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Brasil
05/11/2009 - 18h10

Relator aceita denúncia contra Azeredo por crime de lavagem de dinheiro

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MÁRCIO FALCÃO
da Folha Online, em Brasília

Depois de aceitar a denúncia do Ministério Público Federal por peculato, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa também pediu nesta quinta-feira a abertura de investigação do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) por lavagem de dinheiro.

Dez ministros ainda precisam votar dizendo se aceitam ou não a denúncia do Ministério Público que acusa Azeredo de ter cometido sete vezes crime de peculato --quando funcionário público se apropria de recursos públicos utilizando o cargo--, e seis vezes de lavagem de dinheiro.

Sérgio Lima/Folha Imagem
Antes de voltar a ser julgado pelo STF, Azeredo criticou o relator e questionou prova
Antes de voltar a ser julgado pelo STF, Azeredo criticou o relator e questionou prova

Para que o senador seja transformado em réu, é preciso que pelo menos seis ministros acompanhem o voto de Barbosa.

Relator do chamado mensalão mineiro, Barbosa sustentou que a lavagem de recursos públicos ocorreu por meio das empresas de publicidade de Marcos Valério: a DNA e a SMPB.

As agências de publicidade pegaram empréstimos reais e fictícios no Banco Rural e deram como garantia contratos com o governo de Minas Gerais.

Os recursos do eram repassados para as contas das campanhas de Azeredo, sendo que o dinheiro que teria sido desviado dos patrocínios de eventos esportivos fechados por estatais foram utilizados para quitar as dívidas com o Banco Rural.

As agências de publicidade contraíram junto ao banco cerca de R$ 13,9 milhões, mas pagaram apenas R$ 2 milhões após um acordo e a extinção de um processo de cobrança.

"O Banco Rural teria formalizado um acordo aceitando pagamento de valor muito inferior do que o emprestado. Parte dos empréstimos tomados junto ao Banco Rural foi liquidada de recursos públicos advindo das estatais mineiras que patrocinaram eventos esportivos", disse o ministro.

Segundo o relator, o envolvimento do senador com o esquema de lavagem ficou comprovado na denúncia do Ministério Público. "A leitura da denúncia mostra indícios de que o governador [Azeredo] assinou ofício ordenando transferência de recursos para SMPB a titulo de patrocínio. [..] Transferiram o dinheiro público para as contas da campanha e ocultaram a origem aparentemente criminosa desses recursos", disse.

Segundo a denúncia, foram desviados R$ 3,5 milhões --por meio de contratos de publicidade firmados com empresas como a Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais), Comig (Companhia Mineradora de Minas Gerais) e Bemge (Banco do Estado de Minas Gerais) pela SMPB, agência de Marcos Valério (apontado como o operador dos dois mensalões)-- para financiar a campanha de Azeredo.

O esquema envolveu patrocínio de três eventos esportivos, entre eles o Enduro Internacional da Independência, que recebeu R$ 1,5 milhão da Copasa e mais R$ 1,5 milhão da Comig. Dos R$ 3 milhões, apenas R$ 98 mil foram realmente aplicados no patrocínio, o restante foi parar nas contas das empresas de publicidade de Marcos Valério e na campanha de Azeredo.

O Ministério Público denunciou outras 14 pessoas, entre elas o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia e o próprio Marcos Valério. A pedido deste último, Barbosa decidiu em maio deste ano desmembrar o inquérito. Os demais acusados são processados na primeira instância.

Comentários dos leitores
O Pacificador (203) 26/11/2009 13h31
O Pacificador (203) 26/11/2009 13h31
"Eleições internas do PT confirmam volta de mensaleiros ao comando do partido..."
É surpresa isso?
A natureza é assim mesmo...
Veja só: Flor do Pântano cresce aonde?
Pois é, com eles não poderia ser diferente...
sem opinião
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joao michelini (82) 26/11/2009 11h31
joao michelini (82) 26/11/2009 11h31
A partir da ANISTIA E DAS DIRETAS JA.
Surge uma NOVA CLASSE SOCIAL BRASILEIRA.. A DOS POLITICOS ...e que nos dias de hoje supera as demais classes. BAIXA, MEDIA E ALTA.
A CLASSE DOS POLITICOS PODE SER CONSIDERADA ALTA-ALTA - transferências de propriedades, sem exceção, foram conseguidas através de tácticas mafiosas, de assassinatos, de roubos generalizados, de apropriação de recursos do ESTADO, MUNICIPIOS, UNIAO E ESTATAIS,PRIVATIZAÇOES. Apropriadas pelas máfias privadas dirigidas por PARTIDARIOS ALIADOS com a corrupção. Esses novos multimilionários saqueam ESTADOS MUNICIPIOS A UNIAO E GRANDES EMPRESAS ESTATAIS em milhões de dólares.O MEXICO E O BRASIL, são os dois países que privatizaram os monopólios públicos mais lucrativos, os maiores e os mais eficientes. Do total de 157,2 mil milhões de dólares nas mãos de 38 multimilionários latino-americanos, 30 são brasileiros. Alguns acumularam suas fortunas obtendo contratos governamentais, e outros através DE INFLUENCIA POLITICA BENEFICIANDO-SE de relações políticas e suborno de empresas públicas.
E O RESTO É RESTO
Classe alta - Classe média - Classe baixa - Miseráveis
E a CLASSE DE OTARIOS COMO NOS ELEITORES, QUE PAGAMOS POR TUDO ISSO..., QUE SE LASQUE, RECORRER A QUEM SE DOMINARAO TUDO.
EXECUTICO - LEGISLATIVO E ATE O JUDICIARIO COM O STF DANDO LHES COBERTURA...
-----VOTO NULO NAS PROXIMAS ELEIÇOES NESTA CASTA DE MALANDROS---
55 opiniões
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J. Pimentel (70) 22/11/2009 11h21
J. Pimentel (70) 22/11/2009 11h21
Aos poucos estão desqualificando os crimes cometidos no emblemático caso do Mensalão. O mensalão "oficialmente" é uma contribuição mensal para que os deputados votassem com o governo. Na prática foi a forma de reeembolsar os deputados para cobrir seus compromissos de campanha. Esse dinheiro saiu de um CAIXA DOIS, ou seja, fora da contabilidade oficial, do mesmo caixa que financiou grande parte das campanhas, não só do PT. O Operador pricipal foi Marcos Valério, através de suas agências de propaganda, mas não foi o único com certeza, porque a movimentação financeira é muito alta para ficar concentrada apenas nas agências denunciadas. São dois crimes, na verdade, que já ficou em apenas um e, depois de tanto tempo já se pode colocar este caso no rol de impunidades que assola a dignidade do país. Com o apoio popular que tem, Lula tem assegurado essa impunidade, inclusive negando o inegável, fingindo desconhecer o esquema que não foi criado por ele, mas é uma prática tradicional da politica brasileira. A descaração do PT e seus aliados, que continuam dando as cartas no partido e na politica brasileira, é apenas um desses atos vergonhosos com os quais os brasileiros se acostumaram e, pelo apoio que teem dado ao atual governo, também apoiam essa "maracutaia", termo consagrado na língua portuguesa pelo próprio presidente Lula. É bom que se esclareça que não foi o PT quem criou essas práticas. A decepção é que acreditavamos que o PT fosse acabar com elas e não utilizá-las também. 2 opiniões
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