Relator deve propor abertura de ação contra Azeredo; STF suspende sessão
MÁRCIO FALCÃO
da Folha Online, em Brasília
O STF (Supremo Tribunal Federal) suspendeu o julgamento da denúncia contra o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) por suposto envolvimento no chamado mensalão mineiro. Antes do intervalo, o relator do caso, ministro Joaquim Barbosa, começou a ler seu voto e sinalizou que vai propor abertura de ação penal contra o tucano, transformando-o em réu.
Segundo Barbosa, há indícios na denúncia do Ministério Público Federal de que Azeredo tinha conhecimento do suposto esquema arrecadação ilegal de recursos para sua campanha de reeleição ao governo de Minas Gerais em 1998.
Entenda como teria funcionado o esquema do mensalão mineiro
Veja quem é quem no caso do mensalão mineiro
"Há indícios, ainda que provisórios, que apontam para a atuação dolosa de Azeredo. Fortes indícios da natureza criminosa da campanha de Azeredo. Os indícios de que o acusado tinha conhecimento do esquema e queria realizá-lo estão presentes na denúncia", disse.
O relator disse que chama atenção um recebido assinado pelo senador no valor de R$4,5 milhões do publicitário Marcos Valério e que não foi contestado pela defesa do acusado.
"Ele [Azeredo] recebeu dinheiro para saldar compromissos diversos um montante de R$ 4,5 milhões em plena campanha. O recibo assinado pelo acusado Eduardo Azeredo. A defesa nada alegou sobre esse documento. Não há na defesa uma única palavra sobre esse documento, sobre esse recibo de R$ 4,5 milhões, citado expressamente na denúncia", afirmou.
Para Barbosa, não há justificativas para o envolvimento do senador com Marcos Valério porque o publicitário não prestava serviços para a campanha de reeleição do tucano.
"Em depoimento, Marcos Valério disse que não participou de nenhuma propaganda para a campanha, que teria sido feita pelo publicitário Duda Mendonça. Marcos Valério não tinha qualquer vínculo formal, legal com a campanha. O problema é que inúmeras testemunhas afirmaram que Marcos Valério era presença constante no comitê de campanha de Azeredo", disse.
"Se as suas empresas não eram responsáveis por qualquer propaganda, a presença deveria estar justificada por alguma outra razão. Alguns documentos demonstram que Azeredo conhecia essa razão. Embora negue, indícios mostram que ele teria participado [do esquema de captação ilegal de recursos]", reiterou.
A expectativa é de que o julgamento não termine nesta quarta-feira. Alguns ministros, não descartam ainda um pedido de vista já que esperam um voto do relator com muitos detalhes técnicos.
O tucano foi denunciado em 2007 pelo ex-procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, que o acusa de ter cometido por sete vezes o crime de peculato e por seis vezes lavagem de dinheiro.
Azeredo e outros investigados, incluindo o empresário Marcos Valério, são acusados de montar e gerir um suposto esquema de "caixa dois" durante a campanha para a reeleição do tucano ao governo de Minas Gerais, em 1998.
O senador será investigado pelo STF, cabendo à Justiça Federal em Minas analisar o processo que envolve Valério e os outros investigados.
O Supremo analisa se a denúncia apresenta indícios de autoria e materialidade dos crimes apontados pelo procurador. Presentes os indícios, a denúncia é recebida e a Corte abre ação penal contra o investigado, que se torna réu.
Se os ministros considerarem ausentes esses indícios, a denúncia é rejeitada e o inquérito é arquivado.
Em sua defesa, Azeredo nega o envolvimento no esquema e afirma que Ministério Público não descreveu qualquer "fato criminoso" praticado por ele. Marcos Valério também nega participação.
| Arte/Folha | ||
![]() |
![]() |
![]() |
Com Folha de S.Paulo
Leia mais
- Ministro do STF deve propor abertura de ação contra Azeredo por mensalão mineiro
- Walfrido desiste de recurso no STF sobre mensalão mineiro
- Joaquim Barbosa tira Marcos Valério de ação do mensalão mineiro que tramita no STF
Outras notícias de política
- Baixo quorum faz aliados de Lula adiarem votação sobre Venezuela
- Supremo divulga nota em defesa de Toffoli
- Talvez seja melhor fechar Brasil para balanço, diz Marco Aurélio
Especial
Livraria






avalie fechar
avalie fechar
"Para isentar Azeredo, Toffoli usa defesa dos petistas no mensalão"
Exatamente o que pensei. Ele inocenta o Azeredo para poder isentar os mensaleiros. Nada como algo pré organizado e predeterminado pelo Lulla. LAMENTÁVEL. É ISSO QUE É UM JUIZ DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.O famoso "adivogadu di porta di cadeia"
Ainda bem que ele não agiu no caso do Battisti, senão ele teria ficado aqui sem a interferência do Lulla.
Ele defenderá todas as idéias do PT. Senado vocês fizeram a maior bobagem da sua história destruíram o sistema judiciário do Supremo.
avalie fechar