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Suplicy pede a ministros do STF que ouçam Cesare Battisti
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da Ansa, em Brasília
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) pediu aos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) que deem a oportunidade de o ex-ativista italiano Cesare Battisti se pronunciar, caso decidam ouvir Alberto Torregiani, uma das vítimas de um dos ataques do grupo PAC (Proletários Armados pelo Comunismo).
Alberto é filho de Pierluigi Torregiani, que foi morto em frente à joalheria da família, em Milão, e ficou hemiplégico na mesma ação, cometida em 1979.
Battisti foi condenado na Itália à prisão perpétua pela morte de quatro pessoas, entre elas a do joalheiro, todas cometidas na década de 1970.
Detido no Brasil desde 2007, o ex-militante de esquerda recebeu no mês de janeiro o status de refugiado político, do Ministério da Justiça. Contudo, o governo italiano apresentou um pedido de extradição, para que ele cumpra a pena em seu país de origem.
Atualmente, Battisti aguarda na prisão da Papuda, em Brasília, o julgamento do STF, que deve decidir se acata ou não a solicitação italiana.
Na última semana, Torregiani ratificou seu pedido para que o Supremo o ouvisse antes de dar seu veredicto. "Se os juízes não conseguem decidir porque falta alguma informação, eu os aconselho a escutarem também as vítimas", disse na ocasião.
O caso foi para análise dos ministros no último dia 9 de setembro. A votação estava em 4 a 3 pela extradição quando o ministro Marco Aurélio Mello pediu vista do processo.
Retomando a solicitação do italiano, Suplicy disse --em carta enviada ontem a todos os integrantes do Supremo-- que, caso o "sr. Alberto Torregiani possa ser ouvido, considero importante que também seja dada a oportunidade ao sr. Cesare Battisti de esclarecer inteiramente não ter participado do comando que matou o sr. Pierluigi Torregiani, assim como não ter participado do planejamento daquele crime."
O texto do senador é acompanhado também por correspondências trocadas por Battisti e Torregiani, em que o ex-militante do grupo esquerdista esclarece que se opôs "a quaisquer ações que pudessem resultar na morte de qualquer pessoa" e que, "por não terem acatado sua opinião, deixou o grupo".
"Os senhores ministros poderão notar que a correspondência foi caracterizada por um clima de respeito e emoção entre ambos", continua Suplicy, que retoma também o convite feito por Battisti para que o italiano o visite na prisão para que ele possa lhe falar pessoalmente que não participou de tais atos.
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