Brasil
27/04/2005 - 14h13

Rice pede que América Latina continue a apostar na democracia

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PATRÍCIA ZIMMERMANN
da Folha Online, em Brasília

No último dia da sua visita oficial ao Brasil, a secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, pediu que a América Latina continue apostando na democracia.

Falando diretamente sobre Bolívia, Equador e "outras partes", sinalizando um recado para a Venezuela, Rice reafirmou hoje que a democracia não se esgota com a eleição dos governantes, mas precisa ser construída e praticada no dia-a-dia.

"Percebo que as metas e perspectivas futuras de democracia podem parecer distantes para a Bolívia, o Equador e talvez para outras partes. Mas construir uma democracia vibrante leva tempo", disse ao defender que haja um esforço persistente. "Não percam a esperança, não se desanimem agora", afirmou.

No ano passado, pesquisa Latinobarómetro, que mede opiniões, atitudes e valores em 18 países da América Latina desde 1995, mostra que entre 1996 e 2004 caiu de 50% para 41% a porcentagem de brasileiros que cravam que "democracia é preferível a qualquer outro tipo de governo".

Durante palestra para convidados da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil que incluíram representantes do governo, estudantes, corpo diplomático, e ONGs, Rice destacou que foi o apoio à democracia que tirou ditadores do poder no mundo.

Segundo ela, hoje o Brasil lidera a missão da ONU (Organização das Nações Unidas) no Haiti para ajudar o país a se reestruturar, mas no passado alguém também se levantou em favor do Brasil para estabelecer a democracia no país, comandado pela ditadura militar, o que também aconteceu nos Estados Unidos. "Ninguém pode fazer isso sozinho", disse ela uma ajuda externa pode contribuir para o fortalecimento do processo democrático.

Ela afirmou que os EUA estão "ansiosos" para ajudar os países da região que enfrentam dificuldades com a democracia, e de atuar em parceria com o Brasil para ajudar "os povos da região a desfrutarem da liberdade".

Questionada sobre a possibilidade de mediação brasileira nas relações dos EUA com a Venezuela, a secretária afirmou não haver essa necessidade. Segundo Rice, a preocupação com aquele país não é um assunto entre a Venezuela e os Estados Unidos, mas uma questão do estado democrático, e defendeu o cumprimento da carta democrática da OEA (Organização dos Estados Americanos). O documento prevê o exercício da democracia nesses países.

Sobre os encontro com os representantes do governo brasileiro, ela resumiu dizendo que EUA e Brasil compartilham da opinião de que a democracia é a melhor forma de governo, e que o comércio traz prosperidade.

'O Brasil é fundamental para a nossa agenda de comércio', disse a secretária norte-americana ao defender a formação de um consenso sobre o mercado livre na região.

Para Rice, progredir na formação da Alca (Área de Livre Comércio das Américas) é uma oportunidade de construir a maior comunidade de livre comércio do mundo. E o livre comércio, segundo ela, assim como as eleições, teria papel importante na consolidação da democracia.

O assessor especial do presidente Lula para assuntos externos, Marco Aurélio Garcia, que acompanhou a visita da secretária ao presidente e também assistiu à palestra realizada hoje, disse que o governo brasileiro deixou claro nas conversas com Rice que não está sozinho nas negociações da Alca, mas junto com os sócios do Mercosul. Ele reconheceu, no entanto, que as relações entre os dois países (Brasil e EUA) atravessam bom momento.

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