Rands diz que mensalão causa estranheza para quem conhecia o Congresso
MÁRCIO FALCÃO
da Folha Online, em Brasília
Em depoimento à Justiça Federal como testemunha de réus do mensalão, o deputado Maurício Rands (PT-PE) afirmou nesta terça-feira que não tinha conhecimento da existência do esquema. Segundo o deputado, o escândalo gerou "estranheza em quem conhece o funcionamento do Congresso" e também foi cercado de dúvidas porque não existia a coincidência entre os saques e as votações.
Rands disse que o esquema --que envolveu integrantes de partidos da base aliada em suposta compra de votos em troca de apoio -- não fazia sentido porque o governo contava com ampla maioria.
"Nunca [tive conhecimento de compra de votos]. Eu até diria que isso foi objeto da estranheza de quem conhece o funcionamento do Parlamento. Os aliados já votariam a favor dessas proposições porque era início do governo e havia certo entusiasmo na sociedade que refletia no Parlamento os aliados já votariam a favor [dessas propostas]", afirmou.
Segundo o deputado, um estudo da CPI dos Correios que investigou a denúncia mostrou que os saques identificados nas contas dos parlamentares envolvidos não coincidiam com as votações.
"Esse documento chegou às mãos da CPI que integravam a base e nos chamou atenção que não havia coincidência entre as datas das retiradas [de dinheiro] e as votações. Houve muitas votações importantes e esse foi um estudo bastante convincente de que a retirada do banco e votações no plenário da Câmara não batiam", disse.
Para o deputado, outra dado que chama atenção era o apoio significativo da oposição nas votações das reformas do governo Lula na previdência, no sistema político, no setor tributário, no setor elétrico.
"Na reforma previdenciária, por exemplo, cerca de metade da bancada do então PFL [atual DEM] e do PSDB votou pela aprovação da reforma. Sem esses votos, não teria sido aprovada a matéria e o Brasil não teria tido o crescimento econômico que vem registrando nos últimos anos. Houve um comportamento uniforme das bancadas", afirmou.
Rands também fez elogios ao ex-ministro da Casa Civil e deputado cassado José Dirceu, ao deputado José Genoino (PT-SP), presidente do partido quando o caso foi divulgado, e ao deputado João Paulo Cunha (PT-SP), que presidiu a Câmara entre 2003 e 2004. Questionado se Dirceu tinha influência nas decisões internas do PT quando assumiu a Casa Civil, Rands disse que não seria possível.
"Não. Seria necessário ser super-homem para ser ministro da articulação política e ainda cuidar dos assuntos internos do partido. Naquele período, ele não tinha mais interferência nas decisões internas do PT", afirmou.
Acusação
O ex-procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza ofereceu denúncia ao STF (Supremo Tribunal Federal) em abril de 2006 contra 40 suspeitos de participarem de um suposto esquema de compra de votos de parlamentares da base aliada --o mensalão.
Em agosto de 2007, os ministros do STF acataram a denúncia e transformaram os suspeitos em réus.
Entre os denunciados estão os ex-ministros Luiz Gushiken (Comunicação do Governo), Anderson Adauto (Transportes) e José Dirceu (Casa Civil), além do empresário Marcos Valério, os deputados João Paulo Cunha (PT-SP) e José Genoino (PT-SP) e o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ).
Dos 40 denunciados, 39 continuam respondendo como réus. O ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira fez um acordo e foi excluído da ação em troca do cumprimento de pena alternativa.
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"Para isentar Azeredo, Toffoli usa defesa dos petistas no mensalão"
Exatamente o que pensei. Ele inocenta o Azeredo para poder isentar os mensaleiros. Nada como algo pré organizado e predeterminado pelo Lulla. LAMENTÁVEL. É ISSO QUE É UM JUIZ DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.O famoso "adivogadu di porta di cadeia"
Ainda bem que ele não agiu no caso do Battisti, senão ele teria ficado aqui sem a interferência do Lulla.
Ele defenderá todas as idéias do PT. Senado vocês fizeram a maior bobagem da sua história destruíram o sistema judiciário do Supremo.
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