12/08/2005
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12h47
No primeiro pronunciamento oficial em que tratou diretamente da crise política, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu hoje desculpas à população e disse que se sente traído. "Eu não tenho nenhuma vergonha de dizer ao povo brasileiro que nós temos que pedir desculpas. O PT tem que pedir desculpas. O governo, onde errou, tem que pedir desculpas."
Ao comentar que ajudou a fundar o PT, Lula disse que sempre se manteve fiel aos ideiais do partido. "Ajudei a criar esse partido e, vocês sabem, perdi três eleições presidenciais e ganhei a quarta, mantendo-me sempre fiel a esses ideais, tão fiel quanto sou hoje. Quero dizer a vocês, com toda a franqueza, eu me sinto traído."
A fala de Lula foi transmitida pela televisão e ocorreu durante a reunião ministerial, realizada na Granja do Torto. O presidente fez um pronunciamento contido e rápido. Gesticulou pouco e fugiu do tom de palanque que adotou nos últimos discursos. Falou em um tom grave, sério.
"O PT foi criado justamente para fortalecer a ética na política e lutar ao lado do povo pobre e das camadas médias do nosso país. Eu não mudei e, tenho certeza, a mesma indignação que sinto é compartilhada pela grande maioria de todos aqueles que nos acompanharam nessa trajetória", acrescentou.
Na tentativa de mostrar que seu governo está combatendo a corrupção, o presidente afirmou que a Polícia Federal está investigando todos os envolvidos nas denúncias. "Meu governo, com a ação da Polícia Federal, está investigando a fundo todos os envolvidos. E vamos continuar assim até o fim, até que todos os culpados sejam julgados. Mas só isso não basta."
Economia
No início de seu pronunciamento, Lula apresentou indicadores econômicos positivos, como dados da balança comercial e o ambiente favorável para investimentos. Disse ainda que o país está "mudando para melhor". "Voltamos a crescer, desta vez de maneira sustentada. Tenho a certeza de que o povo sente a diferença. O país está mudando para melhor. A inflação é a menor dos últimos cinco anos. A produção industrial registrou aumentos sucessivos."
O presidente também citou medidas do governo que beneficiaram a população de rendas média e baixa. "O que mais me orgulha, pela minha história, pelo compromisso que tenho com a gente sofrida da nossa terra, é a forte retomada da oferta de trabalho. Em 30 meses, já criamos 3,135 milhões de novos empregos. Isso significa 104 mil novas vagas formais por mês, o que é doze vezes mais que a média dos anos 90. Sem falar nos postos de trabalho no mercado informal e na agricultura familiar."
Nenhum jornalista pôde entrar na sala em que o presidente fez o pronunciamento, que foi transmitido pela televisão estatal Radiobrás, com o sinal de TV sendo distribuído para as emissoras privadas.
Reunião
A reunião ministerial deve ser divida em duas partes. No início, seria discutido o atual momento político. Os ministros Jaques Wagner (Coordenação Política), Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência) e Márcio Thomaz Bastos (Justiça) fariam exposições sobre a conjuntura atual e depois deveria haver uma pausa para almoço. Em seguida, a equipe faria debates sobre os projetos prioritários do governo.
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Lula pede desculpas e diz que se sente traído
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da Folha OnlineNo primeiro pronunciamento oficial em que tratou diretamente da crise política, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu hoje desculpas à população e disse que se sente traído. "Eu não tenho nenhuma vergonha de dizer ao povo brasileiro que nós temos que pedir desculpas. O PT tem que pedir desculpas. O governo, onde errou, tem que pedir desculpas."
Ao comentar que ajudou a fundar o PT, Lula disse que sempre se manteve fiel aos ideiais do partido. "Ajudei a criar esse partido e, vocês sabem, perdi três eleições presidenciais e ganhei a quarta, mantendo-me sempre fiel a esses ideais, tão fiel quanto sou hoje. Quero dizer a vocês, com toda a franqueza, eu me sinto traído."
| Ricardo Stuckert/Ag Brasil |
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| O presidente Lula, durante discurso na Granja do Torto |
"O PT foi criado justamente para fortalecer a ética na política e lutar ao lado do povo pobre e das camadas médias do nosso país. Eu não mudei e, tenho certeza, a mesma indignação que sinto é compartilhada pela grande maioria de todos aqueles que nos acompanharam nessa trajetória", acrescentou.
Na tentativa de mostrar que seu governo está combatendo a corrupção, o presidente afirmou que a Polícia Federal está investigando todos os envolvidos nas denúncias. "Meu governo, com a ação da Polícia Federal, está investigando a fundo todos os envolvidos. E vamos continuar assim até o fim, até que todos os culpados sejam julgados. Mas só isso não basta."
Economia
No início de seu pronunciamento, Lula apresentou indicadores econômicos positivos, como dados da balança comercial e o ambiente favorável para investimentos. Disse ainda que o país está "mudando para melhor". "Voltamos a crescer, desta vez de maneira sustentada. Tenho a certeza de que o povo sente a diferença. O país está mudando para melhor. A inflação é a menor dos últimos cinco anos. A produção industrial registrou aumentos sucessivos."
O presidente também citou medidas do governo que beneficiaram a população de rendas média e baixa. "O que mais me orgulha, pela minha história, pelo compromisso que tenho com a gente sofrida da nossa terra, é a forte retomada da oferta de trabalho. Em 30 meses, já criamos 3,135 milhões de novos empregos. Isso significa 104 mil novas vagas formais por mês, o que é doze vezes mais que a média dos anos 90. Sem falar nos postos de trabalho no mercado informal e na agricultura familiar."
Nenhum jornalista pôde entrar na sala em que o presidente fez o pronunciamento, que foi transmitido pela televisão estatal Radiobrás, com o sinal de TV sendo distribuído para as emissoras privadas.
Reunião
A reunião ministerial deve ser divida em duas partes. No início, seria discutido o atual momento político. Os ministros Jaques Wagner (Coordenação Política), Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência) e Márcio Thomaz Bastos (Justiça) fariam exposições sobre a conjuntura atual e depois deveria haver uma pausa para almoço. Em seguida, a equipe faria debates sobre os projetos prioritários do governo.
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