13/09/2004
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18h54
FABIANA FUTEMA
CAIO JUNQUEIRA
da Folha Online
Segundo candidato a participar do ciclo de sabatinas da Folha, Paulo Maluf (PP), 73, elogiou nesta segunda-feira uma guinada à direita do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e centrou fogo em seu adversário do PSDB, José Serra, que desponta nas pesquisas de intenções de voto.
Em cerca de duas horas de sabatina, o ex-prefeito (1993-96) poupou a prefeita Marta Suplicy (PT), que tenta a reeleição, e atacou o tucano José Serra. Chegou, inclusive, a elogiar alguns programas da administração petista.
"O Lula veio daquela esquerda para o centro. Perto dele sou comunista. Só tenho uma discordância: a taxa de juros", disse. Referiu-se a Lula como um "modelo", alguém que "hoje é um homem maduro e está fazendo um governo honesto".
Maluf disse ser o único dos candidatos que não visa as eleições de 2006. "Eu sou o prefeito que quer ser só prefeito. Não quero ser só para alavancar outros sonhos. Eu só me permito o desejo de ser reeleito. Eu amo essa cidade", afirmou. "Meus adversários estão olhando [a eleição] como um trampolim para viabilizarem a candidatura ao governo, à Presidência."
Serra
O ex-prefeito responsabilizou Serra e a política econômica de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) pela evolução da dívida de São Paulo. "A dívida que deixei foi de cerca de R$ 6 bilhões. O que aconteceu? Eles [PSDB] beneficiaram os banqueiros. Eles aumentaram os juros, que hoje é o maior no mundo", disse.
Na seqüência, poupou Marta pela elevação da dívida da cidade. "A prefeita não tem culpa desse juro. Foi a política implantada pelo Serra", afirmou. "A política do PSDB favorece os banqueiros não o público."
"Os juros quebraram a Prefeitura de São Paulo. Quem diz isso não sou. É o Serra. Ele quer um novo indexador. Foi ele que quebrou a prefeitura, criou a CPMF [imposto sobre movimentação financeira]", disse.
Disparou ainda contra a bandeira de campanha de Serra, a saúde. "O Serra promete uma saúde pública espetacular, mas ele foi um mau ministro da Saúde. E agora vem ludibriando com o Mãe Paulistana. Ninguém sabe o que é isso."
Maluf atacou o tucano também ao citar Gilberto Kassab, que concorre a vice na chapa de Serra. "O Serra foi quem mais criticou o Pitta [Celso, ex-prefeito, que o sucedeu]. E ele [Serra] foi buscar o braço direito do Pitta para ser seu vice. Vamos ser bem claro. Foi um acordo de interesses."
Acusações
Afirmando estar "menos rico", o ex-prefeito também disparou contra os promotores do Ministério Público que o investigam sobre suposta movimentação não declarada em contas bancárias no exterior e abastecem com informações sigilosas a imprensa. Tal relação, Maluf chamou de "casamento incestuoso".
"Não posso admitir que quem queira me julgar são promotores que ainda não fizeram a denúncia [acusação formal à Justiça]. Eu não posso ser acusado por um casamento incestuoso entre promotores e a imprensa", afirmou.
Disse também estar "menos rico" atualmente. Em sua propaganda eleitoral na TV, ele constantemente afirma que "nasceu em família de posses". "Moro na mesma casa há 40 anos. Hoje estou menos rico do que estava antes. Quem acha que vai sair rico [da vida política], não vai."
Hoje o ex-prefeito é investigado pelo Ministério Público Estadual, pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal por supostos desvio de verba pública, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. Além das informações enviadas pelos EUA, a Suíça enviou ao Brasil cerca de 20 quilos de documentos bancários relacionados a contas atribuídas a Maluf e a seus familiares naquele país.
O Ministério da Justiça do Brasil enviou pedidos de colaboração internacional aos paraísos fiscais de Luxemburgo e da ilha de Jersey, onde os Maluf têm valores bloqueados.
Ao ser questionado pela primeira vez se mantinha contas no exterior, Maluf foi enfático e disse que não. No entanto, em seguida, desviou do tema e voltou a falar sobre os juros "pornográficos" do país.
Novamente questionado, classificou os trabalhos dos promotores como "um jogo que não é ético". "Estou vendo que o jogo [investigações] não é um jogo ético', disse. "Nunca tive uma condenação judicial. Gostaria de ter o direito de me defender na Justiça."
Promessas
Maluf repetiu durante a sabatina algumas promessas que tem feito em seu horário político da TV, como a extinção das taxas do lixo e de iluminação e a volta do PAS (Plano de Atendimento à Saúde) e a criação de um convênio da prefeitura com hospitais particulares.
Sobre programas de Marta, disse que manteria o bilhete único e ampliaria o limite de horas de uso de duas para três. Citou a distribuição de uniforme escolar e o programa Vai-e-volta. "A diferença é que eu contrataria confecções de São Paulo para fazer os uniformes para gerar emprego e renda na região."
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Em sabatina, Maluf elogia Lula, poupa Marta e ataca Serra
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MILENA BUOSI FABIANA FUTEMA
CAIO JUNQUEIRA
da Folha Online
Segundo candidato a participar do ciclo de sabatinas da Folha, Paulo Maluf (PP), 73, elogiou nesta segunda-feira uma guinada à direita do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e centrou fogo em seu adversário do PSDB, José Serra, que desponta nas pesquisas de intenções de voto.
Em cerca de duas horas de sabatina, o ex-prefeito (1993-96) poupou a prefeita Marta Suplicy (PT), que tenta a reeleição, e atacou o tucano José Serra. Chegou, inclusive, a elogiar alguns programas da administração petista.
| Jorge Araújo/FI |
![]() |
| Paulo Maluf (PP) durante a sabatina |
"O Lula veio daquela esquerda para o centro. Perto dele sou comunista. Só tenho uma discordância: a taxa de juros", disse. Referiu-se a Lula como um "modelo", alguém que "hoje é um homem maduro e está fazendo um governo honesto".
Maluf disse ser o único dos candidatos que não visa as eleições de 2006. "Eu sou o prefeito que quer ser só prefeito. Não quero ser só para alavancar outros sonhos. Eu só me permito o desejo de ser reeleito. Eu amo essa cidade", afirmou. "Meus adversários estão olhando [a eleição] como um trampolim para viabilizarem a candidatura ao governo, à Presidência."
Serra
O ex-prefeito responsabilizou Serra e a política econômica de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) pela evolução da dívida de São Paulo. "A dívida que deixei foi de cerca de R$ 6 bilhões. O que aconteceu? Eles [PSDB] beneficiaram os banqueiros. Eles aumentaram os juros, que hoje é o maior no mundo", disse.
Na seqüência, poupou Marta pela elevação da dívida da cidade. "A prefeita não tem culpa desse juro. Foi a política implantada pelo Serra", afirmou. "A política do PSDB favorece os banqueiros não o público."
"Os juros quebraram a Prefeitura de São Paulo. Quem diz isso não sou. É o Serra. Ele quer um novo indexador. Foi ele que quebrou a prefeitura, criou a CPMF [imposto sobre movimentação financeira]", disse.
Disparou ainda contra a bandeira de campanha de Serra, a saúde. "O Serra promete uma saúde pública espetacular, mas ele foi um mau ministro da Saúde. E agora vem ludibriando com o Mãe Paulistana. Ninguém sabe o que é isso."
Maluf atacou o tucano também ao citar Gilberto Kassab, que concorre a vice na chapa de Serra. "O Serra foi quem mais criticou o Pitta [Celso, ex-prefeito, que o sucedeu]. E ele [Serra] foi buscar o braço direito do Pitta para ser seu vice. Vamos ser bem claro. Foi um acordo de interesses."
Acusações
Afirmando estar "menos rico", o ex-prefeito também disparou contra os promotores do Ministério Público que o investigam sobre suposta movimentação não declarada em contas bancárias no exterior e abastecem com informações sigilosas a imprensa. Tal relação, Maluf chamou de "casamento incestuoso".
"Não posso admitir que quem queira me julgar são promotores que ainda não fizeram a denúncia [acusação formal à Justiça]. Eu não posso ser acusado por um casamento incestuoso entre promotores e a imprensa", afirmou.
Disse também estar "menos rico" atualmente. Em sua propaganda eleitoral na TV, ele constantemente afirma que "nasceu em família de posses". "Moro na mesma casa há 40 anos. Hoje estou menos rico do que estava antes. Quem acha que vai sair rico [da vida política], não vai."
Hoje o ex-prefeito é investigado pelo Ministério Público Estadual, pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal por supostos desvio de verba pública, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. Além das informações enviadas pelos EUA, a Suíça enviou ao Brasil cerca de 20 quilos de documentos bancários relacionados a contas atribuídas a Maluf e a seus familiares naquele país.
O Ministério da Justiça do Brasil enviou pedidos de colaboração internacional aos paraísos fiscais de Luxemburgo e da ilha de Jersey, onde os Maluf têm valores bloqueados.
Ao ser questionado pela primeira vez se mantinha contas no exterior, Maluf foi enfático e disse que não. No entanto, em seguida, desviou do tema e voltou a falar sobre os juros "pornográficos" do país.
Novamente questionado, classificou os trabalhos dos promotores como "um jogo que não é ético". "Estou vendo que o jogo [investigações] não é um jogo ético', disse. "Nunca tive uma condenação judicial. Gostaria de ter o direito de me defender na Justiça."
Promessas
Maluf repetiu durante a sabatina algumas promessas que tem feito em seu horário político da TV, como a extinção das taxas do lixo e de iluminação e a volta do PAS (Plano de Atendimento à Saúde) e a criação de um convênio da prefeitura com hospitais particulares.
Sobre programas de Marta, disse que manteria o bilhete único e ampliaria o limite de horas de uso de duas para três. Citou a distribuição de uniforme escolar e o programa Vai-e-volta. "A diferença é que eu contrataria confecções de São Paulo para fazer os uniformes para gerar emprego e renda na região."
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