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AIEA aprova fábrica de enriquecimento de urânio no Rio
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Após uma polêmica internacional sobre as ambições brasileiras no campo nuclear, a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) aprovou o funcionamento da fábrica de enriquecimento de urânio de Resende, segundo o ministro da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos.
Com o aval da AIEA, a unidade nuclear de Resende será a primeira fábrica de enriquecimento de urânio no país. A fábrica permitirá o enriquecimento de 60% do urânio que o país precisa. Hoje, o urânio extraído do Brasil é enviado ao Canadá para ser transformado em gás. Depois viaja à Europa para ser enriquecido, antes de retornar para utilização nas usinas nucleares de Angra dos Reis.
A aprovação se deu após a inspeção de técnicos a parte das instalações da fábrica.
Desde abril, a verificação da unidade nuclear por técnicos da AIEA tem sido motivo de conflito entre a agência e o governo brasileiro. O Brasil se negava a permitir a "inspeção visual" das centrífugas da fábrica, alegando preservar a tecnologia nacional --as centrífugas utilizam uma tecnologia de ponta ainda não dominada pelos demais países.
A agência, por sua vez, fazia questão da inspeção para assegurar as intenções pacíficas do programa brasileiro. Um artigo da revista norte-americana "Science" chegou a afirmar que a usina de Resende poderia produzir combustível para até seis ogivas nucleares por ano.
Durante as negociações, o governo brasileiro propôs melhores condições de visibilidade de tubos, válvulas e conexões, por onde entra e sai o material. A agência passou a considerar a hipótese de inspecionar a fábrica sem 'acesso irrestrito' às instalações.
O principal segredo da tecnologia nacional de enriquecimento de urânio permaneceu desconhecido para os visitantes: as centrífugas. Organizadas em grupos denominados cascatas, as centrífugas brasileiras rodam sem eixo, sustentadas por campos eletromagnéticos.
Para que a fábrica entre em funcionamento, resta terminar o licenciamento de segurança por parte da Cnen (Comissão Nacional de Energia Nuclear), o que deverá estar concluído até a primeira quinzena de dezembro.
Hoje, os ministérios das Relações Exteriores e de Ciência e Tecnologia divulgaram uma nota conjunta na qual afirmam que a última visita dos técnicos da AIEA ocorrida nos dias 16, 17 e 18 de novembro foi bem sucedida para ambos os lados.
Essa visita teve o objetivo de verificar as informações fornecidas no Questionário de Informação de Desenho, passo necessário à entrada em operação da planta industrial da fábrica das INB de enriquecimento de urânio.
A nota diz ainda que "todos os procedimentos estabelecidos para a visita de verificação foram cumpridos, não tendo sido deixado nada por fazer".
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