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22/03/2005 - 19h56

Drauzio defende legalização do aborto em sabatina na Folha

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da Folha Online

O médico Drauzio Varella disse nesta terça-feira que o aborto no Brasil já é liberado para quem pode pagar. Mesmo sendo contra a interrupção da gravidez, ele defendeu a legalização do aborto para fetos de até três meses.

"O aborto no Brasil é livre. Muitas das moças aqui já fizeram [um aborto]", disse ele se referindo para a platéia presente à sabatina a Folha. "É livre para as moças que têm dinheiro para pagar. As moças pobres não têm acesso. A questão é de acessibilidade."

Drauzio se disse, pessoalmente, contra a interrupção da gravidez. "Eu sou contra, acho um absurdo a mulher engravidar e ter de interromper. Mais contra ainda é a mulher grávida, que é obrigada a fazer um aborto."
Flávio Florido/Folha Imagem
O médico Drauzio Varella durante a sabatina da Folha
O médico Drauzio Varella durante a sabatina da Folha


No entanto, ele defendeu mudanças nas leis de acesso ao aborto para evitar que as pessoas sem renda acabem parando nas mãos de "marginais". "Nós temos no Brasil um número absurdo de meninas que vão fazer curetagem em hospitais públicos para tratar complicações de aborto. Temos 200 mil abortos no Brasil. É um problema médico. Não pode ser tratado por marginais."

Para o médico, o aborto poderia ser legalizado desde que fosse estipulado um prazo máximo para a gravidez. "Acho três meses um número razoável, pois nesse período o feto não tem atividade cerebral. Não adianta querer proibir."

Eutanásia

Drauzio disse que a eutanásia é um "acontecimento muito complexo" que não é possível simplesmente responder se é contra ou favorável a esse procedimento.

No entanto, ele afirmou que é contra a retirada do tubo de alimentação da norte-americana Terri Schiavo, 41, que se encontra em estado vegetativo há 15 anos. "Eu não faria isso porque os pais não querem. Se a mãe não quer, então não pode desligar. Opinião de marido não conta. O povo fala que amor é só de mãe."

Células-tronco

Para Drauzio, as pesquisas com célula-tronco vão representar no futuro uma revolução para a medicina, semelhante ao que os antibióticos foram no século passado. "As doenças que vamos enfrentar são as degenerativas e a possibilidade de regenerar tecidos humanos é maravilhosa. Sabemos que as células embrionárias têm essa capacidade", disse.

Segundo ele, é "legítimo que as pessoas façam pressão para aprovar a lei".

"Não tem sentido que algumas pessoas, em nomes de princípios religiosos, imponham proibições para pessoas que não pensam como elas. Esse princípio considera que o espermatozóide entra no óvulo dentro do tubo de ensaio e a parti daí começou uma vida. Então a masturbação masculina é um genocídio", disse.

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