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PFL expulsa deputado que levava malas de dinheiro da Universal
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da Folha Online, em Brasília
A Executiva do PFL, em reunião extraordinária, decidiu expulsar da legenda o deputado João Batista Ramos (PFL-SP), flagrado ontem pela Polícia Federal com sete malas de dinheiro que somavam R$ 10,2 milhões. Ainda cabe recurso à Executiva.
Os recursos, conforme depoimento do deputado à PF, seriam provenientes das doações feitas por fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus, da qual o deputado é presidente nacional. O dinheiro seria levado para São Paulo para então ser depositado na conta da igreja no Banco do Brasil. A PF trabalha com a hipótese de que haja crimes de evasão fiscal, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
O presidente do PFL, Jorge Bornhausen (SC), afirmou que o deputado "contrariou os princípios básicos inerentes à atividade parlamentar e partidária". "Nós entendemos que os atos praticados não são compatíveis com as ações políticas do PFL", disse o presidente da legenda. Na avaliação do PFL, o deputado deveria ter feito a transferência dos recursos por meio bancário ou contratado uma empresa de segurança especializada para transportar os recursos.
Na reunião da Executiva, os integrantes do PFL, conforme admitiu Bornhausen, avaliaram os possíveis prejuízos políticos de expulsar um deputado ligado à Igreja Universal em ano pré-eleitoral. "Ou tomamos as providências que a sociedade exige, ou vamos ficar com a sociedade contra", avaliou Bornhausen.
O líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia (RJ), adiantou que encaminhou as denúncias à Corregedoria da Casa, mas não remeterá o assunto ao Conselho de Ética. "A princípio não há ilegalidade no ato. Por isso, não posso pré-julgar o deputado", afirmou.
A Universal
Em nota distribuída ontem, a Igreja Universal confirmou a versão do deputado. A instituição afirmou que a matriz de São Paulo centraliza o pagamento de despesas (impostos, aluguéis, empregados e contas de consumo) de todos os seus templos em sua sede nacional bem como os controles contábeis e financeiros.
Segundo o comunicado da Igreja Universal, (o transporte de dinheiro em malas) "é uma decisão administrativa em função da burocracia do sistema bancário", e que "o dinheiro transportado no avião, apreendido pela Polícia Federal hoje [ontem], tinha como finalidade o depósito em São Paulo para pagamento das despesas referidas anteriormente".
A Igreja Universal conta com um base estimada superior a 2 milhões de fiéis, segundo o último censo do IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
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