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Brasil
11/08/2005 - 15h41

Duda diz que não havia fatura nem nota fiscal em campanha do PT

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FELIPE RECONDO
da Folha Online, em Brasília

O publicitário Duda Mendonça afirmou nesta quinta-feira à CPI dos Correios que não havia fatura ou nota fiscal nos pagamentos que recebia em relação à prestação de serviços para as campanhas do PT a partir de 2003. Ele, no entanto, procurou isentar a campanha para a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva.

"Tenho certeza que a campanha do presidente Lula e do senador [Aloizio] Mercadante foi paga com dinheiro oficial", afirmou ele. Segundo o publicitário, a campanha de Lula era superavitária porque havia muitas contribuições oficiais, em especial no segundo turno, quando a expectativa de vitória era muito alta. O publicitário assumiu o compromisso de juntar esses documentos e remeter os papéis à CPI.

Duda ainda afirmou que recebeu dinheiro vivo e que alguns repasses da SMPB, de Marcos Valério, vinham de contas do exterior. "Esse dinheiro era claramente pago de caixa dois, dinheiro por fora. Não podíamos emitir nota, mas não somos bobos. Era dinheiro de caixa dois", disse ele.

O publicitário ainda admitiu estranhar os pagamentos em espécie, mas como tinha que pagar fornecedores, aceitou os recursos. "Não tinha poder de decisão. Não havia alternativa", disse ele.

Responsabilidades

Ainda segundo Duda, o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, começou a fazer os pagamentos a partir de 2003. Antes desse ano, a responsabilidade por quitar os débitos da campanha era o então tesoureiro do PT Delúbio Soares.

Em seu depoimento, o publicitário não se furtou a criticar a legislação eleitoral, que tachou de "hipócrita". Ele colocou-se à disposição para ajudar a mudar essa legislação, porque, segundo ele, os profissionais de marketing são os que mais entendem da prática de campanhas.

Duda sugeriu que a realização de debates obrigatórios em rede de rádio e TV. "Aí basta o candidato colocar o paletó", afirmou ele. "Não há influência do poder econômico. Vai prevalecer o conhecimento, o carisma, o equilíbrio, a capacidade de se comunicar", características que , para ele, não se obtêm junto aos marqueteiros. Por isso, disse Duda, os candidatos têm medo de debates.

Com Agência Senado

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