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31/10/2004 - 23h00

Serra leva Prefeitura de SP e projeta o PSDB para 2006

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da Folha Online

Dois anos depois de amargar derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa à Presidência da República, José Serra Chirico, 62, foi eleito neste domingo o 51º prefeito de São Paulo.

A partir do dia 1º de janeiro de 2005, ele será o primeiro da história a ocupar o cargo pelo PSDB.

Com o apoio de mais de 3 milhões de paulistanos, muitos deles que deixaram de viajar no feriado do Dia de Finados para ir às urnas, Serra venceu no segundo turno a prefeita Marta Suplicy (PT), que tentava a reeleição com o apoio do presidente Lula.

A saída das classes média e alta para o litoral no feriado era uma das preocupações dos tucanos. O índice de abstenções, entretanto, ficou em torno de 17,5% --cerca de 1,3 milhão--, menor que o da eleição de 1996, de 18,11%, quando a data também coincidiu com um feriado. No primeiro turno deste ano, o percentual foi de 14,95%. Em 2000, quando Marta venceu, foi de 15,16%.

"A democracia foi fortalecida pelo exemplo de comparecimento à votação, apesar de estarmos em um grande feriado. A população de São Paulo preferiu não trocar quatro dias de feriado por quatro anos do seu futuro, por quatro anos de prefeitura", disse, já eleito.


Jonas Oliveira/FI
José Serra segura o neto antes de votar

Com 99% das urnas totalizadas, Serra chega ao cargo com o aval de 55% do eleitorado da cidade. Obteve 3.308.164 votos até agora. Marta recebeu 45% dos votos válidos (2.707.303 votos).

O resultado confirma o favoritismo constatado pelo Datafolha na véspera do pleito. Pesquisa boca-de-urna do Ibope também apontou a vitória do PSDB.

Já seguro da vitória, Serra deixou sua casa, no bairro de Pinheiros (zona oeste), por volta das 21h30. Seguiu para o Club Homs, na avenida Paulista, onde o PSDB paulista preparava uma festa. "Estou muito feliz, vou cumprimentar os amigos que me apoiaram, agora é comemorar."

2006

A vitória de Serra carrega a sombra da próxima eleição presidencial, em 2006. Combinada aos dez anos de governo tucano no Estado, vislumbra para o fortalecimento da sigla e do nome do governador Geraldo Alckmin rumo a um novo embate com o PT em âmbito federal.

"O PFL e o PSDB formará uma dupla partidária que abrirá o caminho para Geraldo Alckmin. Quem não quer o Geraldo Alckmin na Presidência?", disse o senador Romeu Tuma (PFL).

A projeção para 2006, aliás, foi tema recorrente na campanha diante da força política de Lula e Alckmin, que emprestaram suas imagens aos candidatos. A próxima eleição também foi abordada com a possibilidade de o novo prefeito abandonar o cargo para concorrer do governo do Estado ou à Presidência.

O PT usou a possibilidade como estratégia de ataque ao vice de Serra, Gilberto Kassab (PFL), eventual herdeiro do cargo. A campanha petista vinculou Kassab à volta do grupo político que conduziu a administração Celso Pitta (1997-2000), uma das mais mal avaliadas da cidade. Kassab foi secretário de Planejamento da gestão Pitta.

Num dos episódios mais polêmicos da campanha, o presidente Lula pediu votos a Marta no discurso de entrega do novo trecho da avenida Radial Leste. No dia seguinte, desculpou-se pelo ato de emoção e acabou multado em R$ 50 mil pela Justiça Eleitoral.

PT

Antes mesmo do final da apuração, Marta comentou o revés: "Faz parte da democracia. Quero cumprimentar o meu adversário e desejar que faça o melhor governo possível para cidade de São Paulo".

O presidente do PT, José Genoino, atribuiu a vitória tucana à rejeição de Marta e disse que ao lado de Porto Alegre eram "duas derrotas pesadas". "A gente aprende com as derrotas e aprende com as vitórias."

O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) e o ministro José Dirceu (Casa Civil) afirmaram que o resultado não influi na disputa presidencial de 2006. "Vários de nós já perderam eleições e depois foram eleitos para cargos importantes no país", disse Dirceu.

Trajeto

Serra chega à prefeitura após duas tentativas frustradas, em 1988 e 1996. É a primeira vez que exercerá um cargo do Poder Executivo, após passar pelo Congresso e ocupar pastas no governo estadual, na década de 80, e no ministério de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

A gestão no ministério de FHC, aliás, foi o principal trunfo do tucano na campanha que o levou à prefeitura. Ex-ministro da Saúde, Serra usou sua experiência na área como alternativa para sanar os problemas do setor na cidade.

Serra iniciou sua vida política como secretário de Economia e Planejamento do Estado de São Paulo, em 1983, durante o governo Franco Montoro (1983-1987). Três anos depois, foi eleito deputado federal e, em 1990, reeleito.

Em 1994, foi eleito senador com 6,5 milhões de votos. No ano seguinte, porém, deixou o cargo para integrar a equipe do então presidente Fernando Henrique Cardoso.

Foi ministro do Planejamento de 1995 a 1996 e deixou a pasta para concorrer à Prefeitura de São Paulo. Voltou ao governo em 1998 como ministro da Saúde, cargo que exerceu até fevereiro de 2002.

Em 2002, obteve mais de 33 milhões de votos no segundo turno da eleição presidencial, dos quais 2,9 milhões na cidade de São Paulo --127 mil a menos que Lula.

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