Brasil
07/11/2009 - 07h40

Confio em decisão técnica do Supremo, diz Azeredo

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ANDREZA MATAIS
da Folha de S.Paulo, em Brasília

O senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) afirmou não entender como o ministro Joaquim Barbosa, do STF (Supremo Tribunal Federal), considerou um documento "falso" como prova do seu envolvimento com o mensalão mineiro.

"É tão vagabunda a falsificação que o delegado [Luiz Flávio] Zampronha, que foi extremamente duro comigo, não considerou essa prova", disse.

Trata-se de recibo de R$ 4,5 milhões com a assinatura do senador destinado às empresas de Marcos Valério. O documento, diz ele, foi montado pelo lobista Nilton Monteiro. Azeredo também rejeita a tese de que o esquema foi o embrião do mensalão que anos depois abalou o governo Lula.

FOLHA - O sr. acusa o ministro relator de usar prova falsa?
EDUARDO AZEREDO - Manifestei indignação de chegar ao STF um documento que é xerox. Não existe o original. É alguém pegar a assinatura num cheque, tirar xerox e escrever em cima.

FOLHA - Mas o documento consta na denúncia do Ministério Público e está nos autos...
AZEREDO - O delegado fez uma análise dura e não considerou esse recibo porque disse que era muito fajuto. O processo vem com tudo. Agora, no fim é que tem a decisão do procurador. E ele não considerou esse recibo como válido.

FOLHA - Como o recibo foi parar no processo?
AZEREDO - Ele [delegado] citou que recebeu isso de Nilton Monteiro. Não é possível que um país como o Brasil permita que um homem desse continue solto. Tenho que dar explicações, e o cara está solto.

FOLHA - Monteiro não participou da sua campanha?
AZEREDO - Teve uma relação com esse Cláudio Mourão [tesoureiro da campanha] num determinado momento e aí ele entrou nesse processo assim. Agora, como é que ele continua? Eu sei que ele tem ligações com um ex-deputado de Minas do PT. Eu não estou atacando o PT, não. [Eduardo] Suplicy me deu apoio, Tião Viana me ligou. Eu tenho respeito pelo Lula.

FOLHA - Outra prova que consta contra o sr. é a liberação de recursos de estatais para eventos que depois foram desviados para campanha.
AZEREDO - Não há nenhuma prova de autorização minha. Se não tem prova de que o Lula autorizou o Banco do Brasil, a Visanet, tá certo não ter incluído o Lula [no mensalão]. O que estou dizendo é que no caso dele considerou-se que as empresas tinham gestão própria. No meu caso, não se considera.

FOLHA - Joaquim Barbosa aceitou a denúncia de peculato por causa desses contratos...
AZEREDO - Esse negócio do Bemge [Banco do Estado de Minas], ele [Ministério Público] pediu que eu respondesse sete vezes por peculato. Cinco delas são por causa de cinco cotas de patrocínio de R$ 100 mil pagas pelo banco. O presidente do Bemge disse que não sabia. Como o governador vai saber?

FOLHA - Por que o sr. acha que foram por essa linha?
AZEREDO - Eu confio numa decisão técnica do STF. O ministro [Joaquim] não é mais promotor, não. Ele é ministro.

FOLHA - Na denúncia consta que o sr. trocou vários telefonemas com Marcos Valério.
AZEREDO - De mim para ele foram dois retornos. Não estou dizendo que só falei com ele duas vezes, não. Eu tô dizendo que eu retornei duas vezes.

FOLHA - Há testemunhas que dizem que o sr. participava do comitê financeiro da campanha.
AZEREDO - Tem uma tal de Vera [Mourão, prima do tesoureiro da campanha]. Ela teria declarado que se reunia semanalmente comigo para tratar das questões financeiras da campanha. Nunca participei de reuniões semanais com ela.

FOLHA - O Ministério Público concordou que a coordenação da campanha era feita por pessoas de sua extrema confiança...
AZEREDO - Eu não participava dessas reuniões. Eu estava no governo e pedindo votos.

FOLHA - O sr. ficou rico depois da campanha?
AZEREDO - Tenho vida de classe média alta. Vivo de salário.

FOLHA - Seu mandato termina no ano que vem. O que fará?
AZEREDO - Vou me candidatar a senador.

Comentários dos leitores
O Pacificador (203) 26/11/2009 13h31
O Pacificador (203) 26/11/2009 13h31
"Eleições internas do PT confirmam volta de mensaleiros ao comando do partido..."
É surpresa isso?
A natureza é assim mesmo...
Veja só: Flor do Pântano cresce aonde?
Pois é, com eles não poderia ser diferente...
sem opinião
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joao michelini (82) 26/11/2009 11h31
joao michelini (82) 26/11/2009 11h31
A partir da ANISTIA E DAS DIRETAS JA.
Surge uma NOVA CLASSE SOCIAL BRASILEIRA.. A DOS POLITICOS ...e que nos dias de hoje supera as demais classes. BAIXA, MEDIA E ALTA.
A CLASSE DOS POLITICOS PODE SER CONSIDERADA ALTA-ALTA - transferências de propriedades, sem exceção, foram conseguidas através de tácticas mafiosas, de assassinatos, de roubos generalizados, de apropriação de recursos do ESTADO, MUNICIPIOS, UNIAO E ESTATAIS,PRIVATIZAÇOES. Apropriadas pelas máfias privadas dirigidas por PARTIDARIOS ALIADOS com a corrupção. Esses novos multimilionários saqueam ESTADOS MUNICIPIOS A UNIAO E GRANDES EMPRESAS ESTATAIS em milhões de dólares.O MEXICO E O BRASIL, são os dois países que privatizaram os monopólios públicos mais lucrativos, os maiores e os mais eficientes. Do total de 157,2 mil milhões de dólares nas mãos de 38 multimilionários latino-americanos, 30 são brasileiros. Alguns acumularam suas fortunas obtendo contratos governamentais, e outros através DE INFLUENCIA POLITICA BENEFICIANDO-SE de relações políticas e suborno de empresas públicas.
E O RESTO É RESTO
Classe alta - Classe média - Classe baixa - Miseráveis
E a CLASSE DE OTARIOS COMO NOS ELEITORES, QUE PAGAMOS POR TUDO ISSO..., QUE SE LASQUE, RECORRER A QUEM SE DOMINARAO TUDO.
EXECUTICO - LEGISLATIVO E ATE O JUDICIARIO COM O STF DANDO LHES COBERTURA...
-----VOTO NULO NAS PROXIMAS ELEIÇOES NESTA CASTA DE MALANDROS---
55 opiniões
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J. Pimentel (70) 22/11/2009 11h21
J. Pimentel (70) 22/11/2009 11h21
Aos poucos estão desqualificando os crimes cometidos no emblemático caso do Mensalão. O mensalão "oficialmente" é uma contribuição mensal para que os deputados votassem com o governo. Na prática foi a forma de reeembolsar os deputados para cobrir seus compromissos de campanha. Esse dinheiro saiu de um CAIXA DOIS, ou seja, fora da contabilidade oficial, do mesmo caixa que financiou grande parte das campanhas, não só do PT. O Operador pricipal foi Marcos Valério, através de suas agências de propaganda, mas não foi o único com certeza, porque a movimentação financeira é muito alta para ficar concentrada apenas nas agências denunciadas. São dois crimes, na verdade, que já ficou em apenas um e, depois de tanto tempo já se pode colocar este caso no rol de impunidades que assola a dignidade do país. Com o apoio popular que tem, Lula tem assegurado essa impunidade, inclusive negando o inegável, fingindo desconhecer o esquema que não foi criado por ele, mas é uma prática tradicional da politica brasileira. A descaração do PT e seus aliados, que continuam dando as cartas no partido e na politica brasileira, é apenas um desses atos vergonhosos com os quais os brasileiros se acostumaram e, pelo apoio que teem dado ao atual governo, também apoiam essa "maracutaia", termo consagrado na língua portuguesa pelo próprio presidente Lula. É bom que se esclareça que não foi o PT quem criou essas práticas. A decepção é que acreditavamos que o PT fosse acabar com elas e não utilizá-las também. 2 opiniões
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