Senado oficializa demissão de Zoghbi após denúncia de irregularidade no crédito consignado
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O Senado oficializou nesta quinta-feira a demissão de João Carlos Zoghbi, ex-diretor de Recursos Humanos da Casa. A Mesa Diretora havia decidido demiti-lo na semana passada, mas o ato do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), com a sua efetiva exoneração, foi publicado hoje no boletim administrativo da instituição.
O ato afirma que a decisão teve como base o resultado do processo disciplinar instaurado na Casa para investigar denúncias contra Zoghbi. A comissão disciplinar, formada por três servidores do Senado, pediu a demissão dele pelo bem do serviço público.
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Em maio, Zoghbi foi acusado de usar o cargo para beneficiar a empresa do filho que operava com empréstimo consignado do Senado. Diretor por oito anos, ele controlava a folha de pagamento de R$ 2,1 bilhões.
Segundo a revista "Época", o ex-diretor colocou uma ex-babá como sócia majoritária da Contact Assessoria de Crédito. Na verdade, a empresa era de Marcelo Zoghbi, filho do ex-diretor. Apenas por conta de operações de empréstimos entre funcionário do Senado e o Banco Cruzeiro do Sul, a empresa faturou R$ 2,2 milhões.
O caso também foi investigado pela Polícia Federal. Em agosto, Zoghbi foi indiciado sob acusação de ter cometido três crimes: concussão (extorsão praticada por funcionário público), inserção de dados falsos em sistemas de informação e formação de quadrilha.
Outro lado
Ao ser informado na semana passada sobre a decisão da Mesa, o advogado de defesa do ex-diretor do Senado, Getúlio Humberto Barbosa de Sá, afirmou que o parecer da comissão apresenta pelo menos nove pontos que podem anular todo o processo.
Barbosa de Sá não quis revelar quais seriam as nulidades, mas disse ter certeza que não há nenhuma prova que justifique a demissão de Zoghbi.
O advogado prometeu sugerir a Zoghbi recurso à Justiça para anular a sua demissão. "Acredito que um recurso ao Senado seria inócuo. Vou sugerir que a gente leve diretamente esse caso para a Justiça, onde temos grandes chances de reverter essa questão."
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