Base adia votação de entrada da Venezuela no Mercosul por medo de placar apertado
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), confirmou nesta quarta-feira o adiamento da votação do ingresso da Venezuela ao Mercosul, prevista para hoje no plenário da Casa. Líderes da base aliada governista decidiram deixar a votação da matéria para a próxima semana por temerem um placar apertado, o que poderia derrotar o protocolo de adesão da Venezuela no Mercosul.
"Sobre a Venezuela, as lideranças com quem conversei ontem estabeleceram que devemos votar na próxima semana com o compromisso de todos de fazermos a discussão sem obstrução na Casa", afirmou Sarney.
Com o feriado da última segunda-feira, Dia de Finados, os governistas temem um baixo número de parlamentares em plenário --já que muitos senadores emendaram o feriadão. Alguns senadores estão em viagens ao exterior, como um grupo que acompanha discussões sobre mudanças climáticas na ONU (Organização das Nações Unidas).
Como há forte resistência ao ingresso da Venezuela tanto na oposição como entre senadores da própria base aliada, os líderes governistas acharam mais prudente deixar a votação da matéria para o dia 11.
Se o protocolo for aprovado pelo plenário do Senado, o Paraguai será o único país do bloco econômico que ainda não terá concluído a análise do ingresso da Venezuela no Mercosul.
A Argentina e o Uruguai já aprovaram o protocolo de adesão, mas caberá ao Paraguai definir --uma vez que os quatro países-membros do Mercosul têm que avalizar o ingresso da Venezuela para que o país possa efetivamente integrar o bloco econômico.
Debate
Na semana passada, a CRE (Comissão de Relações Exteriores) do Senado aprovou o ingresso da Venezuela no Mercosul. A comissão rejeitou relatório do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), contrário ao ingresso do país e, em seu lugar, aprovou voto em separado do líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), favorável ao protocolo de adesão.
A oposição considera que Chávez impôs um regime antidemocrático no país, o que poderia colocar em xeque a democracia na América do Sul.
"Eu não me importo se o Chávez é de direita, de esquerda, se é isso ou aquilo. Mas não podemos considerar preso político como um pequeno detalhe, liberdade de imprensa, um pequeno detalhe, prisão de jornalista é um pequeno detalhe. Isso é incompreensível", afirmou Tasso.
O argumento dos governistas, porém, é que a Venezuela não pode ser penalizada por ter Chávez no poder uma vez que a adesão do país no bloco é uma questão de Estado, e não do atual governo Chávez.
"Esse é menos um debate sobre questões da política interna da Venezuela do que sobre os interesses estratégicos do Estado brasileiro no tabuleiro internacional. Quem solicita a adesão ao Mercosul não é o governo venezuelano, mas o Estado venezuelano. O governo da Venezuela é transitório; a Venezuela continuará, ao longo da história, a ser vizinha do Brasil", argumentou Jucá no seu voto em separado.
No texto, Jucá não reconhece atitudes antidemocráticas no governo de Hugo Chávez ao considerar que isso é fruto de distorção da imprensa sensacionalista e de organismos internacionais. O líder governista também argumentou que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, da oposição, foi quem deu início às negociações para a adesão da Venezuela ao Mercosul.
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O chefe de governo está agindo como um verdadeiro ditador, autoritário e prepotente, não aceitando nada em contestação dos seus atos, fatos estes completamente contrários à verdadeira e legítima prática democrática, estabelecida no estatudo do Mercosul.
Não só no Paraguai, mas também no Brasil, houveram divisões, entretanto elas foram abafadas por esse governo que fez de tudo e um pouco mais para que houvesse a referida inclusão.
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O que o dinheiro tirado das reservas monetárias venezuelanas não será capaz de fazer...
Basta lembrar aquela ajudinha dada a Cristina Kirchner...
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