Publicidade

Publicidade
Brasil
11/08/2005 - 16h33

Depoimento de Duda afeta governabilidade de Lula, avalia oposição

Publicidade
ROSE ANE SILVEIRA
da Folha Online, em Brasília

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio Neto (AM), avaliou nesta quinta-feira que o "governo Lula acabou oficialmente hoje". Virgílio deu esta declaração ao comentar as revelações feitas pelo publicitário Duda Mendonça em seu depoimento na CPI dos Correios.

Além de confirmar que recebeu do publicitário Marcos Valério a orientação para abrir uma conta bancária nas Bahamas para receber o dinheiro que lhe era devido pelo PT, Duda em seu depoimento confirmou saber que recebia dinheiro de "caixa dois".

"Toda aquela tese de que era apenas 'caixa dois', o que já é grave, veio por terra. Na verdade viu-se agora pelas declarações do Duda que é sonegação fiscal, é lavagem de dinheiro, é abertura ilegal de contas no exterior, evasão de divisas, é envolvimento muito forte com a figura jurídica do Banco Rural lá fora. É a torpe parceria entre o Marcos Valério e o PT e este governo. Não tem mais clima. Não tem mais como este governo providenciar qualquer coisa para este país agora", disse Virgílio.

Revelações

O líder tucano disse que será difícil o governo Lula se arrastar até 31 de dezembro do ano que vem, após as revelações de Duda Mendonça. "Daqui para frente, eu espero que, no mínimo, o presidente Lula faça uma profunda revisão dos seus equívocos, dos crimes que praticaram nas suas barbas, nos delitos que se acumulam contra o seu partido e contra o seu governo", afirmou ele.

Arthur Virgílio afirmou esperar "que o presidente venha a público e peça desculpas à nação. E mais do que isto. Não é pedir desculpas para enganar a nação. É pedir desculpas mostrando que, humildemente, ele quer que a sociedade lhe permita concluir este mandato até o final, dizendo em que termos ele propõe a governabilidade".

Fim de mandato

Na avaliação do líder tucano, o presidente Lula hoje não tem governabilidade para continuar o seu mandato. "Hoje ele não tem governabilidade nenhuma. Vocês viram ontem no episódio do salário mínimo. Este governo não tem mais autonomia para ir longe ou para fazer alguma coisa", disse.

Ao se referir ao episódio do salário mínimo, Arthur Virgílio falava da votação no plenário do Senado na tarde de ontem, na qual o governo foi derrotado e o salário mínimo foi elevado para R$ 384,29. A matéria volta agora para a Câmara, onde o novo valor aprovado no Senado pode ser rejeitado.

O líder tucano afirmou que não acha que a convocação do Conselho da República será uma solução para o problema da governabilidade do país. Arthur Virgílio criticou ainda o encontro do presidente Lula com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

"O presidente não pára de fazer tolices. Se encontrar com o Chávez hoje é coisa de quem está de miolo mole. O presidente hoje, no meio desta crise, se encontrar com o Chávez mostra que não está bem. Não sou psiquiatra, não quero fazer exercício ilegal de medicina, mas isto é coisa de miolo mole", disse ele.

Leia mais
  • Duda diz que recebeu dinheiro vivo porque não tinha "poder de decisão"
  • Sócia de Duda diz que Valério pediu abertura de conta no exterior

    Especial
  • Leia a cobertura completa sobre a CPI dos Correios
  • Leia a cobertura completa sobre o caso do "mensalão"
  •  

    FolhaShop

    Digite produto
    ou marca