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Brasil
06/10/2009 - 09h36

Nova lei eleitoral abre brecha para doação de sindicato

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FÁBIO ZANINI
da Folha de S.Paulo, em Brasília

A nova lei eleitoral, em vigor desde a semana passada, criou uma brecha que permite a sindicatos doarem para campanhas por meio de cooperativas que, na prática, controlam.

Um parágrafo acrescentado ao artigo 24 da lei eleitoral (9.504/97) autorizou que cooperativas repassem dinheiro a candidatos, desde que não sejam concessionárias de serviços públicos nem recebam recursos de governos.

Entre as cooperativas que cumprem esses critérios estão algumas ligadas a grandes sindicatos --hoje proibidos de doar. O dos metalúrgicos do ABC, com relações históricas com Lula e o PT, tem duas: uma de crédito e outra habitacional.

O Sindicato dos Bancários de São Paulo, ligada à CUT (Central Única dos Trabalhadores), instituiu a Bancoop, cooperativa habitacional, em 1996. Seu fundador é o presidente do PT, Ricardo Berzoini, e seu atual presidente, João Vaccari Neto, deve ser o tesoureiro do partido no ano eleitoral de 2010.

Do lado da Força Sindical, o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo criou a Metalcred, uma cooperativa de crédito.

Em sindicatos patronais, as cooperativas são mais raras. A assessoria da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) informou não ter conhecimento de nenhuma.

Formalmente, as cooperativas são independentes. Na prática, a ligação é total. Elas surgem por iniciativa dos sindicatos. Muitas funcionam no mesmo prédio e têm dirigentes sindicais entre os cooperados. Da cooperativa dos metalúrgicos do ABC, a CredABC, fazem parte o presidente do sindicato, Sergio Nobre, o prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, e o próprio Lula.

A emenda permitindo a doação surgiu por articulação da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), que representa o setor. No Congresso, seu porta-voz foi o deputado federal Dr. Ubiali (PSB-SP). Segundo ele, seu objetivo não era liberar doações de entidades ligadas a sindicatos. Ele tinha em mente as Unimeds, cooperativas de médicos.

"Não é justo que grandes empresas privadas do setor de saúde possam doar para seus representantes e as Unimeds não possam", afirmou Ubiali.

Para Márcio Freitas, presidente da OCB, a autorização para doar faz justiça a um setor que responde por 6% do PIB e gera 300 mil empregos. "É um setor que depende de políticas públicas e por isso tem legitimidade para doar", diz.

Até 2006, as cooperativas usavam um vácuo jurídico para doar. No ano passado, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) vetou a possibilidade. Agora, a lei permitiu a contribuição.

A liberação atinge quase todas as cooperativas. Há exceções. As ligadas ao MST, por exemplo, por receberem verba pública, não podem contribuir.

Estrutura

As cooperativas sindicais hoje têm estatura modesta. A CredABC diz contar com 2.000 associados e ter patrimônio de R$ 2 milhões. A Metalcred diz ter número parecido de filiados.

Juridicamente, a brecha agora está aberta para que sindicatos engordem cooperativas que controlam, com verbas depois canalizadas para campanhas.

"Isso pode acontecer, embora essas cooperativas sejam todas falidas. O ideal seria que o sindicato doasse diretamente, como nos EUA", diz o deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força.

Presidentes de cooperativas dizem não haver ainda uma decisão de doar. "Teria que haver assembleia e decisão coletiva", diz José Vitório Cordeiro Filho, da CredABC. "Acho difícil os trabalhadores aprovarem uma coisa dessas sem discussão profunda", diz Clarisvaldo de Almeida, da Metalcred.

Para o presidente da Comissão de Cooperativismo da OAB-SP, Antonio Luis Otero, a permissão para doação é positiva, por questão de transparência. Segundo ele, o principal problema é a falta de regulação.

Arte/Folha

Colaborou FELIPE SELIGMAN, da Folha de S.Paulo, em Brasília

Comentários dos leitores
Cassio Tavares (707) 03/12/2009 17h16
Cassio Tavares (707) 03/12/2009 17h16
Bruno Jason, como já esperava voce é mais um dessa oposição que não tem peito de responder concretamente à pergunta formulada : SE O PMDB OFERECER O SEU APOIO À CANDIDATURA DO PSDB PARA O PLEITO DE 2.010, O PARTIDO ACEITA OU RECUSA ? Se disser que NÃO, ninguém acredita, é claro. E se disser que SIM, porque é a pura verdade, como é que fica a ÉTICA do partido, voces que a proclamam aos 4 ventos. Então querer criticar o governo por aceitar a parceria com o PMDB é um comportamento que a oposição adotaria sem pestanejar. Não sejamos hipócritas, como já dizia o Paulo Cezar Faria. Portanto não sejam hipócritas. A pergunta é : SIM ou NÃO. sem opinião
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Quando é que um pais opta por processos constituintes? Sempre que isso acontece, há um rompimento da velha ordem. Fazer constituinte para resolver dificuldades no Congresso é coisa de gente mal intencionada, que não entende como funcionam as democracias. Os bandoleiros da AL , Chávez, Evo Morales e Rafael Correa, tem recorrido a esse expediente. Sem que seus respectivos países tivessem passado por uma revolução ou rompimento da ordem, usaram a Constituinte como atalho para implementar regimes autoritários. Esse negócio de que é a lei que leva um sujeito a transgredir a lei é estúpido. O que leva alguém a respeitar a lei, é uma decisão pessoal, de caráter moral. Mude-se o texto legal o quanto for, e o vigarista determinado vai tentar fraudá-lo. Ou existe a punição exemplar que torne mau negócio fazer a coisa errada, ou não há lei que o contenha. E Lula deu os seus motivos: enviou propostas de reforma tributária ao Congresso, e ela não avançou; reforma política também não. E AINDA BEM QUE NÃO AVANÇARAM! ERAM E SÃO MUITO RUINS! Daí o perigo de Dilma ganhar a eleição. Mas a simples menção dessa possibilidade revela o debate rebaixado que se faz no governo. Em seus sete anos de poder, o que fez Lula para manter uma relação mais qualificada com os partidos e com o Congresso? O movimento mais vistoso foi o mensalão!!! Todos os vícios históricos da relação dos partidos da base aliada com o governo foram mantidos, e outros tantos se acrescentaram. E ele vem falar em Constituinte. sem opinião
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Cassio Tavares (707) 03/12/2009 14h12
Cassio Tavares (707) 03/12/2009 14h12
O PMDB é o maior partido de aluguel existente. Mas eu quero saber se tem algúem aqui nesse forum com peito para me responder o seguinte : SE HOJE, O PMDB OFERECER O SEU APOIO IRRESTRITO À CANDIDATURA DO PDSB AO PALÁCIO DO PLANALTO EM 2.010, ELE VAI ACEITAR OU VAI RECUSAR ? Aguardo respostas coerentes e honestas. Certo ? Estou ansioso para ler a opinião dos ativistas do PSDB. Se disserem que NÃO, ninguém vai acreditar, com toda razão. Se disserem SIM, a pergunta seguinte que farei é : e onde está a ética do partido. O Brasil espera as respostas coerentes e HONESTAS. Essa estória de ficar aí dando estrelinhas é posição de quem quer se esquivar de responder a uma pergunta altamente indigesta para a oposição. 3 opiniões
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