Ombudsman da Folha nega pressão de jornalistas e fontes em seu trabalho
REGIANE SOARES
da Folha Online
O ombudsman da Folha, Carlos Eduardo Lins da Silva, disse nesta segunda-feira que não há pressão dos jornalistas e fontes em seu trabalho porque sua relação com os profissionais do jornal é muito boa, principalmente porque não fica na redação. "Nos últimos meses, [a relação] não tem sido muito tensa", afirmou.
"Da parte das fontes, também recebo reclamações, mas não posso me queixar de ter sido coagido. Às vezes, devido à personalidade da pessoa, uma fonte faz uma cobrança mais ríspida. Não tenho reclamação nem da redação nem com as fontes", afirmou.
Apesar da boa relação, o ombudsman disse que o jornal, na maioria das vezes, não atende às suas sugestões. Algumas propostas são acatadas, mas disse que não sabe se foi porque sugeriu ou porque já estava programada.
Uma das cobranças feitas por ele e que foi acatada pelo jornal foi a edição eletrônica, que começou a ser divulgada na internet na semana passada. "Mais frequentemente as minhas sugestões não são acatadas", disse.
Segundo Lins da Silva, os principais erros que mais o aborrecem é o jornal não fazer o jornalismo preventivo, e só reagir aos fatos, e dar destaque na primeira página e não dar continuidade ao assunto.
O ombudsman disse que os dois principais erros que o jornal cometeu nos 18 meses que está no cargo é sobre a ficha da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) na época da ditadura e a estimativa sobre os números de gripe suína no Brasil.
Segundo ele, Dilma disse que a ficha publicada pela Folha sobre o período que ela atuou contra o regime militar era falsa. O jornal disse que não tinha como comprovar se o documento era falso ou verdadeiro, porque não tinha o original em papel, só digitalizado.
Lins da Silva disse que os erros acontecem por três fatores: pressa, preguiça e ignorância dos jornalistas.
Ele também criticou a cobertura do Poder Legislativo. "O trabalho sério que afeta a vida de todos nós [...] o leitor só sabe depois da aprovação do projeto. Isso é uma coisa que me irrita demais", disse.
Internet
Silva criticou a forma como as notícias são publicadas na internet. Segundo ele, o problema não está no meio de comunicação mas na pressa da publicação de informações que não foram devidamente checadas.
"Não vejo problema nos meios [eletrônicos], mas na maneira como as coisas são feitas. O problema é o açodamento da publicação de informação não verificadas e na internet a dimensão é maior", disse.
Silva citou a divulgação de um suposto acidente com um avião que teria caído próximo ao aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, quando na verdade se tratava de uma explosão seguida de incêndio em uma loja.
"Deram até o nome da companhia aérea do avião que tinha caído. Esse é o tipo de coisa que a tecnologia permite e que a internet divulga. Isso acontece não por causa da internet mas das pessoas que alimentam a internet", afirmou.
Sabatina
Primeiro veículo de imprensa a ter um ombudsman no país, a Folha celebra neste mês os 20 anos da criação desse cargo no jornal.
Lins da Silva responde a perguntas da plateia e de quatro entrevistadores: o colunista da Folha Marcelo Coelho, as jornalistas Eleonora Gosman, correspondente do jornal argentino "Clarín", e Verónica Goyzueta, correspondente do espanhol "ABC", e Eugênio Bucci, professor da ECA-USP e colaborador de "O Estado de S. Paulo".
A sabatina ocorre no Teatro Folha (no shopping Pátio Higienópolis, av. Higienópolis, 618, em São Paulo).
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