05/11/2004
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13h24
da Folha Online
O PMDB, maior partido da base que sustenta o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Congresso Nacional, fez hoje a mais veemente ameaça de deixar os cargos que ocupa na gestão do PT em busca de "independência" e fortalecimento do partido para as eleições de 2006.
Quatro dos seis governadores do partido defenderam hoje a saída da base de Lula em uma reunião com presidente da sigla, deputado federal Michel Temer (SP). O objetivo, segundo Temer, é reestruturar o PMDB para concorrer com um candidato próprio à Presidência da República.
Os governadores estiveram reunidos hoje em São Paulo para analisar o resultado das eleições municipais e discutir os rumos que o partido seguirá em 2006. Defenderam a saída do governo os governadores Joaquim Roriz (DF), Rosinha Matheus (RJ), Germano Rigotto (RS) e Roberto Requião (PR), além do presidente do partido em São Paulo, o ex-governador Orestes Quércia.
Não compareceram ao encontro os governadores Luiz Henrique (SC) --que está em viagem ao exterior, mas é favorável à proposta de deixar a base governista-- e Jarbas Vasconcelos (PE). O catarinense enviou seu vice para representá-lo.
Na chegada à reunião, Quércia afirmou que o partido iniciou um processo de desligamento do governo Lula visando o fortalecimento da sigla para as eleições de 2006. "Me dou bem com o Lula, mas esse processo é no sentido de fortalecer o partido. E isso vai conduzir o PMDB a sair do governo e a entregar os cargos."
Entretanto, os dois ministros do PMDB no governo --Eunício Oliveira (Comunicações) e Amir Lando (Previdência Social)-- não estão satisfeitos com a campanha dos governadores do partido.
Caso a proposta dos governadores avance, dificilmente o PMDB entraria no bloco de oposição ao governo, liderado hoje pelo PSDB e pelo PFL. "Devemos ficar em posição de independência do governo federal. Não falamos em oposição", disse Michel Temer.
"O PMDB quer ter uma proposta para a economia (...) e buscar um projeto próprio para a Presidência em 2006", afirmou o presidente do partido.
Como possíveis presidenciáveis, ele citou o ex-governador do Rio Anthony Garotinho e os atuais governadores do partido.
Temer disse ainda que incluirá a proposta de retomar o nome do partido para MDB (Movimento Democrático Brasileiro).
Governadores
A governadora do Rio de Janeiro, Rosinha Matheus, disse que veio a São Paulo a convite de Michel Temer para ouvir a posição da direção, mas que nunca escondeu a sua opinião: "O PMDB não deveria ter entrado [no governo]. A minha posição é que deve sair para se fortalecer".
O governador Germano Rigotto (RS) disse que a "questão dos cargos faz com que o PMDB fique com carimbos e perca força nos grandes centros". "Não é ir para a oposição, vamos ajudar o presidente Lula, mas sem cargos, porque, no momento que se está pendurado com cargos, você não é ouvido o quanto seria se não os tivesse."
Aliado do presidente desde a campanha eleitoral, Roberto Requião (PR) criticou a política econômica e manifestou ser favorável à saída da base de apoio ao governo. "O PMDB hoje não tem proposta para o Brasil, não tem proposta econômica, não discute internamente. É simplesmente um partido agregado." Segundo ele, deixando o governo, "acaba a história de apoio automático para qualquer coisa".
Requião disse ainda que o resultado das urnas está mostrando que a política econômica conduzida pelo ministro Antonio Palocci (Fazenda) e pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, "está agradando banqueiros, é submissa às regras de mercado e é preciso uma postura mais clara do governo em defesa dos interesses nacionais".
Último a chegar no encontro, Joaquim Roriz (DF) disse que é mais cauteloso em relação ao rompimento com o governo, mas afirmou que é favorável à tese de que os ministros "entreguem o poder".
Outro lado
Hospedado no mesmo hotel em que ocorre a reunião do PMDB, em São Paulo, o ministro Aldo Rebelo (Coordenação Política) disse que a ameaça de rompimento do partido é "contornável".
"Não é propriamente uma participação maior o que o PMDB reivindica. Precisamos aproximar ainda mais o projeto de país e de poder que une o PMDB e o governo. É preciso cooperação maior dos partidos que integram o governo e do governo para que o PMDB se sinta mais confortável e melhor representado do ponto de vista de projetos e idéias".
Rebelo afirmou que o PMDB é hoje o maior aliado do governo no Senado e o segundo na Câmara e, portanto, sua presença na base parlamentar e política é "fundamental para a governabilidade do país".
Questionado se a posição do PMDB teria relação com a maior aproximação do PTB com o PT desde as eleições, Aldo negou. "Acho que é uma situação própria da vida partidária e é contornável."
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SILVIO NAVARROda Folha Online
O PMDB, maior partido da base que sustenta o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Congresso Nacional, fez hoje a mais veemente ameaça de deixar os cargos que ocupa na gestão do PT em busca de "independência" e fortalecimento do partido para as eleições de 2006.
Quatro dos seis governadores do partido defenderam hoje a saída da base de Lula em uma reunião com presidente da sigla, deputado federal Michel Temer (SP). O objetivo, segundo Temer, é reestruturar o PMDB para concorrer com um candidato próprio à Presidência da República.
Os governadores estiveram reunidos hoje em São Paulo para analisar o resultado das eleições municipais e discutir os rumos que o partido seguirá em 2006. Defenderam a saída do governo os governadores Joaquim Roriz (DF), Rosinha Matheus (RJ), Germano Rigotto (RS) e Roberto Requião (PR), além do presidente do partido em São Paulo, o ex-governador Orestes Quércia.
Não compareceram ao encontro os governadores Luiz Henrique (SC) --que está em viagem ao exterior, mas é favorável à proposta de deixar a base governista-- e Jarbas Vasconcelos (PE). O catarinense enviou seu vice para representá-lo.
Na chegada à reunião, Quércia afirmou que o partido iniciou um processo de desligamento do governo Lula visando o fortalecimento da sigla para as eleições de 2006. "Me dou bem com o Lula, mas esse processo é no sentido de fortalecer o partido. E isso vai conduzir o PMDB a sair do governo e a entregar os cargos."
Entretanto, os dois ministros do PMDB no governo --Eunício Oliveira (Comunicações) e Amir Lando (Previdência Social)-- não estão satisfeitos com a campanha dos governadores do partido.
Caso a proposta dos governadores avance, dificilmente o PMDB entraria no bloco de oposição ao governo, liderado hoje pelo PSDB e pelo PFL. "Devemos ficar em posição de independência do governo federal. Não falamos em oposição", disse Michel Temer.
"O PMDB quer ter uma proposta para a economia (...) e buscar um projeto próprio para a Presidência em 2006", afirmou o presidente do partido.
Como possíveis presidenciáveis, ele citou o ex-governador do Rio Anthony Garotinho e os atuais governadores do partido.
Temer disse ainda que incluirá a proposta de retomar o nome do partido para MDB (Movimento Democrático Brasileiro).
Governadores
A governadora do Rio de Janeiro, Rosinha Matheus, disse que veio a São Paulo a convite de Michel Temer para ouvir a posição da direção, mas que nunca escondeu a sua opinião: "O PMDB não deveria ter entrado [no governo]. A minha posição é que deve sair para se fortalecer".
O governador Germano Rigotto (RS) disse que a "questão dos cargos faz com que o PMDB fique com carimbos e perca força nos grandes centros". "Não é ir para a oposição, vamos ajudar o presidente Lula, mas sem cargos, porque, no momento que se está pendurado com cargos, você não é ouvido o quanto seria se não os tivesse."
Aliado do presidente desde a campanha eleitoral, Roberto Requião (PR) criticou a política econômica e manifestou ser favorável à saída da base de apoio ao governo. "O PMDB hoje não tem proposta para o Brasil, não tem proposta econômica, não discute internamente. É simplesmente um partido agregado." Segundo ele, deixando o governo, "acaba a história de apoio automático para qualquer coisa".
Requião disse ainda que o resultado das urnas está mostrando que a política econômica conduzida pelo ministro Antonio Palocci (Fazenda) e pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, "está agradando banqueiros, é submissa às regras de mercado e é preciso uma postura mais clara do governo em defesa dos interesses nacionais".
Último a chegar no encontro, Joaquim Roriz (DF) disse que é mais cauteloso em relação ao rompimento com o governo, mas afirmou que é favorável à tese de que os ministros "entreguem o poder".
Outro lado
Hospedado no mesmo hotel em que ocorre a reunião do PMDB, em São Paulo, o ministro Aldo Rebelo (Coordenação Política) disse que a ameaça de rompimento do partido é "contornável".
"Não é propriamente uma participação maior o que o PMDB reivindica. Precisamos aproximar ainda mais o projeto de país e de poder que une o PMDB e o governo. É preciso cooperação maior dos partidos que integram o governo e do governo para que o PMDB se sinta mais confortável e melhor representado do ponto de vista de projetos e idéias".
Rebelo afirmou que o PMDB é hoje o maior aliado do governo no Senado e o segundo na Câmara e, portanto, sua presença na base parlamentar e política é "fundamental para a governabilidade do país".
Questionado se a posição do PMDB teria relação com a maior aproximação do PTB com o PT desde as eleições, Aldo negou. "Acho que é uma situação própria da vida partidária e é contornável."
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