Cassel nega repasses irregulares ao MST e diz que governo não teme criação de CPI
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O ministro Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário) disse nesta terça-feira que o governo federal não teme a instalação de uma CPI no Congresso para investigar supostos repasses feitos pela União a entidades ligadas ao MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra). Em depoimento à Comissão de Agricultura do Senado, Cassel negou que o Incra ou o Ministério do Desenvolvimento Agrário tenham repassado cerca de R$ 115 milhões a entidades vinculadas ao MST.
"Esse tema sempre aparece atravessado. O Incra e o ministério não repassaram R$ 115 milhões ao MST. Os dados estão aqui disponíveis", afirmou.
Cassel disse que, dos R$ 115 milhões repassados a entidades rurais pelo governo, 56% foram destinados à Emater de diversos Estados --sem nenhum vínculo ao MST.
"À Emater de Rondônia, foram repassados R$ 12 milhões. Não me consta que o governador Ivo Cassol seja militante do MST e tenha colocado a Emater a serviço do MST. A Emater do Rio Grande do Sul também recebeu e não consta que a governadora Yeda Crusius seja militante do MST", afirmou.
Cassel disse que também foram repassados R$ 26 milhões ao BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). "Não acredito que o BID esteja a serviço do MST", reagiu.
Segundo o ministro, existe uma tentativa de se criar um "falso" ambiente irregularidades ligadas ao governo federal. "O governo não teme a CPI, agora é indisculpável o falso ambiente que se criou com coisas que não existem", enfatizou.
Cassel afirmou que, se houvesse problemas no repasse de recursos a entidades rurais, seriam detectados. "O Incra e o Ministério do Desenvolvimento Agrário são os órgãos mais fiscalizados da Esplanada dos Ministérios", afirmou.
Acusações
O líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), acusou o Ministério do Desenvolvimento Agrário de ter repassado R$ 115 milhões do governo federal nos últimos cinco anos a entidades do campo ligadas ao MST. Em ofício encaminhado à Câmara, Cassel confirmou o repasse dos recursos, mas não confirmou que as entidades fossem ligadas ao movimento.
O ofício de Cassel foi uma resposta ao pedido de informações encaminhado ao ministro pelo líder do DEM na Câmara, no início de abril.
O ministro respondeu aos questionamentos do líder seis meses depois do pedido, embora a legislação recomende o prazo de um mês para o envio das informações à Câmara.
Caiado ficou irritado com o fato de Cassel não ter mencionado o suposto vínculo das entidades com o MST.
Segundo o líder, a legislação brasileira impede o repasse de recursos públicos para entidades que, direta ou indiretamente, colaboram, incentivam ou incitam a invasão de imóveis rurais ou de bens públicos.
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