14/06/2005
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17h10
da Folha Online, em Brasília
Em um depoimento tenso e cheio de detalhes, o presidente do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ), reafirmou as declarações dadas à Folha de que não tem provas sobre a existência de um suposto esquema de pagamento de mesada de R$ 30 mil a parlamentares do PP e do PL em troca de apoio político --o "mensalão". "Não tenho provas, sou testemunha. Jamais na vida, como parlamentar, tinha visto o governo pagar mesada a congressistas da base aliada. Não vi no governo Sarney e não vi no governo 'escorraçado'", em uma referência ao ex-presidente Fernando Collor de Mello.
O deputado voltou a apontar o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, como um dos envolvidos no esquema e pediu para o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, sair da pasta. "José Dirceu, se você não sair, vai fazer réu um homem inocente", declarou.
Jefferson afirmou ainda que Dirceu "não tem palavra, não cumpre o que promete" e que seria responsável pela blindagem feita ao presidente Lula.
Segundo ele, o ministro e o presidente nacional do PT, José Genoino, sabiam do esquema do "mensalão". O presidente do PTB afirmou que recebeu Delúbio em casa, desmentindo as declarações do tesoureiro em entrevista coletiva concedida na semana passada.
"Atendi ao Delúbio em minha casa. Com o conhecimento do Genoino, sem o Marco Valério [publicitário que segundo Jefferson trabalha com Delúbio Soares]. Ele fumou um charuto. É um homem simples. Com jeito goiano, cheio de melindres. Ele falou que estava ali para ajudar a tirar uma unha encravada. É assim que ele fala. Ajudar a tirar algum problema na minha bancada. Ajudar a alguém que precise. Eu disse obrigada. Que o PTB não quer dinheiro, quer estrutura de governo. Não quer mensalão."
Jefferson declarou que, depois da conversa, procurou os ministros Ciro Gomes (Integração Nacional), Miro Teixeira (que até então ocupava as Comunicações) e Dirceu para denunciar as ações de Delúbio.
Costa Neto
Jefferson não poupou as ironias ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto (SP), autor da representação ao Conselho de Ética, pela oportunidade de se defender para a opinião pública.
"Agradeço ao deputado Valdemar Costa Neto a oportunidade. Vou responder com sinceridade à hipocrisia que tenho ouvido, à tentativa de me intimidar. Não corro, não temo, haverei de enfrentar cada passo, cada segundo, seja na CPI dos Correios ou na CPI do 'mensalão'. Obrigado, Valdemar", acrescentou.
Lodo após sua exposição inicial, Jefferson acusou Costa Neto de receber "repasse", em uma referência ao "mensalão".
Correios
Para o presidente do PTB, as denúncias contra ele publicadas na revista "Veja" surgiram para "livrar a cara" de alguns petistas. "Eles [o governo e a revista] deram o virtual e esconderam o real. Eles querem desconstituir a minha imagem. A opinião pública quer uma cabeça. Eles vão dar a do PTB e a minha", declarou, para em seguida dar um recado: "José Dirceu, Silvinho Pereira, o PTB não é responsável pela corrupção nos Correios".
Em gravação divulgada pela imprensa, o ex-executivo dos Correios Maurício Marinho detalha um suposto esquema de cobrança de propina na estatal, e afirma que opera com o aval de Jefferson. A gravação, segundo ele, foi armada pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência).
"Não fui eu que indiquei Maurício Marinho. A Polícia Federal e a Corregedoria estão nos Correios há 30 dias tentando encontrar um erro, um vício e até agora não encontraram nada", disse.
Com as denúncias de cobrança de mesada por parte do PTB aos seus indicados nos Correios, segundo Jefferson, o governo estaria "jogando o cadáver no colo do PTB". "Eles querem livrar a cara de alguns membros do PT. Não acredito no envolvimento de ninguém da bancada do PT neste esquema de mensalão."
No depoimento, Jefferson afirmou ainda estar "intrigado" com o fato de que a diretoria de informática dos Correios não tenha sido investigada pelo Ministério Público, Polícia Federal e Controladoria Geral da União.
"Não consegui entender ainda por que não investigam a diretoria de informática, 60% do depoimento do senhor Maurício Marinho apontam para a diretoria de informática dos Correios, que é do senhor Silvinho Pereira. Não entendo por que não investigam a Novadata. Por que não investigam o Correio Noturno Aéreo, que tem superfaturamento de 300%."
Ao finalizar seu depoimento, Jefferson declarou: "Me perdoem Sandro Mabel (PL-GO), Valdemar Costa Neto, Bispo Rodrigues (PL-RJ), Pedro Corrêa (PP-PE), Pedro Henry (PP-MT) e José Janene (PP-PR). Mas não vou ser cúmplice disso".
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ROSE ANE SILVEIRAda Folha Online, em Brasília
Em um depoimento tenso e cheio de detalhes, o presidente do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ), reafirmou as declarações dadas à Folha de que não tem provas sobre a existência de um suposto esquema de pagamento de mesada de R$ 30 mil a parlamentares do PP e do PL em troca de apoio político --o "mensalão". "Não tenho provas, sou testemunha. Jamais na vida, como parlamentar, tinha visto o governo pagar mesada a congressistas da base aliada. Não vi no governo Sarney e não vi no governo 'escorraçado'", em uma referência ao ex-presidente Fernando Collor de Mello.
O deputado voltou a apontar o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, como um dos envolvidos no esquema e pediu para o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, sair da pasta. "José Dirceu, se você não sair, vai fazer réu um homem inocente", declarou.
| Lula Marques/Folha Imagem |
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| O deputado Roberto Jefferson, durante depoimento na Câmara |
Segundo ele, o ministro e o presidente nacional do PT, José Genoino, sabiam do esquema do "mensalão". O presidente do PTB afirmou que recebeu Delúbio em casa, desmentindo as declarações do tesoureiro em entrevista coletiva concedida na semana passada.
"Atendi ao Delúbio em minha casa. Com o conhecimento do Genoino, sem o Marco Valério [publicitário que segundo Jefferson trabalha com Delúbio Soares]. Ele fumou um charuto. É um homem simples. Com jeito goiano, cheio de melindres. Ele falou que estava ali para ajudar a tirar uma unha encravada. É assim que ele fala. Ajudar a tirar algum problema na minha bancada. Ajudar a alguém que precise. Eu disse obrigada. Que o PTB não quer dinheiro, quer estrutura de governo. Não quer mensalão."
Jefferson declarou que, depois da conversa, procurou os ministros Ciro Gomes (Integração Nacional), Miro Teixeira (que até então ocupava as Comunicações) e Dirceu para denunciar as ações de Delúbio.
Costa Neto
Jefferson não poupou as ironias ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto (SP), autor da representação ao Conselho de Ética, pela oportunidade de se defender para a opinião pública.
"Agradeço ao deputado Valdemar Costa Neto a oportunidade. Vou responder com sinceridade à hipocrisia que tenho ouvido, à tentativa de me intimidar. Não corro, não temo, haverei de enfrentar cada passo, cada segundo, seja na CPI dos Correios ou na CPI do 'mensalão'. Obrigado, Valdemar", acrescentou.
Lodo após sua exposição inicial, Jefferson acusou Costa Neto de receber "repasse", em uma referência ao "mensalão".
Correios
Para o presidente do PTB, as denúncias contra ele publicadas na revista "Veja" surgiram para "livrar a cara" de alguns petistas. "Eles [o governo e a revista] deram o virtual e esconderam o real. Eles querem desconstituir a minha imagem. A opinião pública quer uma cabeça. Eles vão dar a do PTB e a minha", declarou, para em seguida dar um recado: "José Dirceu, Silvinho Pereira, o PTB não é responsável pela corrupção nos Correios".
Em gravação divulgada pela imprensa, o ex-executivo dos Correios Maurício Marinho detalha um suposto esquema de cobrança de propina na estatal, e afirma que opera com o aval de Jefferson. A gravação, segundo ele, foi armada pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência).
"Não fui eu que indiquei Maurício Marinho. A Polícia Federal e a Corregedoria estão nos Correios há 30 dias tentando encontrar um erro, um vício e até agora não encontraram nada", disse.
Com as denúncias de cobrança de mesada por parte do PTB aos seus indicados nos Correios, segundo Jefferson, o governo estaria "jogando o cadáver no colo do PTB". "Eles querem livrar a cara de alguns membros do PT. Não acredito no envolvimento de ninguém da bancada do PT neste esquema de mensalão."
No depoimento, Jefferson afirmou ainda estar "intrigado" com o fato de que a diretoria de informática dos Correios não tenha sido investigada pelo Ministério Público, Polícia Federal e Controladoria Geral da União.
"Não consegui entender ainda por que não investigam a diretoria de informática, 60% do depoimento do senhor Maurício Marinho apontam para a diretoria de informática dos Correios, que é do senhor Silvinho Pereira. Não entendo por que não investigam a Novadata. Por que não investigam o Correio Noturno Aéreo, que tem superfaturamento de 300%."
Ao finalizar seu depoimento, Jefferson declarou: "Me perdoem Sandro Mabel (PL-GO), Valdemar Costa Neto, Bispo Rodrigues (PL-RJ), Pedro Corrêa (PP-PE), Pedro Henry (PP-MT) e José Janene (PP-PR). Mas não vou ser cúmplice disso".
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