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Brasil
22/07/2005 - 07h18

Partidos de esquerda aumentam críticas ao presidente Lula

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EPAMINONDAS NETO
da Folha Online

Partidos com bandeiras históricas que já foram do PT e que em algum momento fizeram coligações com a legenda estão hoje totalmente na margem oposta ao governo. Outros, que já faziam oposição, a exemplo do PSTU, aprofundam as críticas e defendem publicamente que o presidente Lula "sabia" das denúncias e querem ir até Brasília defender a apuração "até as últimas conseqüências".

A separação da esquerda já atingiu o próprio PT com a criação do PSOL, uma "fratura" da sigla que começou a crescer com mais "emigrados" da legenda do presidente Lula --no último sábado, a chamada "Corrente Alternativa Socialista" decidiu desligar-se do Partido dos Trabalhadores e ingressar no PSOL, da senadora Heloisa Helena (AL).

Apesar da ligação com o partido, o PSOL não poupa críticas a sua origem: "PT e PSDB são irmãos siameses, farinha do mesmo saco, com seus líderes tratando apenas de disputar o poder para ver quem comanda o aparelho estatal e de receber os privilégios, engordar suas contas bancárias ou desenvolver carreiras políticas", diz o partido em um boletim assinado pelos seus principais representantes no Congresso Nacional.

Coligação

O PCB fez parte do governo até março deste ano e foi uma das legendas da coligação vitoriosa que levou o candidato Luiz Inácio Lula da Silva ao poder em 2002. Talvez por isso, seja a legenda de esquerda de tom mais "moderado" em relação à crise política atual.

"A gente não pode acreditar que ele [o presidente Lula] soubesse [dos supostos esquemas escusos dentro do governo]. Por alto, poderia saber o que o PT estava fazendo. Ele pode sido informado superficial e manipuladamente por algum assessor. Para mim, a responsabilidade do [José] Genoino [ex-presidente do PT] é até maior", diz Ivan Pinheiro, secretário-geral do partido.

Também por essa razão, segundo ele, o PCB deve lutar contra uma eventual tentativa de "impedimento" do presidente. "Nós lutamos pela defesa do mandato do governo Lula. Se houver isso [a tentativa de impedimento], nós vamos para as ruas. Quem tem de derrubar o presidente é o povo na eleição de 2006, não a direita", afirma.

O PSTU, uma legenda atuante no meio universitário e que defende a suspensão do pagamento da dívida externa, tem teses opostas. "Evidentemente que o Lula sabia. O papel do Delúbio [Soares, ex-tesoureiro do partido] não vem de agora. Não há nenhuma possibilidade de que o governo não soubesse", afirma José Maria de Almeida, presidente nacional da legenda.

José Maria, que afirmou ter sido preso com Lula em 1980, diz, numa referência ao líder tucano Arthur Virgílio, que chamou Lula de "idiota ou corrupto": "Eu estive preso com ele em 1980 e posso afirmar: Lula nunca foi um idiota. E não é razoável achar que ele tenha menos experiência política hoje do que em 1980".

Marcha de agosto

O discurso duro do líder do PSTU não pára no campo das acusações. Segundo José Maria, os movimentos de esquerda articulam uma grande marcha, prevista para chegar em Brasília no dia 17 de agosto, com o objetivo de defender a apuração "rigorosa" das denúncias de corrupção no governo.

"Se houver uma apuração rigorosa, não tenho dúvidas de que chega ao Planalto. Nós não vamos aceitar que se parta da premissa de que o presidente Lula não sabia da corrupção. Surgindo indícios concretos, é necessário pedir o impeachment, sim", afirma ele.

Parte dessa posição é esposada por outro partido correlato no campo ideológico, o PCO. "Não há como o líder maior de um partido não saber", diz Anaí Caproni, da Executiva nacional desse partido.

Quanto a um eventual processo de impedimento do presidente, afirma: "hoje, o processo de impeachment é muito mais complexo. Na época do [Fernando] Collor, havia uma alternativa popular, socialista [o próprio Lula]".

Todos essas três legendas convergem, no entanto, para um único diagnóstico da crise política do PT do governo Lula: "Nós achamos que a corrupção não é conjuntural. O capitalismo é corrupto por natureza", diz Ivan Pinheiro, numa síntese da posição das três legendas.

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