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Prisão de Arruda vira atração no domingo de Carnaval em Brasília
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LORENNA RODRIGUES
da Folha Online, em Brasília
Atualizado às 15h37.
A prisão do governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido), virou atração na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, na manhã deste domingo. Várias pessoas foram até o local para levar presentes ou até mesmo protestar.
A avó de Arruda veio visitá-lo durante a tarde, mas foi embora depois que viu os jornalistas na frente da PF. Também um dos advogados de Arruda, Tiago Bouza, foi à PF para trazer notícias do sobrinho dele, Rodrigo Diniz Arantes, que está preso. Segundo o advogado, ele não conseguiu falar com o governador licenciado porque ele estava descansando.
Mais cedo, um homem identificado como Adilson tentou entregar um livro de poesias intitulado "Coletânea Poética do Guará" ao governador, mas foi barrado na portaria pela segurança da PF.
A professora Anita Grossi --que tem o mesmo sobrenome do advogado de Arruda, José Gerardo Grossi, mas negou ser parente dele-- também tentou visitar o governador afastado, mas foi impedida. Ela chegou a argumentar que teria o nome na lista de pessoas autorizadas, mas sua entrada não foi liberada.
"Por que só ele? Outros 10 mil tinham que estar aqui. Os porões do PT são piores que os da ditadura", afirmou Anita Grossi, antes de deixar o local.
Por volta de 13h10, o cunhado de Arruda, Fábio Peres, levou almoço para o governador. Peres disse apenas que trazia arroz com carne, mas não quis dar mais detalhes da refeição.
Outro barrado na porta da PF foi o presidente interino do DEM no Distrito Federal, o deputado Osório Adriano, que queria visitar o governador. Segundo a PF, a entrada foi negada porque o nome de Adriano não constava na lista de pessoas autorizadas a visitar o governador neste domingo de Carnaval.
O deputado evitou fazer comentário sobre a prisão de Arruda. "Essa parte política, prefiro não comentar. Vim visitar o meu amigo José Roberto Arruda", afirmou.
Na quinta-feira, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) determinou a prisão de Arruda e de mais cinco pessoas pela tentativa de suborno do jornalista Edson dos Santos, o Sombra, testemunha do inquérito policial que investiga denúncias de arrecadação e pagamento de propina por parte do governador a integrantes de sua base aliada.
Prisão
Isolado em uma sala da INC (Instituto Nacional de Criminalística) da PF, Arruda tem recebido refeições caseiras e cuidados médicos. Segundo o advogado José Gerardo Grossi, Arruda está "naturalmente abatido" e já estaria se conformado com a prisão que pode levar até 83 dias --de acordo com os prazos da prisão preventiva.
Grossi disse ontem que Arruda não tem tomado banho de sol. "Ele está naturalmente abatido assim como todo mundo que está preso fica", afirmou.
Segundo ele, a defesa ainda avalia a possibilidade de pedir um relaxamento de prisão nos próximos dias, caso o STF (Supremo Tribunal Federal) demore a julgar o mérito do pedido de liberdade que foi negado ontem pelo ministro Marco Aurélio Mello.
O advogado disse, no entanto, que no momento ainda "não há fato novo" que justifique uma tentativa de suspender a prisão. "Não se pode apostar tudo em uma ficha só, mas ainda não há fato novo", afirmou.
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