22/10/2004
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10h41
O Brasil já seria capaz de produzir até seis ogivas nucleares por ano. A informação vem publicada na edição desta semana da revista norte-americana "Science", uma das mais prestigiadas do setor científico.
Intitulado "O quebra-cabeça nuclear brasileiro", o artigo foi escrito por Liz Palmer e Gary Milhollin, do Projeto Wisconsin de Controle de Armas Nucleares. Segundo a revista, ao enriquecer urânio a 5%, a usina já terá realizado mais da metade do trabalho necessário para o enriquecimento em níveis mais elevados, exigidos para a fabricação de armas nucleares. Até 2014, com o aumento previsto na capacidade de produção, o país poderia fabricar até 63 ogivas por ano.
Além disso, o verdadeiro motivo para que o país queira evitar a inspeção internacional na usina de Resende, no Rio, é esconder a origem das centrífugas, que usariam tecnologia copiada da Alemanha.
Precedente
A reportagem afirma que a conclusão das negociações entre a AIEA e o Brasil poderão gerar um precedente para o Irã ou qualquer outro país pertencente ao Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares que decida construir uma fábrica de enriquecimento de urânio.
O Irã afirma que tem planos de enriquecer urânio em uma nova usina em Natanz apenas com objetivos pacíficos. Nesse sentido, os autores argumentam que, se o Brasil conseguir evitar as inspeções completas da AIEA, o Irã poderá fazer o mesmo.
Palmer e Milhollin apontam para o fato de que, nos anos 80, o Brasil teria tido um projeto secreto para construir uma bomba atômica. O projeto teria sido administrado pelos militares por debaixo do pano, sem conhecimento da AIEA. Depois, em 1990, durante o governo de Fernando Collor de Mello, o país abandonou o programa.
Agora, diz o artigo, com a construção de uma tela de proteção ao redor das centrífugas de Resende, o Brasil está voltando a desafiar a autoridade da AIEA.
Cópia da Alemanha
O governo brasileiro afirma que o objetivo, com a colocação dessa tela de proteção, é evitar que o conhecimento sobre avanços tecnológicos vazem para outros países.
Os autores contestam o argumento, dizendo que a AIEA tem, ao longo dos anos, protegido segredos comerciais. Eles dizem que o Brasil poderia estar, na verdade, tentando esconder a origem de suas centrífugas.
Para sustentar a teoria, eles citam a prisão no Brasil, em 1996, de Karl-Heinz Schaab, que trabalhava para uma empresa alemã produtora de centrífugas para um consórcio de enriquecimento europeu chamado Urenco, e que teria vendido desenhos dessas centrífugas para o Iraque. Segundo a matéria, há suspeitas de que Schaab esteja fazendo o mesmo para o Brasil.
Outro lado
A Folha Online procurou o Cnen (Conselho Nacional de Energia Nuclear) para comentar a matéria da "Science". No entanto, o órgão afirmou que não se pronunciará sobre o caso.
Já os ministros José Viegas (Defesa) e José Dirceu (Casa Civil) participaram hoje de cerimônia da Aeronáutica em Brasília, mas não quiseram conversar com a imprensa.
A Folha Online também não conseguiu até o momento obter uma resposta do Ministério da Ciência e Tecnologia.
Com BBC
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Brasil pode produzir seis ogivas nucleares por ano, diz "Science"
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da Folha OnlineO Brasil já seria capaz de produzir até seis ogivas nucleares por ano. A informação vem publicada na edição desta semana da revista norte-americana "Science", uma das mais prestigiadas do setor científico.
Intitulado "O quebra-cabeça nuclear brasileiro", o artigo foi escrito por Liz Palmer e Gary Milhollin, do Projeto Wisconsin de Controle de Armas Nucleares. Segundo a revista, ao enriquecer urânio a 5%, a usina já terá realizado mais da metade do trabalho necessário para o enriquecimento em níveis mais elevados, exigidos para a fabricação de armas nucleares. Até 2014, com o aumento previsto na capacidade de produção, o país poderia fabricar até 63 ogivas por ano.
Além disso, o verdadeiro motivo para que o país queira evitar a inspeção internacional na usina de Resende, no Rio, é esconder a origem das centrífugas, que usariam tecnologia copiada da Alemanha.
Precedente
A reportagem afirma que a conclusão das negociações entre a AIEA e o Brasil poderão gerar um precedente para o Irã ou qualquer outro país pertencente ao Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares que decida construir uma fábrica de enriquecimento de urânio.
O Irã afirma que tem planos de enriquecer urânio em uma nova usina em Natanz apenas com objetivos pacíficos. Nesse sentido, os autores argumentam que, se o Brasil conseguir evitar as inspeções completas da AIEA, o Irã poderá fazer o mesmo.
Palmer e Milhollin apontam para o fato de que, nos anos 80, o Brasil teria tido um projeto secreto para construir uma bomba atômica. O projeto teria sido administrado pelos militares por debaixo do pano, sem conhecimento da AIEA. Depois, em 1990, durante o governo de Fernando Collor de Mello, o país abandonou o programa.
Agora, diz o artigo, com a construção de uma tela de proteção ao redor das centrífugas de Resende, o Brasil está voltando a desafiar a autoridade da AIEA.
Cópia da Alemanha
O governo brasileiro afirma que o objetivo, com a colocação dessa tela de proteção, é evitar que o conhecimento sobre avanços tecnológicos vazem para outros países.
Os autores contestam o argumento, dizendo que a AIEA tem, ao longo dos anos, protegido segredos comerciais. Eles dizem que o Brasil poderia estar, na verdade, tentando esconder a origem de suas centrífugas.
Para sustentar a teoria, eles citam a prisão no Brasil, em 1996, de Karl-Heinz Schaab, que trabalhava para uma empresa alemã produtora de centrífugas para um consórcio de enriquecimento europeu chamado Urenco, e que teria vendido desenhos dessas centrífugas para o Iraque. Segundo a matéria, há suspeitas de que Schaab esteja fazendo o mesmo para o Brasil.
Outro lado
A Folha Online procurou o Cnen (Conselho Nacional de Energia Nuclear) para comentar a matéria da "Science". No entanto, o órgão afirmou que não se pronunciará sobre o caso.
Já os ministros José Viegas (Defesa) e José Dirceu (Casa Civil) participaram hoje de cerimônia da Aeronáutica em Brasília, mas não quiseram conversar com a imprensa.
A Folha Online também não conseguiu até o momento obter uma resposta do Ministério da Ciência e Tecnologia.
Com BBC
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