Brasil
12/11/2009 - 12h58

Russomano diz à Justiça que só ouviu falar do mensalão pela imprensa

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

Pré-candidato ao governo de São Paulo, o deputado Celso Russomano (PP) negou nesta quinta-feira ter conhecimento do esquema do "mensalão" supostamente realizado por integrantes do governo federal no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em depoimento à Justiça Federal, Russomano disse que só ouviu falar do esquema pela imprensa, sem ter conhecimento de que deputados do seu partido teriam recebido mesada para votar favoravelmente ao Executivo.

O deputado foi arrolado como testemunha no processo do mensalão pelo deputado Pedro Henry (PP-MT), acusado de participação no suposto esquema de compra de votos.

O depoimento à Justiça Federal durou menos de cinco minutos uma vez que os advogados de Henry não apareceram na audiência --apesar do parlamentar ter convocado Russomano como sua testemunha.

Além de negar ter conhecimento do mensalão, Russomano disse apenas que conheceu Henry na Câmara, quando os dois tomaram posse no primeiro mandato em 1994. "Assumimos juntos o mandato, na época estávamos no PSDB", afirmou.

O deputado João Alberto Pizzolatti (PP-SC) também prestou depoimento à 12ª Vara da Justiça Federal nesta quinta-feira como testemunha do ex-ministro José Dirceu (Casa Civil), do publicitário Marcos Valério, dos ex-deputados Pedro Correia e José Janene, e de João Cláudio Genu, ex-assessor do PP --que teria sacado R$ 700 mil das contas do empresário Marcos Valério.

Pizzolatti confirmou que o PP decidiu, em reunião da Executiva do partido, assumir os custos do pagamento de honorários do advogado que defendia o ex-deputado Ronivon Santiago (PP-AC) em 36 processos no Tribunal Regional Eleitoral do Acre.

Os R$ 700 mil teriam sido repassados pelo PT, por intermédio de Valério, para pagar o advogado.

"O que sabemos é que a Executiva do PP tomou a decisão de apoiar o Ronivon e responsabilizou o Janene para resolver o assunto. Como foi feito, eu não sei. Tudo o que eu sei é pela imprensa", afirmou Pizzolatti.

O deputado disse que nunca recebeu oferta do governo federal para a compra de seus votos, assim como afirmou desconhecer o suposto esquema do mensalão. "Nunca identificamos esse pagamento. Nunca participei ou vi qualquer relação do governo com parlamentares do nosso partido relacionada a favorecimento. Conheço o ministro José Dirceu institucionalmente, uma relação exclusivamente institucional", afirmou Pizzolatti.

Ex-presidente nacional do PP, Pedro Corrêa é réu na ação penal do mensalão porque teria recebido R$ 4,1 milhões de propina, juntamente com o ex-deputado José Janene, o deputado Pedro Henry e o assessor do partido João Cláudio Genu, segundo denúncia aceita pelo Supremo Tribunal Federal.

Denúncia

O ex-procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza ofereceu denúncia ao STF (Supremo Tribunal Federal) em abril de 2006 contra 40 suspeitos de participarem de um suposto esquema de compra de votos de parlamentares da base aliada --o mensalão.

Em agosto de 2007, os ministros do STF acataram a denúncia e transformaram os suspeitos em réus.

Entre os denunciados estão os ex-ministros Luiz Gushiken (Comunicação do Governo), Anderson Adauto (Transportes) e José Dirceu (Casa Civil), além do empresário Marcos Valério, os deputados João Paulo Cunha (PT-SP) e José Genoino (PT-SP) e o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ).

Dos 40 denunciados, 39 continuam respondendo como réus. O ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira fez um acordo e foi excluído da ação em troca do cumprimento de pena alternativa.

A 12ª Vara Federal de Justiça vai ouvir, no total, 165 testemunhas dos réus do mensalão.

Comentários dos leitores
J. Pimentel (68) 22/11/2009 11h21
J. Pimentel (68) 22/11/2009 11h21
Aos poucos estão desqualificando os crimes cometidos no emblemático caso do Mensalão. O mensalão "oficialmente" é uma contribuição mensal para que os deputados votassem com o governo. Na prática foi a forma de reeembolsar os deputados para cobrir seus compromissos de campanha. Esse dinheiro saiu de um CAIXA DOIS, ou seja, fora da contabilidade oficial, do mesmo caixa que financiou grande parte das campanhas, não só do PT. O Operador pricipal foi Marcos Valério, através de suas agências de propaganda, mas não foi o único com certeza, porque a movimentação financeira é muito alta para ficar concentrada apenas nas agências denunciadas. São dois crimes, na verdade, que já ficou em apenas um e, depois de tanto tempo já se pode colocar este caso no rol de impunidades que assola a dignidade do país. Com o apoio popular que tem, Lula tem assegurado essa impunidade, inclusive negando o inegável, fingindo desconhecer o esquema que não foi criado por ele, mas é uma prática tradicional da politica brasileira. A descaração do PT e seus aliados, que continuam dando as cartas no partido e na politica brasileira, é apenas um desses atos vergonhosos com os quais os brasileiros se acostumaram e, pelo apoio que teem dado ao atual governo, também apoiam essa "maracutaia", termo consagrado na língua portuguesa pelo próprio presidente Lula. É bom que se esclareça que não foi o PT quem criou essas práticas. A decepção é que acreditavamos que o PT fosse acabar com elas e não utilizá-las também. 1 opinião
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Santos Júnior (299) 22/11/2009 11h07
Santos Júnior (299) 22/11/2009 11h07
Sr Pacificador, o sr Luiz Inácio não arrisca fala essas mentiras para pessoas como nós e sim para os seus bolsistas que trocam o voto por esmolas, portanto, não se espante quando o vosso presidente sair por ai parafraseando bizarrices!! 2 opiniões
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Manoel Brito (2) 22/11/2009 11h03
Manoel Brito (2) 22/11/2009 11h03
Excelentissimo Ministro Joaquim, Nós Brasileiros Agreditamos na sua Transparência, e Competência , estamos ao seu lado.
Manoel de Brito Oliveira
Ilha Solteira-SP
sem opinião
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