06/08/2004
-
08h15
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaminhou ao Congresso projeto de lei que prevê a criação do CFJ (Conselho Federal de Jornalismo) e suas respectivas seções estaduais. O conselho terá poderes, segundo a proposta do governo, para "orientar, disciplinar e fiscalizar" o exercício da profissão e a atividade de jornalismo --inclusive com poderes de punir jornalistas.
O texto do projeto foi publicado ontem no "Diário Oficial" da União. Elaborado pelo Ministério do Trabalho, o texto passou pelo crivo jurídico da Casa Civil e ainda tem de ser aprovado pela Câmara e pelo Senado, antes de ser sancionado pelo presidente da República.
Outra função do CFJ, ainda segundo o texto, será a de "zelar pela fiel observância dos princípios de ética e disciplina da classe" e "colaborar com o aperfeiçoamento dos cursos de jornalismo e comunicação social com habilitação em jornalismo".
A proposta é polêmica por sugerir algum tipo de controle numa atividade em que a liberdade de expressão é a base. Além disso, insere-se num contexto de dificuldades de relacionamento entre o governo Lula e a imprensa.
Em diversos episódios desde o começo de seu mandato, Lula e alguns ministros criticaram a atuação da imprensa. "Notícia é aquilo que nós não queremos que seja publicado, o resto é publicidade", disse Lula no ano passado.
O chefe da Secretaria de Comunicação de Governo, Luiz Gushiken, já se queixou do que considera "negativismo" do noticiário.
Neste ano, um jornalista norte-americano, Larry Rohter, teve seu visto revogado por ter escrito uma reportagem no "New York Times" na qual abordava supostos abusos alcoólicos de Lula. A decisão do governo foi revista após a repercussão negativa do episódio. Além disso, nas reuniões de cúpula do governo, são constantes as desaprovações à conduta de jornalistas e de órgãos de imprensa.
Para exercer a profissão, diz o projeto, o jornalista deverá estar inscrito num conselho regional de jornalismo. Durante 90 dias, a contar da posse da primeira composição do CFJ, a emissão da carteira profissional de jornalista permanecerá sob a responsabilidade da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas Profissionais). Não há menção à obrigatoriedade do diploma de jornalista, hoje contestada judicialmente.
Em ofício enviado ao presidente Lula, no qual expõe os motivos para a criação do CFJ, o ministro Ricardo Berzoini (Trabalho) afirma que "atualmente não há nenhuma instituição com competência legal para normalizar, fiscalizar e punir as condutas inadequadas dos jornalistas". O CFJ, segundo ele, ocuparia tal espaço.
"O conselho poderá inclusive proteger, de forma indireta, o próprio jornalista, hoje sujeito a demissão sumária caso se recuse a seguir ordens superiores, mesmo as antiéticas ou destinadas a produzir reportagens falsas ou parciais", afirma o ministro Berzoini.
Segundo o texto do projeto, a primeira composição do conselho será provisória, contando com dez jornalistas profissionais efetivos e dez suplentes --todos indicados pelo conselho de representantes da Fenaj. Ele tomará posse em até 60 dias após a publicação da lei no "Diário Oficial".
O texto afirma que o mandato dos conselheiros provisórios "terá a duração necessária" para organizar a eleição de cinco conselhos regionais. Caso ultrapasse dois anos, a Fenaj poderá indicar nova composição para "ultimar a eleição dos cinco conselhos regionais". Caberá ao próprio CFJ "editar e alterar o seu regimento".
As contas do CFJ terão de ser entregues anualmente ao TCU (Tribunal de Contas União).
Leia mais
Presidente da ABI se diz contra criação de órgão
Especial
Arquivo: veja o que já foi publicado sobre projetos de lei
Lula quer conselho para fiscalizar jornalismo
Publicidade
da Folha de S.Paulo, em BrasíliaO presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaminhou ao Congresso projeto de lei que prevê a criação do CFJ (Conselho Federal de Jornalismo) e suas respectivas seções estaduais. O conselho terá poderes, segundo a proposta do governo, para "orientar, disciplinar e fiscalizar" o exercício da profissão e a atividade de jornalismo --inclusive com poderes de punir jornalistas.
O texto do projeto foi publicado ontem no "Diário Oficial" da União. Elaborado pelo Ministério do Trabalho, o texto passou pelo crivo jurídico da Casa Civil e ainda tem de ser aprovado pela Câmara e pelo Senado, antes de ser sancionado pelo presidente da República.
Outra função do CFJ, ainda segundo o texto, será a de "zelar pela fiel observância dos princípios de ética e disciplina da classe" e "colaborar com o aperfeiçoamento dos cursos de jornalismo e comunicação social com habilitação em jornalismo".
A proposta é polêmica por sugerir algum tipo de controle numa atividade em que a liberdade de expressão é a base. Além disso, insere-se num contexto de dificuldades de relacionamento entre o governo Lula e a imprensa.
Em diversos episódios desde o começo de seu mandato, Lula e alguns ministros criticaram a atuação da imprensa. "Notícia é aquilo que nós não queremos que seja publicado, o resto é publicidade", disse Lula no ano passado.
O chefe da Secretaria de Comunicação de Governo, Luiz Gushiken, já se queixou do que considera "negativismo" do noticiário.
Neste ano, um jornalista norte-americano, Larry Rohter, teve seu visto revogado por ter escrito uma reportagem no "New York Times" na qual abordava supostos abusos alcoólicos de Lula. A decisão do governo foi revista após a repercussão negativa do episódio. Além disso, nas reuniões de cúpula do governo, são constantes as desaprovações à conduta de jornalistas e de órgãos de imprensa.
Para exercer a profissão, diz o projeto, o jornalista deverá estar inscrito num conselho regional de jornalismo. Durante 90 dias, a contar da posse da primeira composição do CFJ, a emissão da carteira profissional de jornalista permanecerá sob a responsabilidade da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas Profissionais). Não há menção à obrigatoriedade do diploma de jornalista, hoje contestada judicialmente.
Em ofício enviado ao presidente Lula, no qual expõe os motivos para a criação do CFJ, o ministro Ricardo Berzoini (Trabalho) afirma que "atualmente não há nenhuma instituição com competência legal para normalizar, fiscalizar e punir as condutas inadequadas dos jornalistas". O CFJ, segundo ele, ocuparia tal espaço.
"O conselho poderá inclusive proteger, de forma indireta, o próprio jornalista, hoje sujeito a demissão sumária caso se recuse a seguir ordens superiores, mesmo as antiéticas ou destinadas a produzir reportagens falsas ou parciais", afirma o ministro Berzoini.
Segundo o texto do projeto, a primeira composição do conselho será provisória, contando com dez jornalistas profissionais efetivos e dez suplentes --todos indicados pelo conselho de representantes da Fenaj. Ele tomará posse em até 60 dias após a publicação da lei no "Diário Oficial".
O texto afirma que o mandato dos conselheiros provisórios "terá a duração necessária" para organizar a eleição de cinco conselhos regionais. Caso ultrapasse dois anos, a Fenaj poderá indicar nova composição para "ultimar a eleição dos cinco conselhos regionais". Caberá ao próprio CFJ "editar e alterar o seu regimento".
As contas do CFJ terão de ser entregues anualmente ao TCU (Tribunal de Contas União).
Leia mais
Especial

