Brasil
28/01/2005 - 15h40

Membros de fóruns Social e Econômico trocam experiências

CAIO JUNQUEIRA
Enviado da Folha Online a Porto Alegre

Com a co-parceria do governo federal, representantes do Fórum Social Mundial e do Fórum Econômico Mundial se encontrarão em julho deste ano em Paris para trocar experiências sobre os dois eventos.

A informação é do sociólogo Cândido Grzybowsky, representante do Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas) no comitê organizador do Fórum Social Mundial e um dos criadores do evento.

"Fizeram uma reunião agora em janeiro e decidiram fazer o debate. É entre pessoas que participam de lá, do Fórum Econômico, e outras que participam do Fórum Social. O Conselho Econômico Social, do ministro [Jaques] Wagner, é co-parceiro nesse encontro", disse Grzybowsky na tarde desta sexta-feira, em Porto Alegre.

Ele lamentou, no entanto, que a reunião não seja realizada no Brasil. "Eu, se fizesse esse debate, faria aqui no Brasil para dizer: o Lula patrocinou um evento de encontro de pessoas que participam do Fórum Social e do Fórum Econômico. Mas vai fazer em Paris para o [presidente francês Jacques] Chirac faturar na agenda."

Questionado sobre a falta de comunicação entre Davos e Porto Alegre, já que ambos os eventos ocorrem no mesmo período, o sociólogo disse que o Fórum Social é aberto para qualquer tipo de tema e de pessoas, mas que os integrantes do Fórum Econômico se negam a vir discutir.

Ele disse ainda que algumas ONGs (Organizações Não-Governamentais) iniciaram um processo de diálogo e, em especial, uma entidade franco-americana chegou a intermediar a tentativa de ações e debates entre os dois fóruns, mas não houve êxito em nenhuma dessas iniciativas.

"Se Davos quisesse fazer discussões seria legítimo. O Ibase, o Atacc (Ação pela Tributação das Transações Financeiras em Apoio aos Cidadãos), e outras organizações iniciaram um processo de discussão de regras de diálogos. Os malditos lá de Davos é que não querem discutir conosco. Não somos nós que não queremos."

Grzybowsky disse também que "quem tem que hoje pedir para nós a discussão são eles, e não nós" e que acha que "eles têm medo".

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