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Brasil
21/09/2009 - 17h07

Ombudsman da Folha diz que jornal impresso sobreviverá à internet

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da Folha Online

O ombudsman da Folha, Carlos Eduardo Lins da Silva, disse nesta segunda-feira que o jornal impresso "sobreviverá" à internet, apesar do crescimento do meio eletrônico como fonte de informação. "[O jornal sobreviverá] Não tenho dúvida que sim, assim como o rádio e TV sobreviveram", afirmou.

Silva ressaltou que os meios de comunicação devem encontrar seus nichos de mercado e deu como exemplo o papel do rádio.

Segundo ele, o rádio não tem mais a audiência que tinha no passado, mas presta um importante serviço aos motoristas ao informar sobre o trânsito. "Os meios de comunicação mudam de papel e de nicho de mercado. O jornal impresso também vai encontrar o seu nicho", disse.

Ao responder perguntas da plateia, o ombudsman ficou contra a obrigatoriedade do diploma de jornalista.

Questionado sobre o conteúdo de outros jornais, o ombudsman preferiu não comentar o trabalho de outros órgãos de imprensa. Ele disse que a Folha paga o seu salário para falar sobre a Folha. Além disso, afirmou não ter tempo para acompanhar e criticar outros veículos. "Eles [outros veículos] que se virem", afirmou.

Silva ressaltou que não é representante do jornal, mas sim do leitor. "Isso não quer dizer que sou inimigo do jornal, porque o leitor também não é [inimigo]", afirmou o ombudsman, ao lembrar que tenta apenas mostrar erros.

O ombudsman também ressaltou a importância de os jornais continuarem a enviar correspondentes a outros países.

Segundo Silva, não há agência de notícia que supere ou que "minimamente" chegue perto do trabalho de um correspondente. "Caso contrário, corremos o risco de viver numa sociedade em que as notícias não têm mais importância. Só as opiniões. E quem vai apurar as notícias? Ninguém vai saber o que está acontecendo no Iraque se não mandar jornalista pra lá", disse.

Internet

Silva criticou a forma como as notícias são publicadas na internet. Segundo ele, o problema não está no meio de comunicação mas na pressa da publicação de informações que não foram devidamente checadas.

"Não vejo problema nos meios [eletrônicos], mas na maneira como as coisas são feitas. O problema é o açodamento da publicação de informação não verificadas e na internet a dimensão é maior", disse.

Silva citou a divulgação de um suposto acidente com um avião que teria caído próximo ao aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, quando na verdade se tratava de uma explosão seguida de incêndio em uma loja.

"Deram até o nome da companhia aérea do avião que tinha caído. Esse é o tipo de coisa que a tecnologia permite e que a internet divulga. Isso acontece não por causa da internet mas das pessoas que alimentam a internet", afirmou.

Sabatina

Primeiro veículo de imprensa a ter um ombudsman no país, a Folha celebra neste mês os 20 anos da criação desse cargo no jornal.

Lins da Silva responde a perguntas da plateia e de quatro entrevistadores: o colunista da Folha Marcelo Coelho, as jornalistas Eleonora Gosman, correspondente do jornal argentino 'Clarín', e Verónica Goyzueta, correspondente do espanhol "ABC", e Eugênio Bucci, professor da ECA-USP e colaborador de 'O Estado de S. Paulo'.

A sabatina ocorre no Teatro Folha (no shopping Pátio Higienópolis, av. Higienópolis, 618, em São Paulo).

Comentários dos leitores
Henrique Silva (72) 22/09/2009 23h42
Henrique Silva (72) 22/09/2009 23h42
Só faltava essa! FHC critica relação "imperialista" entre planalto e congresso. Oras! quem inventou a política do ROLO COMPRESSOR? (o próprio FHC). sem opinião
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walysbalde santos (1) 22/09/2009 09h21
walysbalde santos (1) 22/09/2009 09h21
hoje em dia ate jornal do metro de graca as pessoa nao ler, enfim quando a noticia chega as banca ja esta velha, imprensa escrita esta com os dias contado,o radio da a noticia fresca o jornal vai sair amanha... sem opinião
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Guilherme Prado (1) 22/09/2009 08h33
Guilherme Prado (1) 22/09/2009 08h33
Na verdade enquanto o jornalismo brasileiro possuir essa visão retrógrada como a apresentada na sabatina, a imporensa escrita no país não tem outro futuro se não a extinção...
Isso ocorre por vários motivos, mas o principal está no fato de que estas empresas não são administradas por pessoas que entendem do assunto, não são nem de perto especialistas em comunicação, não entendem as particulariedades deste ramo, e para tanto a administram como uma empresa qualquer.
A imprensa escrita brasileira continua tentando concorrer com a internet, e na frase "sobreviver à internet" isso ficou bem claro.
O diploma no jornalismo se mostra necessário nesses casos, mais do que alguém que escreve a matéria para um jornal, o jornalista diplomado, é a pessoa que entende o processo, entende o sistema e como ele se comporta.
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