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27/11/2009 - 19h23

Arruda exonera secretário e afasta mais quatro assessores diretos após denúncia

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MÁRCIO FALCÃO
da Folha Online, em Brasília

O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), exonerou hoje o secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa e afastou dos cargos outros quatro assessores diretos --dois secretários, um chefe de gabinete e um assessor de imprensa.

Barbosa fez escutas de Arruda supostamente oferecendo propina para parlamentares da base aliada na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

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As gravações foram reveladas hoje, após a Polícia Federal deflagrar uma operação de busca e apreensão nas casas, gabinetes e escritórios de deputados distritais, secretários estaduais, assessores de Arruda e empresários que prestam serviços para o Distrito Federal.

07.jul.2007/Folha Imagem
José Roberto Arruda, governador do DF, é alvo das investigações sobre corrupção
José Roberto Arruda, governador do DF, é alvo das investigações sobre corrupção

Arruda afastou dos cargos José Luiz Valente (secretário de Educação), José Geraldo Maciel (secretário-chefe da Casa Civil), Fábio Simão (chefe de gabinete) e Omézio Pontes (assessor de imprensa do governo do DF). Apesar de afastados dos cargos, eles continuam trabalhando para o governo do DF.

Interlocutores da PF dizem que Barbosa ficará sob proteção policial. Ele fez as gravações depois de fazer um acordo de delação premiada para reduzir pena por crimes de corrupção praticados no governo de Joaquim Roriz --antecessor de Arruda.

De acordo com despacho do ministro Fernando Gonçalves, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), a gravação de Barbosa mostraria Arruda oferecendo R$ 400 mil para a base aliada. Em outro trecho, Arruda teria ofertado outros R$ 200 mil para o "mesmo destino" --a base aliada. A PF investiga o objetivo do suposto mensalinho pago por Arruda a aliados.

Com base nas gravações feitas por Barbosa, a PF realizou hoje buscas nas seguintes empresas: Infoeducacional, Vertax, Adler e Linknet.

Essas empresas, segundo o despacho do STJ, seriam responsáveis por levantar os R$ 600 mil que Arruda supostamente teria mandado oferecer à base aliada. As empresas repassariam o dinheiro ao GDF, que o encaminharia à base governista.

Buscas

O ministro do STJ determinou as buscas nas residências de três aliados diretos de Arruda, citados repetidas vezes nas conversas gravadas de Durval: José Luiz Vieira Valente (Secretário de Educação do DF), Domingos Lamoglia (membro do Tribunal de Contas do DF) e Gilberto Lucena (proprietário da Linknet).

Gonçalves afirma, no despacho, que Valente teria recebido R$ 60 mil da Infoeducacional, enquanto diz ter "fortes indícios" de que Lamoglia seria, em 2002, um dos operadores do esquema de repasse de verbas.

Já em relação a Lucena, o ministro do STJ afirma que o proprietário da Linknet pode ter encaminhado R$ 34 mil a Durval após ter seu 'crédito' reconhecido pelo GDF "num montante de R$ 34 milhões".

Outro lado

O governador ainda não se manifestou sobre a operação de hoje. Segundo a assessoria do GDF (Governo do Distrito Federal), Arruda só vai comentar a operação após tomar conhecimento do inquérito. Os assessores disseram ainda que o GDF está a disposição da PF para colaborar com as investigações.

Em nota, o secretário de Educação confirmou que agentes da PF estiveram na sua casa e gabinete. Afirma que foram apreendidos documentos e um laptop em sua casa.

Valente afirma que está à disposição da PF, mas que só irá se pronunciar sobre o caso quando tiver informações sobre o motivo das buscas.

'Estou à disposição do Departamento de Polícia Federal para o que for necessário, mas me reservo ao direito de só me pronunciar publicamente sobre o assunto quando tiver informações completas do que se trata', afirma ele na nota.

Já o deputado Leonardo Prudente chegou a convocar coletiva, mas depois a desmarcou. Seus assessores informaram que ele só falará depois de se informar melhor sobre o assunto.

 

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