25/01/2005
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17h27
Enviado especial a Porto Alegre
da Folha Online
Além de contraposição política ao Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, o Fórum Social Mundial, que começa amanhã em Porto Alegre, também tenta mostrar formas alternativas de organização de trabalho e de responsabilidade social e ecológica.
No setor agrícola, mais de 900 trabalhadores estão responsáveis pelo abastecimento de alimentos do fórum. Com 2.500 metros quadrados, a Central de Abastecimento da Agricultura Familiar e Economia Solidária fica dentro do "Território Mundial Social". Nela, há duas grandes feiras: uma de produtos agro-industriais e outra de hortifrutigranjeiros.
Mas para as milhares de pessoas que passarão pelo fórum nos próximos dias, não será necessário ir até as feiras para se alimentar. Quatro armazéns foram montados para a venda desses produtos, sendo que um deles --dentro do Acampamento Internacional da Juventude-- funciona desde ontem 24 horas.
O coordenador da central, Miguel Steffen, diz esperar que o valor total comercializado chegue a R$ 2 milhões. Ele disse que a economia solidária é "uma forma de autogestão de um empreendimento em que os trabalhadores nela envolvidos têm participação nos lucros, como se fosse uma cooperativa".
Outro segmento envolvido no tema é o de confecção. As 60 mil bolsas de algodão distribuídas aos participantes foram confeccionadas por mais de 500 trabalhadores ligados a 35 empreendimentos do Rio Grande do Sul.
Além dessas ações concretas, o tema também será muito debatido no fórum. Com 90 debates e oficinas, os empreendimentos solidários representarão quase um terço das atividades do espaço temático "Economias soberanas pelos e para os povos - Contra o capitalismo neoliberal".
De acordo com Carola Reintjes, que no Fórum representa três redes mundiais de economia solidária e a Ifat (Associação Internacional de Comércio Justo), a plenária com todas as organizações envolvidas no assunto será a segunda maior de todo o fórum.
"Será o segundo maior evento do fórum, o que mostra a crescente demanda social pelos empreendimentos solidários, que são a única alternativa estratégica e real para o campo econômico, macro ou micro."
Responsabilidade
Ações ligadas a responsabilidade ecológica também foram desenvolvidas no fórum. Caso dos cinco auditórios "bioconstruídos", que são formados por armações de eucaliptos, paredes de palha e cobertura verde.
"Estamos trabalhando com uma proposta pedagógica, tanto para os trabalhadores como para qualquer pessoa interessada. A idéia é o domínio de formas construtivas, que concedam autonomia tecnológica, usando material renovável", disse o arquiteto Rodrigo Algayer, do Ateliê de Arquitetura, responsável pela projeção dos espaços do fórum.
Neles serão realizadas atividades do espaço temático "Afirmando e defendendo os bens comuns da terra e dos povos - como alternativa à mercantilização e ao controle dos transnacionais", nos quais predominará atividades cujo tema central será a utilização racional da água.
A Companhia de Geração Térmica de Energia Elétrica --empresa geradora de energia elétrica do Sul do Brasil-- desenvolveu um sistema de transporte ecológico para os participantes do fórum.
Em uma área fechada ao tráfego de veículos na orla do rio Guaíba, três carrinhos elétricos podem transportar pessoas de um evento a outro. Cada um deles tem capacidade para 22 passageiros.
No comércio ambulante de água, cerveja e refrigerante, a prioridade é para pequenos fabricantes de bebidas do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Para ajudá-los, a coordenação do fórum orientou a todos que não sejam vendidas nem consumidas bebidas ligadas a marcas multinacionais.
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CAIO JUNQUEIRAEnviado especial a Porto Alegre
da Folha Online
Além de contraposição política ao Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, o Fórum Social Mundial, que começa amanhã em Porto Alegre, também tenta mostrar formas alternativas de organização de trabalho e de responsabilidade social e ecológica.
No setor agrícola, mais de 900 trabalhadores estão responsáveis pelo abastecimento de alimentos do fórum. Com 2.500 metros quadrados, a Central de Abastecimento da Agricultura Familiar e Economia Solidária fica dentro do "Território Mundial Social". Nela, há duas grandes feiras: uma de produtos agro-industriais e outra de hortifrutigranjeiros.
Mas para as milhares de pessoas que passarão pelo fórum nos próximos dias, não será necessário ir até as feiras para se alimentar. Quatro armazéns foram montados para a venda desses produtos, sendo que um deles --dentro do Acampamento Internacional da Juventude-- funciona desde ontem 24 horas.
O coordenador da central, Miguel Steffen, diz esperar que o valor total comercializado chegue a R$ 2 milhões. Ele disse que a economia solidária é "uma forma de autogestão de um empreendimento em que os trabalhadores nela envolvidos têm participação nos lucros, como se fosse uma cooperativa".
Outro segmento envolvido no tema é o de confecção. As 60 mil bolsas de algodão distribuídas aos participantes foram confeccionadas por mais de 500 trabalhadores ligados a 35 empreendimentos do Rio Grande do Sul.
Além dessas ações concretas, o tema também será muito debatido no fórum. Com 90 debates e oficinas, os empreendimentos solidários representarão quase um terço das atividades do espaço temático "Economias soberanas pelos e para os povos - Contra o capitalismo neoliberal".
De acordo com Carola Reintjes, que no Fórum representa três redes mundiais de economia solidária e a Ifat (Associação Internacional de Comércio Justo), a plenária com todas as organizações envolvidas no assunto será a segunda maior de todo o fórum.
"Será o segundo maior evento do fórum, o que mostra a crescente demanda social pelos empreendimentos solidários, que são a única alternativa estratégica e real para o campo econômico, macro ou micro."
Responsabilidade
Ações ligadas a responsabilidade ecológica também foram desenvolvidas no fórum. Caso dos cinco auditórios "bioconstruídos", que são formados por armações de eucaliptos, paredes de palha e cobertura verde.
"Estamos trabalhando com uma proposta pedagógica, tanto para os trabalhadores como para qualquer pessoa interessada. A idéia é o domínio de formas construtivas, que concedam autonomia tecnológica, usando material renovável", disse o arquiteto Rodrigo Algayer, do Ateliê de Arquitetura, responsável pela projeção dos espaços do fórum.
Neles serão realizadas atividades do espaço temático "Afirmando e defendendo os bens comuns da terra e dos povos - como alternativa à mercantilização e ao controle dos transnacionais", nos quais predominará atividades cujo tema central será a utilização racional da água.
A Companhia de Geração Térmica de Energia Elétrica --empresa geradora de energia elétrica do Sul do Brasil-- desenvolveu um sistema de transporte ecológico para os participantes do fórum.
Em uma área fechada ao tráfego de veículos na orla do rio Guaíba, três carrinhos elétricos podem transportar pessoas de um evento a outro. Cada um deles tem capacidade para 22 passageiros.
No comércio ambulante de água, cerveja e refrigerante, a prioridade é para pequenos fabricantes de bebidas do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Para ajudá-los, a coordenação do fórum orientou a todos que não sejam vendidas nem consumidas bebidas ligadas a marcas multinacionais.
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