Temer e Quércia selam trégua em São Paulo e tentam unir grupos rivais do PMDB
MÁRCIO FALCÃO
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Sem conseguir entrar em consenso sobre a decisão da cúpula do PMDB de apoiar a candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) ao Palácio do Planalto em 2010, o presidente licenciado do partido, deputado Michel Temer (SP), e o presidente paulista da legenda, Orestes Quércia, decidiram dar uma trégua na disputa entre os dois campos da legenda. Os dois peemedebistas fecharam neste fim de semana um acordo informal para que não haja interferências do campo nacional nas negociações realizadas pelo diretório paulista.
Aliado do governador José Serra (São Paulo) --um dos presidenciáveis tucanos--, Quércia trabalha para ampliar o número de diretórios resistentes à aliança com o PT.
Além de São Paulo, pelo menos Pernambuco, Paraná e Bahia também se mostraram inicialmente contra a aliança nacional do PMDB com o PT.
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Temer, por outro lado, corre contra o tempo para manter a maioria do PMDB, que neste momento defende a aliança com o PT, disposta a formalizar o apoio do partido publicamente até o fim do mês.
Segundo interlocutores de Temer, o acordo dos peemedebistas foi um "caminho natural" e também envolve o compromisso para a recondução do ex-governador à presidência do diretório paulista, em dezembro.
O presidente da Câmara teria costurado o entendimento depois de uma avaliação de que teria o apoio de 50% do diretório de São Paulo a favor do embarque na campanha da ministra Dilma.
O grupo pró-Serra aposta na queda da ministra nas pesquisas de intenção de voto, o que poderia rachar a legenda em 2010 em diversos Estados. Os dois partidos ainda enfrentam problemas em algumas localidades para selar a aliança --como na Bahia, onde o ministro peemedebista Geddel Vieira (Integração Nacional) quer disputar o governo conta o petista Jaques Wagner, atual governador.
O grupo pró-Dilma, por outro lado, diz ter apoio suficiente dentro do partido para avalizar a chapa com a petista. O presidente da Câmara é cotado para disputar a vice-presidência na chapa da ministra.
Comissão
Diante das resistências internas, PMDB e PT decidiram criar uma comissão integrada por dez petistas e dez peemedebistas para discutir, em vários encontros, possíveis soluções para os impasses estaduais à aliança nacional entre as duas legendas.
A comissão, no entanto, é formada apenas por peemedebistas que apoiam a candidatura de Dilma. O grupo pró-Serra acabou isolado dentro da legenda, tentando nos bastidores minar o pré-acordo firmado entre o PT e o PMDB.
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