Dilma rebate oposição e diz que politizar apagão não é republicano
SOFIA FERNANDES
colaboração para a Folha Online, em Brasília
LORENNA RODRIGUES
da Folha Online, em Brasília
A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) disse hoje que não entrará em debate com a oposição sobre o apagão que atingiu 18 Estados do país na noite de terça-feira. A oposição tenta responsabilizar Dilma pelo blecaute, já que a ministra esteve à frente de Minas e Energia de 2003 a julho de 2005.
"Eu não vou entrar nesse tipo de polêmica, não me interessa, não é por aí. Não se pode politizar uma coisa tão séria para o país, não se faz isso, não é republicano. Não vou comentar, vou responder tecnicamente", disse ela.
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Em nota, o vice-presidente do DEM, deputado José Carlos Aleluia (BA), diz que Dilma deve explicações sobre o modelo de setor elétrico adotado no país.
"O Democratas espera que a ministra assuma as suas responsabilidades, uma vez que, tão grave quanto ser culpada pela imposição de um modelo equivocado, é fugir na hora de explicar à nação o que realmente aconteceu e está acontecendo no sistema de abastecimento de energia", diz Aleluia em nota.
De acordo com o blog do Josias, o Planalto mobilizou os operadores políticos do governo para proteger Dilma Rousseff. "Acionados pelo Planalto, os líderes do governo se mobilizam no Congresso para evitar a convocação de Dilma", diz o blog.
O "Painel" da Folha (só para assinantes do jornal e do UOL), editado por Renata Lo Prete, informa que a ausência de Dilma nas explicações dadas ontem pelo governo não se restringe apenas à estratégia de mantê-la longe do noticiário negativo. O "Painel" diz que a ministra "vem reduzindo drasticamente a participação nas questões operacionais do governo".
Para a oposição, entretanto, Dilma só não foi porta-voz das explicações do governo para o apagão porque o Planalto tenta blindá-la para as eleições de 2010.
"A Comissão Executiva Nacional do Democratas exige que a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, explique por que impôs um modelo de gestão atrasado e vulnerável ao sistema elétrico. O modelo Dilma tem como pilar o aparelhamento nocivo do Estado", diz Aleluia.
O líder do PPS na Câmara, deputado Fernando Coruja (SC), diz que Dilma teria sido alertado com antecedência pelo TCU (Tribunal de Contas da União) sobre o risco de um apagão e nada fez.
"Este governo está mais preocupado em desmoralizar um órgão que faz advertências como estas do que com o gerenciamento do país. Precisamos ver se essas recomendações foram ignoradas pela futura candidata do PT", disse Coruja. "Esse blecaute pode ofuscar seriamente a candidatura dela porque é um macroincidente e que traz consequências internas e repercussões internacionais."
No Twitter (microblog), o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini, pede que o debate do apagão se restrinja à área técnica.
"Será bom para o país se o debate sobre o blecaute for técnico. A pergunta a se fazer é: há alguma providência que deixou de ser tomada e possa ter contribuído para o tal efeito dominó? Se há, quem deixou de tomar a providência e porque? O que deve ser feito para minimizar o risco de novas interrupções? As opiniões partidárias são legítimas, mas é hora de tomar medidas adicionais, se for o caso", escreveu ele.
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