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Brasil
17/06/2005 - 15h21

Jefferson pede afastamento da presidência do PTB e ataca José Dirceu

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FELIPE RECONDO
da Folha Online, em Brasília

Em uma manobra para manter sua influência no PTB, o deputado Roberto Jefferson (RJ) decidiu pedir seu afastamento temporário da presidência da sigla. A decisão aconteceu depois que o Diretório Nacional afirmou que uma eventual mudança no cargo não faria parte da pauta da reunião de hoje.

Ainda no início da manhã, Jefferson disse que o ex-ministro da Casa Civil, deputado José Dirceu (PT-SP), é "o chefe do maior esquema de corrupção que eu vi nos últimos anos".

"O presidente Lula mostrou que é um homem que está acima de qualquer erro. O presidente sai fortalecido", disse ele.

Assume interinamente Flávio Martinez, irmão de José Carlos Martinez (presidente do PTB que morreu em acidente de avião em outubro de 2003), homem próximo a Jefferson.

Com isso, além de ter conseguido convencer os correligionários a não articular sua saída, Jefferson se afasta fortalecido.

"Ontem à noite ele estava muito inspirado em Getúlio [Vargas]. Chegou a dizer que o presidente passou por diversos problemas, mas conseguiu dar a volta por cima", comentou o deputado federal Luiz Antônio Fleury Filho (PTB-SP).

O pedido de Jefferson causou surpresa aos integrantes da reunião, inclusive os petebistas mais próximos que estiveram reunidos em sua casa durante a madrugada desta sexta-feira. "Não estávamos esperando por isso. Estamos todos atônitos e surpresos", disse o líder do PTB na Câmara, José Múcio (PE).

Depois do anúncio, os petebistas começaram a unir peças para entender a manobra.

Primeiramente, a reunião de hoje do diretório era para ser fechada à imprensa. Logo que começaram a discussões, no entanto, os jornalistas foram autorizados a acompanhar o encontro.

Depois, perceberam que a indicação de Martinez por Jefferson contradizia o que deveria ocorrer. De acordo com o regimento do partido, a licença de Jefferson levaria ao cargo o petebista mais velho --Martinez é o mais novo.

Na avaliação de primeira hora, portanto, Jefferson teria tomado todas as atitudes para garantir o controle, ainda que indireto, da direção da legenda. A explicação de Jefferson foi outra. "Era o PTB que estava sendo processo, não o Roberto Jefferson", disse, em referência às investigações no Correios. "Cada processo machuca o PTB e eu não posso repartir os meus erros, minhas culpas e meu calvário com a bandeira que amo", acrescentou, em fala emocionada.

Encontro

O encontro do Diretório Nacional do PTB desta manhã havia sido marcada por Jefferson e o principal assunto da pauta era sua permanência no cargo. No entanto, logo no início da reunião, os petebistas decidiram por aclamação retirar o assunto do encontro.

Na semana passada, a bancada do PTB insistia para que o deputado se afastasse da presidência da legenda por causa das denúncias de corrupção nos Correios envolvendo seu nome. A tendência foi reforçada depois que Jefferson relatou à Folha a existência de um suposto pagamento de mesada aos deputados do PP e do PL em troca de apoio político ao governo federal.

Na semana passada, quando a reunião havia sido convocada, estava certo que Jefferson entregaria uma carta-renúncia por pressão do partido, que queria vê-lo afastado. O deputado convenceu os petebistas de que o seu afastamento significaria uma saída desonrosa do cargo.

O cenário mudou, no entanto, depois que Jefferson prestou depoimento no Conselho de Ética da Câmara, na última terça-feira. Os petebistas avaliaram que o desempenho do deputado reverteu a situação de falta de credibilidade que o partido se encontrava. Além disso, acreditaram que o PTB ficou em situação menos desconfortável.

Dirceu

Jefferson disse que não comemorou a demissão de Dirceu, mas fez questão de dizer que a decisão foi acertada para proteger o governo.

Com o retorno de Dirceu à Câmara, os dois deputados devem travar um duelo em torno das acusações do suposto pagamento de mesada pelo PT para deputados do PP e do PL.

"Será um duelo democrático e respeitoso, como dois parlamentares, mas nós nos enfrentaremos. Não tenho nenhum problema de ser perseguido por José Dirceu. Vou enfrentá-lo", afirmou.

Ontem, depois da demissão de Dirceu, os deputados do PT, como o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (SP), disseram que o retorno do ex-chefe da Casa Civil ao Congresso servirá para que ele tenha mais liberdade para se defender das acusações e, por conseqüência, para defender o próprio governo.

O PTB decidiu ainda votar com o governo e recomendou entregar os cargos nas estatais.

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