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Brasil
04/11/2009 - 11h38

Base adia votação de entrada da Venezuela no Mercosul por medo de placar apertado

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), confirmou nesta quarta-feira o adiamento da votação do ingresso da Venezuela ao Mercosul, prevista para hoje no plenário da Casa. Líderes da base aliada governista decidiram deixar a votação da matéria para a próxima semana por temerem um placar apertado, o que poderia derrotar o protocolo de adesão da Venezuela no Mercosul.

"Sobre a Venezuela, as lideranças com quem conversei ontem estabeleceram que devemos votar na próxima semana com o compromisso de todos de fazermos a discussão sem obstrução na Casa", afirmou Sarney.

Com o feriado da última segunda-feira, Dia de Finados, os governistas temem um baixo número de parlamentares em plenário --já que muitos senadores emendaram o feriadão. Alguns senadores estão em viagens ao exterior, como um grupo que acompanha discussões sobre mudanças climáticas na ONU (Organização das Nações Unidas).

Como há forte resistência ao ingresso da Venezuela tanto na oposição como entre senadores da própria base aliada, os líderes governistas acharam mais prudente deixar a votação da matéria para o dia 11.

Se o protocolo for aprovado pelo plenário do Senado, o Paraguai será o único país do bloco econômico que ainda não terá concluído a análise do ingresso da Venezuela no Mercosul.

A Argentina e o Uruguai já aprovaram o protocolo de adesão, mas caberá ao Paraguai definir --uma vez que os quatro países-membros do Mercosul têm que avalizar o ingresso da Venezuela para que o país possa efetivamente integrar o bloco econômico.

Debate

Na semana passada, a CRE (Comissão de Relações Exteriores) do Senado aprovou o ingresso da Venezuela no Mercosul. A comissão rejeitou relatório do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), contrário ao ingresso do país e, em seu lugar, aprovou voto em separado do líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), favorável ao protocolo de adesão.

A oposição considera que Chávez impôs um regime antidemocrático no país, o que poderia colocar em xeque a democracia na América do Sul.

"Eu não me importo se o Chávez é de direita, de esquerda, se é isso ou aquilo. Mas não podemos considerar preso político como um pequeno detalhe, liberdade de imprensa, um pequeno detalhe, prisão de jornalista é um pequeno detalhe. Isso é incompreensível", afirmou Tasso.

O argumento dos governistas, porém, é que a Venezuela não pode ser penalizada por ter Chávez no poder uma vez que a adesão do país no bloco é uma questão de Estado, e não do atual governo Chávez.

"Esse é menos um debate sobre questões da política interna da Venezuela do que sobre os interesses estratégicos do Estado brasileiro no tabuleiro internacional. Quem solicita a adesão ao Mercosul não é o governo venezuelano, mas o Estado venezuelano. O governo da Venezuela é transitório; a Venezuela continuará, ao longo da história, a ser vizinha do Brasil", argumentou Jucá no seu voto em separado.

No texto, Jucá não reconhece atitudes antidemocráticas no governo de Hugo Chávez ao considerar que isso é fruto de distorção da imprensa sensacionalista e de organismos internacionais. O líder governista também argumentou que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, da oposição, foi quem deu início às negociações para a adesão da Venezuela ao Mercosul.

Comentários dos leitores
Antonio Fouto Dias (2894) 17/12/2009 16h41
Antonio Fouto Dias (2894) 17/12/2009 16h41
O Brasil ficou "cozinhando o galo" até conseguir a aprovação da inclusão da Venezuela no Mercosul, e realmente é um assunto problemático, pois se considerarmos o Estado, acredito ser benéfico sua inclusão, no entanto se nos voltarmos para o governo, há aí uma diferença e uma contradição a tudo o que é estabelecido como exigências para que qualquer país seja incluído.
O chefe de governo está agindo como um verdadeiro ditador, autoritário e prepotente, não aceitando nada em contestação dos seus atos, fatos estes completamente contrários à verdadeira e legítima prática democrática, estabelecida no estatudo do Mercosul.
Não só no Paraguai, mas também no Brasil, houveram divisões, entretanto elas foram abafadas por esse governo que fez de tudo e um pouco mais para que houvesse a referida inclusão.
sem opinião
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celio maia (126) 17/12/2009 10h51
celio maia (126) 17/12/2009 10h51
"Entrada da Venezuela no Mercosul provoca divisões no Paraguai"...
O que o dinheiro tirado das reservas monetárias venezuelanas não será capaz de fazer...
Basta lembrar aquela ajudinha dada a Cristina Kirchner...
1 opinião
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Luiz Oliveria (33) 16/12/2009 16h44
Luiz Oliveria (33) 16/12/2009 16h44
Ora, a oposição tem que entender que é a nação e não o Presidente que está sendo aceita como membro do Mercosul. Dizer que Hugo Chávez é uma ameaça à democracia burguesa, estou de acordo, pq esta democracia é plutocrata, dos ricos, e não do povo, pelo povo, com o povo e para o povo. A DEMOCRACIA do Chávez é mais radical pq usa o plebiscito, referendo, ou seja, sermpre consulta o povo ao propor algo, enquanto a nossa capenga democracia brasileira é indireta, dos ladrões de colarinho branco.Nem consultou o povo quando FHC, tucanos e pefilistas (demos) aprovaram a reeleição, dando um golpe branco em cima de nós. Pelo menos o Zelaya iria consultar o povo e deram um golpe militar nele. Agora vem esse povinho rídiculo aqui cobrar democracia na Venezuela? Lá tem de sobra... até a justiça é consultada para cassar um canal de tv que cometeu crimes contra a lei venezuleana de audio-visual que teve direito de ir até a suprema corte venezuela para se defender. Uma tv que chama um presidente da República de macaco e que não respeita nem o direito de resposta, é para ser impedida mesmo. Mas ela funciona no canal fechado. No Japão e na França tvs também foram tiradas do ar por motivos parecidos e nem por isso a imprensa mundial fez o estardalhaço. 4 opiniões
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