Brasil
31/01/2005 - 18h14

Fórum Social termina com participação recorde e críticas à organização

CAIO JUNQUEIRA
Enviado especial da Folha Online a Porto Alegre

O 5º Fórum Social Mundial encerrou suas atividades hoje em Porto Alegre como a maior de todas as edições já realizadas. Apesar do crescimento ter resultado em uma maior reunião de pessoas e de debate de suas demandas sociais, o tamanho do evento também gerou desorganização e reclamações quanto à distância entre as atividades. No ano passado, o fórum foi realizado na Índia e contou com cerca de 100 mil participações.

Neste ano, foram 155 mil participantes --35 mil acima do esperado-- de 135 países que estiveram em mais de 2.000 atividades propostas por 5.700 organizações de todo o mundo. Os debates se realizaram em quatro quilômetros da orla do rio Guaíba, no centro da cidade.

"O fórum ganhou muita densidade do ponto de vista da capacidade de aglutinar pessoas para debater suas propostas. Ao mesmo tempo, ficou muito grande, fazendo com que as pessoas se movimentassem muito ou tivessem de se concentrar em um local", disse Sérgio Haddad, diretor da Abong (Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais), que integra o Conselho Internacional do Fórum.

O diretor da Abong aponta ainda outros fatores que considera positivos no Fórum Social deste ano e que rebatem as críticas de outros anos, de que não havia participação da sociedade civil e a concretização de idéias práticas.

"A sociedade local teve participação ativa por meio do trabalho voluntário, tivemos um mural com quase 360 propostas --o já é um avanço muito grande-- e a experiência de se fazer no centro da cidade foi muito boa porque atraiu as pessoas para o Fórum", avaliou.

Críticas

A opinião de Haddad, no entanto, não é unânime. Para a professora Vera Siqueira, 66, a dimensão do fórum impediu que houvesse um parecer final dos debates e a interlocução entre as entidades participantes do evento. "Como é muita gente, não há fechamento de questões, um não toma conhecimento das propostas dos outros", afirmou.

A crítica mais comum entre os participantes, porém, foi a distância entre os lugares. "A distância era muito grande. Para os jovens, não tinha muito problema, mas, para os mais velhos, foi ruim. Se fazem em um espaço grande assim, deveria ter como se locomover entre um lugar e outro", disse Margaret Prescod, 54, de Barbados.

Apesar disso, de acordo com Margaret, o fórum é essencial para a discussão de soluções para os problemas. "Ainda que não haja solução imediata, ao menos a médio e curto prazos as pessoas podem começar a pensar sobre as reflexões que se levantaram aqui."

Hadadd admite os problemas, mas afirma que o fórum não é uma empresa. "De fato, tivemos muitos problemas, mas não somos empresas de organizar eventos, somos militantes, ativistas sociais. De uma maneira geral, acho que ele funcionou de uma maneira regular."

Encerramento

As atividades de encerramento se iniciaram ontem à noite, quando um mapa humano da África foi formado como símbolo da transferência da sede do fórum do Brasil para algum país do continente africano em 2007. Hoje, houve uma passeata no centro da cidade e a realização de cinco shows com artistas que representavam os cinco continentes.

No próximo ano, ele será realizado em diferentes locais, que ainda não foram escolhidos pelo Conselho.

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