O ombudsman contou que no episódio envolvendo o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), recebeu muitas críticas de leitores que questionavam o fato de ele ser colunista do jornal. "Essa situação] Foge do escopo do trabalho do ombudsman emitir opinião do trabalho dos colunistas", afirmou.
Sabatina
Primeiro veículo de imprensa a ter um ombudsman no país, a Folha celebra neste mês os 20 anos da criação desse cargo no jornal.
Lins da Silva responde a perguntas da plateia e de quatro entrevistadores: o colunista da Folha Marcelo Coelho, as jornalistas Eleonora Gosman, correspondente do jornal argentino "Clarín", e Verónica Goyzueta, correspondente do espanhol "ABC", e Eugênio Bucci, professor da ECA-USP e colaborador de "O Estado de S. Paulo".
A sabatina ocorre no Teatro Folha (no shopping Pátio Higienópolis, av. Higienópolis, 618, em São Paulo).
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