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05/07/2005 - 14h54

PT confirma afastamento de Delúbio e divulga carta enviada à Executiva

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TATHIANA BARBAR
da Folha Online

A direção do PT confirmou na tarde desta terça-feira o pedido de afastamento do tesoureiro Delúbio Soares e divulgou uma carta endereçada à Executiva Nacional. No documento, Delúbio defende-se das acusações de que estaria envolvido em um suposto esquema de pagamento de mesadas a deputados da base aliada e coloca à disposição seus sigilos fiscal, bancário e telefônico.

Delúbio é um dos citados pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) como um dos "cabeças" do suposto esquema de pagamento de mesada a deputados da base aliada --o "mensalão". Jefferson acusou Delúbio de ter o publicitário mineiro Marcos Valério como um dos "operadores" do suposto "mensalão".

Segundo o deputado, o publicitário fazia a "distribuição de recursos", em malas. Delúbio negou as acusações, chamando-as de "chantagem" e tentativa de golpe da direita.

Eduardo Knapp/ FI
O tesoureiro do PT, Delúbio Soares
O tesoureiro do PT, Delúbio Soares
Na última quinta-feira (30), em nova entrevista à Folha, Jefferson afirmou ter ouvido relato de um então diretor de Furnas Centrais Elétricas sobre um suposto caixa dois da estatal. De R$ 3 milhões, segundo o deputado, R$ 1 milhão iria para o "PT nacional, pelas mãos do Delúbio".

O tesoureiro vinha sendo pressionado para se afastar da direção da sigla depois das denúncias, mas sua situação se complicou no último final de semana, quando admitiu ter dado informação equivocada ao presidente da sigla, José Genoino, sobre um empréstimo de R$ 2,4 milhões com o banco mineiro BMG, em 2003.

O empréstimo teve como avalista o publicitário Marcos Valério, apontado por Jefferson como operador do "mensalão" e cujas empresas de propaganda atuam junto a estatais e já faturaram mais de R$ 140 milhões em contratos de prestação de serviço.

Delúbio é o segundo dirigente petista a pedir afastamento. Ontem, o secretário-geral do partido, Silvio Pereira, havia pedido licença do cargo.

Os substitutos serão definidos nas reuniões do Diretório Nacional, marcadas para os próximos dias 9 e 10.

Leia a íntegra da carta entregue à Executiva:

Carta à Comissão Executiva Nacional

"As investigações em andamento na administração e no Congresso Nacional voltam-se contra mim.

Não temo, tenho a plena consciência de nunca haver transgredido os princípios éticos da prática política. Prova eloquente disso é meu reduzido patrimônio.

Conduzi com seriedade e honestidade os assuntos financeiros do PT durante o tempo em que exerci a Secretaria de Finanças e Planejamento.

Como não temo a investigação, estou tomando a iniciativa de colocar à disposição da CPI meus sigilos bancário, fiscal e telefônico.

Acredito que o partido seja maior do que qualquer um dos seus dirigentes. Para permitir a normal condução dos assuntos do PT, estou apresentando à Executiva Nacional meu pedido de licença, pelo tempo em que perdurar a apuração.

Delúbio Soares
Secretário de Finanças e Planejamento."

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