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Brasil
24/09/2005 - 09h30

Petistas criticam apoio do governo a Aldo

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FÁBIO ZANINI
RANIER BRAGON
CHICO DE GOIS
da Folha de S.Paulo

A candidatura de Aldo Rebelo (PC do B-SP) à Presidência da Câmara recebeu críticas de vários partidos ontem, inclusive de alguns deputados do PT, que se disseram enganados pela forma como o ex-ministro da Articulação Política foi escolhido.

Petistas chegaram a pôr em dúvida o voto no ex-ministro da Coordenação Política, irritados por terem apoiado Arlindo Chinaglia (SP), que depois retirou abruptamente sua candidatura.

A resistência a Aldo, bancado pelo Palácio do Planalto, acabou surpreendendo os líderes da base governista, segundo a Folha apurou. Eles contavam com a imagem "leve" do deputado para tentar aglutinar apoios.

"Havia um entendimento em torno do Arlindo e às 23h de ontem [anteontem] fiquei sabendo do acordo. Não dá mais para o PT tomar decisões de cúpula. Por isso, não tenho opinião formada sobre em quem votar", disse o presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ).

A opção por Arlindo Chinaglia fez com que três outros petistas abrissem mão: Sigmaringa Seixas (DF), José Eduardo Cardozo (SP) e Paulo Delgado (MG).

Wasny de Roure (DF), mesmo sendo um dos vice-líderes do PT na Câmara, diz que ficou "vendido no processo". "Só houve consenso em torno do Arlindo porque ele foi apresentado como candidato que PP e PL apoiariam. Depois se viu que isso não era verdade. Tudo isso é muito ruim."

Ontem foi um dia de más notícias para o candidato Aldo. A esperada desistência de outros nomes de partidos da base aliada em seu favor acabou não acontecendo. Francisco Dornelles (PP-RJ), João Caldas (PL-AL) e Luiz Antônio Fleury Filho (PTB-SP) disseram que mantêm suas campanhas e abriram fogo contra o candidato patrocinado pelo governo.

Pior ainda, Michel Temer (PMDB-SP) sinaliza que vai se bandear para a oposição, apoiando José Thomaz Nonô (PFL-AL), mas ele só deve tomar uma posição na próxima terça-feira.

"Só deixarei de disputar se o partido fizer outra reunião e achar que não deva ser candidato. A candidatura do Aldo foi imposta de cima para baixo", afirmou Dornelles. O PP, pelo menos por enquanto, diz que mantém a opção pelo deputado da sigla.

Para Caldas, a escolha do ex-ministro é fruto de "manobras políticas". "Não vou compactuar com esse jogo de cartas marcadas. Estava tudo armado pelo Palácio do Planalto para colocar o Aldo", afirmou o candidato do PL.

Já Fleury declarou que o governo errou ao escolher seu ex-líder do governo e ex-ministro. "Minha candidatura é irreversível. O governo cometeu outro erro, deu outro tiro no pé. O Aldo foi ministro do governo e não foi prestigiado. Seria agora?", afirmou.

O líder do PT na Câmara dos Deputados, Henrique Fontana (RS), reagiu às críticas de seus colegas de partido. "Na decisão pelo Chinaglia, já foi acertado que ele poderia abrir mão em prol de um nome de consenso. Além disso, falei com deputados antes de tomar a decisão. A bancada tem de confiar no seu líder." Aldo não quis se manifestar ontem.

"Base do mensalão"

A oposição quer desmantelar a candidatura do comunista detonando a possibilidade de ele avançar sobre partidos da base, como o PP e o PL. Para tanto, os expoentes da oposição adotam uma manobra arriscada, ao afirmar que uma aliança de PT, PC do B e PSB com o PP e o PL reproduziria "a base do mensalão".

O que os opositores querem é fazer com que PP e PL não se atrelem ao governo imediatamente, para poderem negociar o apoio desses partidos ao candidato Nonô.

O líder do PSDB na Câmara, Alberto Goldman (SP), avaliou como "suicídio político" a escolha de Aldo Rebelo. "Dá a impressão de que o governo não aprendeu nada, porque estão tentando reproduzir a mesma base", opinou o líder do PSDB.

Dura também foi a declaração do líder do bloco de oposição, José Carlos Aleluia (PFL-BA). "A escolha do Aldo, em que pese que é uma pessoa que merece todo nosso respeito, significa que o governo quer a submissão total da Câmara", avaliou.

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