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Brasil
03/11/2009 - 18h17

Setores do PSDB pedem cabeça de marqueteiro de Serra

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NATUZA NERY
da Reuters, em Brasília

O PSDB ainda não definiu seu candidato para a corrida eleitoral de 2010, mas ninhos tucanos já começaram a tramar contra Luiz González, marqueteiro de confiança do governador José Serra.

O pré-candidato teria sido cobrado por aliados a dispensar os futuros serviços de seu estrategista, disseram duas altas fontes do partido, caso decida disputar a sucessão.

Há diversos argumentos na mesa contra González, todos eles já verbalizados em conversas com o governador, resistente à ofensiva. Eis os principais: é centralizador, ignora as sugestões de políticos e, o mais grave, "não entende do resto do Brasil". Procurado, ele não quis fazer comentários.

O fato é que González conseguiu elevado índice de sucesso em eleições paulistas. Não conseguiu eleger Geraldo Alckmin presidente em 2006, mas fez as campanhas vitoriosas de Serra ao Senado, à prefeitura de São Paulo e ao governo paulista.

Também coordenou a operação publicitária que elegeu o então desconhecido Gilberto Kassab ao comando da cidade de São Paulo, em 2008. Sua empresa, a agência Lua Branca, detém os contratos dos dois Executivos e um histórico bem-sucedido na relação com o PSDB paulista.

"Numa campanha majoritária, o marqueteiro não é tudo, mas é quase tudo. Não podemos errar", disse o deputado Bruno Araújo (PSDB-PE), aconselhando uma escolha meticulosa.

"A Executiva Nacional e o candidato a presidente precisam escolher um profissional de marketing que entenda de Brasil como um todo, que o discurso feito para o Nordeste seja comum aos discursos do Sul e Sudeste", acrescentou o deputado, envolvido nas discussões sobre a sucessão dentro da legenda.

A insatisfação não é nova, remonta à derrota do partido pelo PT na campanha nacional passada.

"Não ouve ninguém, não entende de Brasil. Há uma insatisfação geral no PSDB. Só o Serra gosta dele", disse um senador tucano sob compromisso do anonimato.

Recentemente, o incômodo transformou-se em pressão por sua saída.

Em uma ruidosa entrevista ao jornal "Valor Econômico", González reclamou da desarticulação de políticos tucanos para contra-atacar o governo na disputa presidencial de 2006, citando nominalmente o atual presidente da sigla, senador Sérgio Guerra (PE), na época coordenador-geral da campanha do candidato Geraldo Alckmin, e o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), então no comando do partido e de quem seria suposto desafeto.

Fogo amigo

O chamado "fogo amigo" dá-se a um ano das eleições e antes mesmo de o PSDB definir quem será seu candidato em 2010, se o próprio Serra --franco favorito nas pesquisas-- ou o governador de Minas, Aécio Neves.

Enquanto o clima ameaça atingir estado de fervura no flanco oposicionista, o lado adversário se mobiliza de olho em 2010 com desenvoltura. Nela, João Santana, o mesmo que trabalhou na campanha pela reeleição de Lula, já foi escolhido o estrategista da pré-candidata Dilma Rousseff.

O PT ainda acabou de contratar a empresa de Ben Self, o homem que fez a revolucionária campanha de internet para Barack Obama.

"Esta campanha vai ser muito difícil. O objetivo do PSDB não é ganhar São Paulo, é ganhar o Brasil", alertou a deputada Raquel Teixeira (PSDB-GO).

"Gostaria de ter certeza de que o González tem compreensão das diferenças existentes no Brasil", completou.

Já Tasso Jereissati não quis falar da suposta pressão. Ofereceu-se, porém, a dar a receita de um bom marqueteiro: "Tem que ser humilde, aceitar críticas. Tem que conhecer muito bem o Brasil, a psicologia do eleitor, que é muito diferente entre as regiões do país."

"É preciso que ele saiba como trabalhar essas diferenças (regionais) e cobrar barato", completou.

Sobre o valor da campanha, porém, nenhum tucano se aventurou a revelar, nem mesmo em confidência.

(Reportagem adicional de Maria Carolina Marcello)

Comentários dos leitores
Edgar Silva (46) 23/12/2009 17h19
Edgar Silva (46) 23/12/2009 17h19
Até que o Ciro Gomes está bem mais barato que o Sarney. Será que só 01 ano de ministério será suficiente. Acredito que deve ter algo mais por fora , digamos assim não contabilizado. sem opinião
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O presidente Lula, sua candidata Dilma Rousseff, e o governador Sérgio Cabral, que vai disputar a reeleição, participaram ontem da inauguração de apartamentos no Morro do Alemão e em Manguinhos. Fizeram campanha eleitoral aberta, clara, rasgada e ilegal. Para essa gente a lei deixou de ser uma referência. Ao contrário: quando alguém se lembra de cumpri-la, certos setores são tomados de verdadeira indignação cívica. Quando políticos usam recursos públicos, como o grupo fez ontem, em benefício de seu partido ou das próprias candidaturas, estão, de modo indireto, metendo dinheiro na meia, na cueca, na bolsa de couro como os mensalerios de Arruda. Trata-se de apropriação de recursos públicos. E a lei coíbe tal prática. Pior: os discursos de Lula e Dilma foram um primor de autoritarismo e de desprezo pela democracia. Os governadores de Estado cassados pelo TSE por "abuso do poder econômico" eram aprendizes de feiticeiro perto do que se viu em Manguinhos e no Morro do Alemão. Alguns setores da imprensa dizem que errado está o governador José Serra, que se nega a entrar nessa lama legal para a qual Lula insiste em arrastá-lo. Não tem de entrar mesmo. É claro que o país e a democracia precisam de uma oposição competitiva. Mas precisa também de uma oposição que respeite a lei, já que o governo não a respeita. Parte da imprensa em vez de censurar o desmando, cobra de Serra que faça o mesmo. Porque fazer o errado, o ilegal, passou a ser visto como sinal de esperteza. 2 opiniões
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Cassio Tavares (810) 23/12/2009 16h40
Cassio Tavares (810) 23/12/2009 16h40
Cezar Marcelo, o que o governo quer mostrar e vai mostrar em sua propaganda não é a diferença entre bons e maus e entre ricos e pobres. É a diferença entre os que fizeram muito para recuperar o pais da quebradeira, daqueles que não fizeram nada, a não ser sair mundo a fora passando o chapéu nos organismos internacionais para o Brasil não ir à lona, bater com a cara no chão. 1 - A inflação estava em 11,9% e agora em 4,5%.
2 - A dívida pública mobiliária era de 57,6% e agora de 44,1% . Em numeros : essa é dívida era pelo percentual acima de 1,927 trilhões e hoje ela está em 1,475 trilhoes ( último dado publicado ). Só aí Sr. Valias foi uma economia, na boa matemática de R$ 452.000.000.000 00.
3 - A Taxa Selic foi entregue em Dez. de 2.002 em
25,2% ao ano ( em Setembro de 1.999 ela foi a 44,8% ). Hoje ela está em 8,75%.
4 - Dívida externa. Essa aí dá vontade de chorar.
O governo brasileiro devia 223 bilhões de dólares e tinha 18 bilhões em caixa ( dinheiro emprestado pelo FMI ). Para o Brasil não ir a lona os ministros da fazenda passavam o chapéu nos bancos internacionais, e o FMI vinha aqui todo mes dar as suas ORDENS. Que tristeza.
Hoje temos 240 bilhões em caixa e uma dívida externa de 203 bilhões de dólares ou seja, sobra dolares e por isso emprestamos 10 bilhões ao FMI ( aquele que nos dava ordens ). A diferença está ai para quem quizer ver, o que era o Brasil quando para os estrangeiros a capital do país era Buenos Aires e hoje. Pergunte aos estrangeiros.
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