Presidente de associação de vítimas do terrorismo faz greve de fome contra Battisti
da Ansa, em Roma
Atualizado às 18h54.
O presidente da associação de vítimas do terrorismo Domus Civitas, Bruno Berardi, anunciou neste sábado que também iniciou uma greve de fome contra a que é realizada pelo ex-ativista de esquerda Cesare Battisti.
"O objetivo é sensibilizar a opinião pública e a Alta Corte brasileira [Supremo Tribunal Federal (STF)], que julga o processo de extradição [do italiano], para que envie a nosso país o homicida Cesare Battisti", anunciou Berardi.
Ao iniciar a greve, ele também pediu justiça às vítimas e aos familiares dos crimes aos quais o ex-membro do grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC) é condenado em seu país.
Segundo disse à Ansa o senador José Nery (PSOL-PA), Battisti iniciou ontem uma "greve total de fome", anunciada em uma carta endereçada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O ex-militante de esquerda pretendia que o documento fosse entregue a Lula antes de ele chegar à Itália, onde é esperado às 18h40 (15h40, horário de Brasília).
Condenado à prisão perpétua na Itália por quatro homicídios cometidos na década de 1970, Battisti é requerido pelo Estado italiano para que cumpra sua pena no país. Contudo, ele obteve do Brasil o status de refugiado político em janeiro deste ano.
O pedido italiano é agora analisado pelo STF. A primeira votação da Casa, realizada no dia 9 de setembro, terminou com um placar favorável à extradição, que obteve apoio de quatro dos ministros. Os outros três, que se pronunciaram, votaram pela permanência do italiano no Brasil.
Na quinta-feira passada (12), na segunda audiência sobre o caso, o ministro Marco Aurélio Mello empatou a votação ratificando seu apoio ao refúgio concedido pelo ministro da Justiça, Tarso Genro. O presidente do Supremo, Gilmar Mendes, suspendeu a sessão sem se pronunciar. Espera-se que a decisão de Mendes seja anunciada na próxima quarta-feira (18).
Na última semana, Battisti disse acreditar que o presidente ratificará o seu refúgio caso o STF acate o pedido do governo italiano e ordene a sua extradição.
"Eu não perdi a confiança no presidente Lula", disse o italiano em uma entrevista à Ansa do presídio da Papuda, onde está detido desde 2007.
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