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12/07/2005 - 09h13

Tarso vê risco de "colombização" do país

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CATIA SEABRA
da Folha de S.Paulo

Afirmando que o PT está "no limite", seu novo presidente, o ministro Tarso Genro (Educação), admite o risco de o partido "perder sua credibilidade e viabilidade eleitoral". E alerta: "o Brasil pode entrar numa situação de anomia semelhante à da Colômbia".

Folha - Como o senhor descreve este momento?

Tarso Genro - O PT vive um momento dramático e um limite. É um momento dramático porque estamos sob cerco político e com denúncias muito pesadas contra companheiros e o próprio partido. No limite porque, se não soubermos responder a essa questão, essa notável experiência democrática e progressista --que é o PT --pode ser desconstituída. Isso é ruim para a democracia, para as instituições e para o futuro democrático do Brasil.

Folha - Por quê?

Tarso - Se as classes populares não tiverem um mediador democrático dentro do Estado de Direito, como o PT, que transforme suas demandas em lutas com qualidade dentro da legalidade, o Brasil pode entrar numa situação de anomia semelhante à da Colômbia. A destruição ou a diluição do partido pode levar para uma desesperança radical e aguçar de maneira irracional os conflitos de classe do Brasil, uma radicalização dos confrontos de classe. As pessoas que eventualmente queiram destruir o PT devem pensar muito bem quais as conseqüências disso para a história do país.

Folha - As pessoas podem estar dentro do PT, não?

Tarso - Quem sabe? Quem sabe?

Folha - Quem são?

Tarso - Parto da compreensão de que há dois movimentos. Um é um anseio legítimo da sociedade pelo combate à ilegalidade. E há o aproveitamento político dos adversários que querem aniquilar o partido e pretendem usar o momento para tirar o PT da arena.

Folha - O que o senhor quer dizer com "desconstituída"?

Tarso - Que o PT perca a credibilidade e a viabilidade como partido eleitoral.

Folha - Vencer isso é o desafio de vocês agora?

Tarso - Agora, até o fim do ano. Se não, podemos comprometer essa experiência.

Folha - Que lições podem ser extraídas disso?

Tarso - Por exemplo: reorganizar nossos mecanismos internos, verificar por que chegamos a essa situação política defensiva, por que há um desgaste na relação ético-moral com a sociedade, por que nossa militância acolhe boa parte dessas acusações e nos cobra. Temos que tirar lições dessa crise para nos erguer de maneira adequada. A democracia não será a mesma sem a presença forte de um partido como o PT.

Folha - O PT perdeu a bandeira da ética?

Tarso - Ainda não. A bandeira é recuperável. O risco existe.

Folha - O senhor teme prejuízos eleitorais em 2006?

Tarso - O partido vai sofrer prejuízos eleitorais. O que estamos tentando é reduzir esses prejuízos. Os prejuízos já são visíveis.

Folha - Por exemplo?

Tarso - São visíveis pela desestruturação do referencial de ética pública que construímos de uma maneira um tanto arbitrária.

Folha - Por quê?

Tarso - Porque o Partido dos Trabalhadores se apresentou como o único referencial de ética pública. Todo organismo imerso num meio social reproduz as deformidades desse meio. Nunca fomos um partido de puros. Não poderíamos jamais ter tido uma atitude até um pouco arrogante como se fôssemos monopolistas dessa ética. Isso fez com que esse prejuízo fosse redobrado contra nós.

Folha - Como o partido está desenhando a política econômica?

Tarso - Não está. Estamos lidando com problemas tão urgentes que questões estratégicas não foram tomadas.

Folha - O senhor concorda com o ministro Olívio Dutra de que o problema está nas más companhias?

Tarso - Más companhias existem tanto olhando para fora como, até --quem sabe?--, eventualmente, olhando para dentro.

Folha - Como debelar essa crise?

Tarso - Verificar onde estão erros. É evidente que ocorreram. Erros políticos, no mínimo. Verificar ilegalidades, se houve, e lavarmos roupa suja fora de casa. Publicamente. Dizer para a sociedade: "Erramos aqui, ali, tomamos tais providências e queremos pedir desculpas aos eleitores".

Especial
  • Leia o que já foi publicado sobre o ministro Tarso Genro
  • Leia a cobertura completa sobre o caso do "mensalão"
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