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14/06/2005 - 20h34

Em depoimento de Jefferson, oposição dá tom de como pode ser CPI

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FELIPE RECONDO
da Folha Online, em Brasília

O depoimento do presidente do PTB, Roberto Jefferson (RJ), no Conselho de Ética foi usado pela oposição para dar uma mostra do que pode ser a CPI dos Correios. Desde o início, os deputados do PFL faziam perguntas a Jefferson na tentativa de chegar ao presidente Lula e aos ministros petistas. Depois de detectar a manobra, os deputados da base governista protestaram e pediram para que Jefferson fosse tratado como réu, e não como acusador.

Jefferson preferiu não se defender no processo que pode lhe custar o mandato e a perda dos direitos políticos. Preferiu o ataque generalizado a integrantes do governo, a deputados do PP e PL e a empresários em um claro sinal de que desistiu de defender sua permanência na Câmara. "Sublimei o mandato, não vou lutar por ele", afirmou Jefferson, consciente de que está isolado no partido e de que o PTB deve perder parlamentares a partir da próxima semana.

Jorge Araújo/Folha Imagem
Sessão do Conselho de Ética parou o Congresso Nacional
Sessão do Conselho de Ética parou o Congresso Nacional
A reunião foi tensa, com ataques pessoais entre deputados, o presidente do PTB poupou apenas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a bancada do PT na Casa. Em compensação, o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, o presidente do PT, José Genoino, o integrante da direção petista Sílvio Pereira, as lideranças do PP e PL e a imprensa foram os principais alvos das acusações.

Risonho, cheio de gestos e com poucas palavras, Jefferson passava seus recados olhando direto para as câmeras de televisão, dispostas no plenário da comissão. Foi para essas câmeras que o presidente do PTB pediu, por exemplo, para que o ministro Dirceu deixasse o cargo. "Se você não sair daí rápido, vai fazer réu um homem decente que é o presidente Lula. Sai rápido para não fazer mal a um homem de quem tive a honra de apertar a mão. Sai, Dirceu, sai!".

Provas

Apesar da segurança, nenhuma prova foi apresentada aos deputados que comprovariam o suposto pagamento do "mensalão" ou a participação de petistas em esquemas de corrupção. Mas ele mostrou que seu alvo, mesmo sem provas, era a cúpula do governo e do PT. "Essa gente do PT dá ferroada. Desta vez, ela é tão forte que pode levar o sapo para o fundo do Rio, mas desta vez os escorpiões da cúpula vão junto", disse.

Deputados, do lado de fora da comissão, já adiantava o veredito do Conselho de Ética: Jefferson deverá ser cassado. Mas o presidente do PTB, em sua longa exposição - 1h09 de duração --, fez questão de apontar caminhos para a CPI Mista dos Correios, criada para investigar o caso de corrupção na estatal, e a CPI que deverá apurar as denúncias de pagamento de mesada a deputados.

No rol de denúncias de corrupção preparadas estavam o Correio Noturno, a Diretoria de Informática dos Correios, controlada pelo PT, e empresas citadas como partícipes de supostas negociatas com o governo, como a Valec, presidida por Juquinha das Neves, tido como homem de confiança do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, em Goiânia, Skymaster e Novadata, empresa de Mauro Dutra, compadre do presidente Lula.

A cada intervenção de um deputado, um advogado lhe instruía. Eram a esses advogados que Jefferson pedia documentos para embasar denúncias aos parlamentares, tirados de uma pasta abarrotada de papéis. "Pega a capivara dele", disse sobre documentos contra um dos deputados que o contestava.

Nessas acusações, recebeu respostas vulgares do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e do líder do PL na Câmara, Sandro Mabel (GO), ambos acusados de serem operadores do "mensalão" no partido. Fora dos microfones, Costa Neto insinuou que Jefferson teria um caso com "um cidadão de Cabo Frio". Mabel, que no início do depoimento ria com críticas do presidente do PTB ao ex-presidente Fernando henrique Cardoso, disse de pé e aos gritos no plenário do Conselho de Ética que era mais homem, mais macho do que Jefferson.

O presidente do PTB falou por mais de cerca de sete horas, incluindo sua apresentação inicial e as repostas. O líder do governo no Congresso, Fernando Bezerra (RN), que não é membro do Conselho, não apareceu para dar apoio a Jefferson. E antes de terminar seu depoimento, como não é comum entre políticos, viu o principal aliado, o líder do partido na Câmara, José Múcio (PE), deixar o plenário da comissão com um aperto de mão. Jefferson agradeceu. Antes do final da sessão, Múcio retornou.

O depoimento parou o Congresso Nacional, que adiou para amanhã a reunião da CPI Mista dos Correios, que deveria eleger o presidente e relator ainda hoje. Dois telões foram instalados para que as denúncias fossem assistidas. A segurança foi reforçada. Três agentes do Departamento da Política Legislativa ficavam de pé, atrás de Jefferson.

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