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Lula critica TCU por paralisação de obras e defende mudanças em órgãos de fiscalização
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MÁRCIO FALCÃO
da Folha Online, em Brasília
Ao trocar o comando da AGU (Advocacia Geral da União) nesta sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar o TCU (Tribunal de Contas da União) pela paralisação de obras do governo, defendendo mudanças nos órgãos de fiscalização e punição para quem paralisar obras sem justificativas.
O presidente também aproveitou para rebater indiretamente às críticas sobre suas viagens feitas pelo presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes --que estava na plateia-- e disse ainda que não existem marajás no serviço público.
Lula defendeu uma discussão em torno de mudanças nos órgãos de fiscalização e disse que prepara um relatório para mostrar "absurdos" dos órgãos de fiscalização.
"Eu estou preparando um relatório das coisas consideradas absurdas para que vocês tenham noção do que nós estamos fazendo. As coisas mais absurdas, obras paralisadas durante dez meses, cinco meses, um ano e depois essas obras são autorizadas sem que as pessoas que as paralisaram tenham qualquer indício de punição. Quem faz está subordinado a todas as leis e quem dá ordem para parar não está a nenhuma", disse.
O presidente reclamou que essa paralisação causa atraso no país e citou o caso de uma obra paralisada por causa de uma pedra.
"Precisamos criar instrumentos, talvez uma câmara de nível superior, inatacável, para decidir. Senão, o país fica atrofiado. Porque, se um remar pra frente e cinco para trás, a gente nunca vai ganhar a medalha de ouro do desenvolvimento", afirmou.
Lula cobrou critérios mais específicos na recomendação do TCU para paralisar um empreendimento.
"Os entraves são demais. Se parte do pressuposto que todo mundo é desonesto até que se prove o contrário. Muitas vezes prevalece a coisa lá embaixo. As pessoas não têm dimensão de como é paralisar uma obra do país. Com que direito alguém para uma obra por nove meses? Qual é o custo para União, para o país, para o povo brasileiro? Quanto deixamos de ganhar com aquela obra paralisada. Acho que isso vai ter que mudar", disse.
Entendimento
Depois das críticas, o presidente defendeu o entendimento entre as instituições. "É preciso uma harmonização melhor entre essas dezenas de instituições. [...] Às vezes uma pessoa nos confins de um Estado qualquer tem mais poder que um presidente da República, que um quadro de ministério. Às vezes é uma pessoa de quarto escalão", reclamou.
Sem se importar com a presença do presidente do STF, Lula rebateu as críticas do ministro de que a sua viagem ao Vale do São Francisco, no Nordeste do país, na semana passada, ao lado da ministra e presidenciável Dilma Rousseff (Casa Civil), precisava ser analisada pela Justiça Eleitoral porque existiam indícios de campanha antecipada.
"Se o presidente e os ministros não estiverem andando por esse país para saber o quer está acontecendo. [...] Muitas vezes eu pergunto para a Dilma como está uma obra e ela diz que nem começou."
O presidente saiu em defesa da recomposição salarial dos servidores públicos e disse que a caça aos marajás --um dos emblemas de quando disputou a Presidência com o ex-presidente Fernando Collor de Mello-- é um discurso fácil de campanha.
"Lembro quando a máquina pública foi ofendida, quem estava de fora percebia que todo mundo era marajá e muitas vezes utilizava o salário do servidor público para jogá-los contra sociedade. Houve um tempo que um cidadão que ganhava dez salários tinha vergonha de falar. Precisou eu chegar à Presidência para ver que havia um engano, um discurso fácil da época de campanha e constatei que a máquina brasileira era muito mal remunerada e não condizia com a capacidade das pessoas", disse.
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