18/09/2005
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08h00
O maior partido de esquerda do país promove neste domingo as eleições internas mais importantes de sua história. Seus militantes devem eleger o novo diretório nacional --a cúpula da sigla--, que terá a tarefa de reerguer um partido às voltas com sua pior crise em 25 anos.
Os mais de 800 mil militantes do partido também escolhem hoje seus representantes nos diretórios municipais e estaduais em 12 Estados, em um total de 4.683 cidades participantes. A previsão é de que 35% desse montante compareça às urnas. A votação está prevista para começar às 9h e terminar às 17h.
Concorrem à presidência do partido Ricardo Berzoini, Markus Sokol, Valter Pomar, Raul Pont, Maria do Rosário, Plinio de Arruda Sampaio e Luiz Gonzaga da Silva
O chamado 'Campo Majoritário', a corrente interna que atualmente domina a cúpula do PT e tem Berzoini como candidato, pode enfrentar dificuldades para vencer a eleição porque seus membros estão entre os principais envolvidos no escândalo do 'mensalão'. Esse é o caso, por exemplo, do ex-ministro e deputado José Dirceu (SP).
Alguns dos 18 deputados indicados no relatório da CPI dos Correios fazem parte da chapa do 'Campo' que concorre às eleições deste domingo.
O ex-tesoureiro Delúbio Soares, um dos pivôs da crise política atual, também fez parte dessa corrente. Ele admitiu a montagem de um esquema de 'caixa dois' para financiar as campanhas eleitorais, envolveu o partido com o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza (apontado como o operador financeiro do 'mensalão') e deixou como 'herança' para a sigla uma dívida em torno de R$ 40 milhões.
Devido às denúncias de corrupção, o 'Campo Majoritário' chega dividido à eleição. A corrente chegou a anunciar a escolha do ex-ministro Tarso Genro como candidato à presidência do PT, mas ele condicionou sua candidatura ao afastamento de Dirceu da chapa. O parlamentar enfrenta um processo de quebra de decoro no Conselho de Ética da Câmara por suposto envolvimento no escândalo do 'mensalão'. Genro perdeu a queda-de-braço com Dirceu, desistiu da eleição e foi substituído por Berzoini.
Por conta dessas cisões internas, o PT encara a possibilidade inédita de realizar um segundo turno em suas eleições. O 'Campo Majoritário', ainda competitivo dentro da sigla, deverá ter dificuldades se tiver de enfrentar uma chapa que consiga aglutinar todas as demais correntes do partido e um eventual segundo turno.
Em reportagem da Folha de S. Paulo do dia 11, representantes dessas chapas admitiram a possibilidade de compor com um dos vencedores do primeiro turno para enfrentar o 'Campo' no segundo, em uma sinal do grau de oposição que enfrenta essa corrente, que domina o PT pelo menos desde 1995.
Os números
Sete candidatos disputam a presidência do partido, junto com 10 chapas que concorrem por vagas no diretório nacional. Há um eleitorado potencial de 825.449 filiados para votar, mas o número real de votantes deve ser menor. Em 2001, de um universo de 867 mil filiados, votaram 227.461 petistas. O universo de filiados diferente de um ano para outro deve-se ao recadastramento promovido pelo partido.
Em nível estadual, são 137 chapas, com 119 candidatos a presidentes estaduais. Em nível municipal, são 6 mil chapas e 5 mil candidatos a presidente desses diretórios.
Os petistas, por meio de uma única cédula, devem escolher o presidente nacional, os demais integrantes da cúpula nacional, o presidente estadual, a chapa estadual, o presidente municipal e a chapa municipal. O voto é secreto e em urna. As eleições devem ser fiscalizadas por fiscais indicados pelas chapas.
Estão em disputa 81.138 vagas nas instâncias municipais, 1.586 nas estaduais e 92 na instância nacional.
A cúpula nacional será composta proporcionalmente pelo número de votos que cada chapa em disputa receber. Assim, se a chapa do 'Campo Majoritário' receber 60% dos votos válidos, significa que 60% dos assentos da cúpula nacional serão de membros dessa chapa. As chapas terão até o dia 30 de setembro para enviar à direção nacional quais de seu membros devem compor as cúpulas.
Essa eleição também pode ser uma oportunidade para o PT melhorar sua situação financeira. Estar em dia com a taxa paga ao partido é uma condição para votar e a regularização pode ser feita até o dia da votação.
Cronograma
O PT espera contar, na melhor das hipóteses, com a totalização dos votos até o dia 23, devido à sistemática da apuração: cada diretório municipal conta os votos locais e envia a soma, que é centralizada nos diretórios estaduais.
Esses diretórios, por sua vez, remetem os resultados por fax, telefone e sedex (ou carta com envio confirmado) para o diretório nacional, na capital paulista, que faz a contabilização final. Os resultados também devem ser registrados em um sistema informatizado do comitê eleitoral, chamado 'Sisped'.
O comitê eleitoral afirma que o problema está nas votações em municípios remotos, notadamente nos Estados do Acre e do Amazonas, onde os meios de comunicação, muitas vezes, são precários.
A idéia é não divulgar os números totais enquanto não contar com os números de absolutamente todos os municípios. No dia seguinte à votação, entretanto, o PT promete revelar uma parcial dos resultados, por meio de uma entrevista à imprensa.
Se nenhum dos candidatos atingir a quota de mais de 50% dos votos válidos, o estatuto do PT prevê um segundo turno, marcado para o dia 9 de outubro. O segundo turno também está previsto no caso de empate entre o segundo e o terceiro colocados, o que permite a situação de três disputarem a presidência do PT em outubro.
A nova cúpula do PT assume a direção do partido no início de dezembro, quando a legenda realiza um encontro nacional. O presidente interino, Tarso Genro, defende que a posse da nova cúpula seja antecipada devido à crise política.
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PT promove eleições internas neste domingo
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da Folha OnlineO maior partido de esquerda do país promove neste domingo as eleições internas mais importantes de sua história. Seus militantes devem eleger o novo diretório nacional --a cúpula da sigla--, que terá a tarefa de reerguer um partido às voltas com sua pior crise em 25 anos.
Os mais de 800 mil militantes do partido também escolhem hoje seus representantes nos diretórios municipais e estaduais em 12 Estados, em um total de 4.683 cidades participantes. A previsão é de que 35% desse montante compareça às urnas. A votação está prevista para começar às 9h e terminar às 17h.
Concorrem à presidência do partido Ricardo Berzoini, Markus Sokol, Valter Pomar, Raul Pont, Maria do Rosário, Plinio de Arruda Sampaio e Luiz Gonzaga da Silva
O chamado 'Campo Majoritário', a corrente interna que atualmente domina a cúpula do PT e tem Berzoini como candidato, pode enfrentar dificuldades para vencer a eleição porque seus membros estão entre os principais envolvidos no escândalo do 'mensalão'. Esse é o caso, por exemplo, do ex-ministro e deputado José Dirceu (SP).
Alguns dos 18 deputados indicados no relatório da CPI dos Correios fazem parte da chapa do 'Campo' que concorre às eleições deste domingo.
O ex-tesoureiro Delúbio Soares, um dos pivôs da crise política atual, também fez parte dessa corrente. Ele admitiu a montagem de um esquema de 'caixa dois' para financiar as campanhas eleitorais, envolveu o partido com o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza (apontado como o operador financeiro do 'mensalão') e deixou como 'herança' para a sigla uma dívida em torno de R$ 40 milhões.
Devido às denúncias de corrupção, o 'Campo Majoritário' chega dividido à eleição. A corrente chegou a anunciar a escolha do ex-ministro Tarso Genro como candidato à presidência do PT, mas ele condicionou sua candidatura ao afastamento de Dirceu da chapa. O parlamentar enfrenta um processo de quebra de decoro no Conselho de Ética da Câmara por suposto envolvimento no escândalo do 'mensalão'. Genro perdeu a queda-de-braço com Dirceu, desistiu da eleição e foi substituído por Berzoini.
Por conta dessas cisões internas, o PT encara a possibilidade inédita de realizar um segundo turno em suas eleições. O 'Campo Majoritário', ainda competitivo dentro da sigla, deverá ter dificuldades se tiver de enfrentar uma chapa que consiga aglutinar todas as demais correntes do partido e um eventual segundo turno.
Em reportagem da Folha de S. Paulo do dia 11, representantes dessas chapas admitiram a possibilidade de compor com um dos vencedores do primeiro turno para enfrentar o 'Campo' no segundo, em uma sinal do grau de oposição que enfrenta essa corrente, que domina o PT pelo menos desde 1995.
Os números
Sete candidatos disputam a presidência do partido, junto com 10 chapas que concorrem por vagas no diretório nacional. Há um eleitorado potencial de 825.449 filiados para votar, mas o número real de votantes deve ser menor. Em 2001, de um universo de 867 mil filiados, votaram 227.461 petistas. O universo de filiados diferente de um ano para outro deve-se ao recadastramento promovido pelo partido.
Em nível estadual, são 137 chapas, com 119 candidatos a presidentes estaduais. Em nível municipal, são 6 mil chapas e 5 mil candidatos a presidente desses diretórios.
Os petistas, por meio de uma única cédula, devem escolher o presidente nacional, os demais integrantes da cúpula nacional, o presidente estadual, a chapa estadual, o presidente municipal e a chapa municipal. O voto é secreto e em urna. As eleições devem ser fiscalizadas por fiscais indicados pelas chapas.
Estão em disputa 81.138 vagas nas instâncias municipais, 1.586 nas estaduais e 92 na instância nacional.
A cúpula nacional será composta proporcionalmente pelo número de votos que cada chapa em disputa receber. Assim, se a chapa do 'Campo Majoritário' receber 60% dos votos válidos, significa que 60% dos assentos da cúpula nacional serão de membros dessa chapa. As chapas terão até o dia 30 de setembro para enviar à direção nacional quais de seu membros devem compor as cúpulas.
Essa eleição também pode ser uma oportunidade para o PT melhorar sua situação financeira. Estar em dia com a taxa paga ao partido é uma condição para votar e a regularização pode ser feita até o dia da votação.
Cronograma
O PT espera contar, na melhor das hipóteses, com a totalização dos votos até o dia 23, devido à sistemática da apuração: cada diretório municipal conta os votos locais e envia a soma, que é centralizada nos diretórios estaduais.
Esses diretórios, por sua vez, remetem os resultados por fax, telefone e sedex (ou carta com envio confirmado) para o diretório nacional, na capital paulista, que faz a contabilização final. Os resultados também devem ser registrados em um sistema informatizado do comitê eleitoral, chamado 'Sisped'.
O comitê eleitoral afirma que o problema está nas votações em municípios remotos, notadamente nos Estados do Acre e do Amazonas, onde os meios de comunicação, muitas vezes, são precários.
A idéia é não divulgar os números totais enquanto não contar com os números de absolutamente todos os municípios. No dia seguinte à votação, entretanto, o PT promete revelar uma parcial dos resultados, por meio de uma entrevista à imprensa.
Se nenhum dos candidatos atingir a quota de mais de 50% dos votos válidos, o estatuto do PT prevê um segundo turno, marcado para o dia 9 de outubro. O segundo turno também está previsto no caso de empate entre o segundo e o terceiro colocados, o que permite a situação de três disputarem a presidência do PT em outubro.
A nova cúpula do PT assume a direção do partido no início de dezembro, quando a legenda realiza um encontro nacional. O presidente interino, Tarso Genro, defende que a posse da nova cúpula seja antecipada devido à crise política.
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