24/02/2005
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18h59
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na tarde desta quinta-feira em Jaguaré, no Espírito Santo, que omitiu informações sobre suposta ocorrência de corrupção em alguns processos de privatização da gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).
Sem citar nomes, Lula revelou que, quando assumiu o governo federal, teria sido informado por uma pessoa de que o processo de corrupção que aconteceu nas privatizações foi "grande" e que algumas delas que foram feitas "levaram a instituição a uma quebradeira".
Depois da conversa, o presidente disse ao interlocutor que ele só teria o direito de dizer a verdade ao presidente. Na ocasião, a orientação de Lula foi manter as informações em segredo.
"Para fora, feche a boca e diga que a nossa instituição está preparada para ajudar no desenvolvimento deste país", teria dito Lula ao interlocutor que, segundo o presidente, não entendeu inicialmente o conselho.
"Eu dizia para ele: 'é isso mesmo,' porque se nós, com três dias de posse, ou com três meses de posse, saíssemos pelo Brasil vendendo a idéia de que determinadas coisas importantes em que a sociedade brasileira acredita, se determinadas instituições de que a República tanto necessita, como uma espécie de alavanca para o desenvolvimento deste país, se a gente saísse dizendo que estavam quebradas, eu me pergunto: que mensagem nós íamos passar à sociedade? Tanto à sociedade interna, quanto à sociedade externa?", questionou o presidente.
Lula disse que tornar públicas as informações sobre corrupção poderia ser bom se ele tivesse tomado a decisão de "achincalhar" o governo FHC.
"E eu tomei uma decisão muito pessoal e fiz com que o governo assumisse essa posição, de que o presidente que tinha deixado o governo [FHC], tinha feito aquilo que ele entendia que deveria fazer, e eu, ao invés de ficar preocupado com o que ele deixou de fazer, deveria me preocupar com o que eu tinha que fazer neste país", revelou.
"Portanto, se tinha alguma coisa que não estava funcionando, não era mais da responsabilidade de quem tinha deixado o governo, mas era da responsabilidade de quem tinha assumido o governo."
Segundo Lula, um dos problemas enfrentados foi com a Petrobras. "Os companheiros da Petrobrás estão lembrados que no meio da campanha nós compramos uma briga sobre a questão da construção da P-51 e da P-52. E a cada reunião eu recebia testemunhos e documentos de que a Petrobras tinha condições de produzir a plataforma aqui. Até que fui pego de surpresa com uma matéria paga nos jornais, feita pela ex-direção da Petrobras, dizendo que eu não sabia do que estava falando, que a Petrobrás não tinha condições de produzir as plataformas aqui", disse.
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Lula diz que omitiu informações sobre corrupção no governo FHC
da Folha OnlineO presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na tarde desta quinta-feira em Jaguaré, no Espírito Santo, que omitiu informações sobre suposta ocorrência de corrupção em alguns processos de privatização da gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).
Sem citar nomes, Lula revelou que, quando assumiu o governo federal, teria sido informado por uma pessoa de que o processo de corrupção que aconteceu nas privatizações foi "grande" e que algumas delas que foram feitas "levaram a instituição a uma quebradeira".
Depois da conversa, o presidente disse ao interlocutor que ele só teria o direito de dizer a verdade ao presidente. Na ocasião, a orientação de Lula foi manter as informações em segredo.
"Para fora, feche a boca e diga que a nossa instituição está preparada para ajudar no desenvolvimento deste país", teria dito Lula ao interlocutor que, segundo o presidente, não entendeu inicialmente o conselho.
"Eu dizia para ele: 'é isso mesmo,' porque se nós, com três dias de posse, ou com três meses de posse, saíssemos pelo Brasil vendendo a idéia de que determinadas coisas importantes em que a sociedade brasileira acredita, se determinadas instituições de que a República tanto necessita, como uma espécie de alavanca para o desenvolvimento deste país, se a gente saísse dizendo que estavam quebradas, eu me pergunto: que mensagem nós íamos passar à sociedade? Tanto à sociedade interna, quanto à sociedade externa?", questionou o presidente.
Lula disse que tornar públicas as informações sobre corrupção poderia ser bom se ele tivesse tomado a decisão de "achincalhar" o governo FHC.
"E eu tomei uma decisão muito pessoal e fiz com que o governo assumisse essa posição, de que o presidente que tinha deixado o governo [FHC], tinha feito aquilo que ele entendia que deveria fazer, e eu, ao invés de ficar preocupado com o que ele deixou de fazer, deveria me preocupar com o que eu tinha que fazer neste país", revelou.
"Portanto, se tinha alguma coisa que não estava funcionando, não era mais da responsabilidade de quem tinha deixado o governo, mas era da responsabilidade de quem tinha assumido o governo."
Segundo Lula, um dos problemas enfrentados foi com a Petrobras. "Os companheiros da Petrobrás estão lembrados que no meio da campanha nós compramos uma briga sobre a questão da construção da P-51 e da P-52. E a cada reunião eu recebia testemunhos e documentos de que a Petrobras tinha condições de produzir a plataforma aqui. Até que fui pego de surpresa com uma matéria paga nos jornais, feita pela ex-direção da Petrobras, dizendo que eu não sabia do que estava falando, que a Petrobrás não tinha condições de produzir as plataformas aqui", disse.
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