Russomano diz à Justiça que só ouviu falar do mensalão pela imprensa
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Pré-candidato ao governo de São Paulo, o deputado Celso Russomano (PP) negou nesta quinta-feira ter conhecimento do esquema do "mensalão" supostamente realizado por integrantes do governo federal no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em depoimento à Justiça Federal, Russomano disse que só ouviu falar do esquema pela imprensa, sem ter conhecimento de que deputados do seu partido teriam recebido mesada para votar favoravelmente ao Executivo.
O deputado foi arrolado como testemunha no processo do mensalão pelo deputado Pedro Henry (PP-MT), acusado de participação no suposto esquema de compra de votos.
O depoimento à Justiça Federal durou menos de cinco minutos uma vez que os advogados de Henry não apareceram na audiência --apesar do parlamentar ter convocado Russomano como sua testemunha.
Além de negar ter conhecimento do mensalão, Russomano disse apenas que conheceu Henry na Câmara, quando os dois tomaram posse no primeiro mandato em 1994. "Assumimos juntos o mandato, na época estávamos no PSDB", afirmou.
O deputado João Alberto Pizzolatti (PP-SC) também prestou depoimento à 12ª Vara da Justiça Federal nesta quinta-feira como testemunha do ex-ministro José Dirceu (Casa Civil), do publicitário Marcos Valério, dos ex-deputados Pedro Correia e José Janene, e de João Cláudio Genu, ex-assessor do PP --que teria sacado R$ 700 mil das contas do empresário Marcos Valério.
Pizzolatti confirmou que o PP decidiu, em reunião da Executiva do partido, assumir os custos do pagamento de honorários do advogado que defendia o ex-deputado Ronivon Santiago (PP-AC) em 36 processos no Tribunal Regional Eleitoral do Acre.
Os R$ 700 mil teriam sido repassados pelo PT, por intermédio de Valério, para pagar o advogado.
"O que sabemos é que a Executiva do PP tomou a decisão de apoiar o Ronivon e responsabilizou o Janene para resolver o assunto. Como foi feito, eu não sei. Tudo o que eu sei é pela imprensa", afirmou Pizzolatti.
O deputado disse que nunca recebeu oferta do governo federal para a compra de seus votos, assim como afirmou desconhecer o suposto esquema do mensalão. "Nunca identificamos esse pagamento. Nunca participei ou vi qualquer relação do governo com parlamentares do nosso partido relacionada a favorecimento. Conheço o ministro José Dirceu institucionalmente, uma relação exclusivamente institucional", afirmou Pizzolatti.
Ex-presidente nacional do PP, Pedro Corrêa é réu na ação penal do mensalão porque teria recebido R$ 4,1 milhões de propina, juntamente com o ex-deputado José Janene, o deputado Pedro Henry e o assessor do partido João Cláudio Genu, segundo denúncia aceita pelo Supremo Tribunal Federal.
Denúncia
O ex-procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza ofereceu denúncia ao STF (Supremo Tribunal Federal) em abril de 2006 contra 40 suspeitos de participarem de um suposto esquema de compra de votos de parlamentares da base aliada --o mensalão.
Em agosto de 2007, os ministros do STF acataram a denúncia e transformaram os suspeitos em réus.
Entre os denunciados estão os ex-ministros Luiz Gushiken (Comunicação do Governo), Anderson Adauto (Transportes) e José Dirceu (Casa Civil), além do empresário Marcos Valério, os deputados João Paulo Cunha (PT-SP) e José Genoino (PT-SP) e o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ).
Dos 40 denunciados, 39 continuam respondendo como réus. O ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira fez um acordo e foi excluído da ação em troca do cumprimento de pena alternativa.
A 12ª Vara Federal de Justiça vai ouvir, no total, 165 testemunhas dos réus do mensalão.
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Manoel de Brito Oliveira
Ilha Solteira-SP
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