06/10/2005
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17h36
O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Jaques Wagner, anunciou na tarde desta quinta-feira que o bispo de Barra (BA), dom Luiz Flávio Cappio encerrou a greve de fome, que teve início no último dia 26, em protesto contra o projeto de transposição do rio São Francisco.
Pela manhã, o ministro entregou ao religioso uma carta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O governo propõe ao bispo o prolongamento do diálogo sobre o projeto. Os dois conversaram a sós, por cerca de uma hora, na capela São Sebastião, a cerca de cinco quilômetros do município de Cabrobó (PE).
Após conversar com o ministro, o bispo se reuniu com outros membros da igreja para analisar a carta.
O núncio apostólico Lorenzo Baldisseri, representante do Vaticano no Brasil, participou da viagem para levar uma carta enviada pelo papa Bento 16.
Assim que o bispo estiver recuperado, deve vir a Brasília para conversar pessoalmente com o presidente Lula.
Controvérsia
Ontem, entidades e órgãos públicos favoráveis à transposição reagiram à greve de fome do bispo e iniciaram uma campanha em favor da execução imediata do projeto.
Faixas com frases de apoio à causa foram instaladas nas avenidas de Cabrobó (600 km de Recife, PE). Carros de som circulam nas ruas conclamando a população a apoiar a campanha. Veículos particulares trafegam com frases como 'transposição já' pintadas nos vidros.
Uma nota assinada por dez prefeituras e Câmaras Municipais, além de entidades ligadas ao comércio, sindicatos e grêmios estudantis do sertão pernambucano, afirma que o rio não será prejudicado e que o projeto "é benéfico e necessário para atender as necessidades do sertanejo".
De acordo com o documento, a transposição "criará perspectivas de desenvolvimento sustentável, melhorando a qualidade de vida". O grupo anunciou a realização de um ato público com representantes de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará --Estados beneficiados pelo projeto --no próximo sábado, na cidade de Custódia (PE).
Ao mesmo tempo em que acontecia a reunião favorável à transposição, foi realizada uma missa, no acampamento do MST montado em frente à sede do Incra, em Fortaleza, em solidariedade à vida de dom Luiz Cappio e pela suspensão do projeto.
Em Maceió (AL), 15 seminaristas e religiosos ligados à CPT (Comissão Pastoral da Terra) encerraram ontem pela manhã um jejum de 24 horas em solidariedade a Cappio.
A presidência do Conselho Regional Nordeste 2, da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), divulgou nota na qual se coloca a favor da transposição do rio São Francisco e contra a greve de fome do bispo Luiz Flávio Cappio.
A regional abrange, além de Alagoas, três Estados diretamente beneficiados com o projeto: Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba.
O documento diz ser a favor de que o processo seja iniciado "com a devida urgência, contemplando as necessidades vitais das populações ribeirinhas".
A nota afirma ainda que a posição foi tomada em 9 de março de 2001 e está mantida.
Com Agência Brasil e Agência Folha
Especial
Leia o que já foi publicado sobre a transposição do rio São Francisco
Depois de encontro com ministro, bispo encerra greve de fome
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da Folha OnlineO ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Jaques Wagner, anunciou na tarde desta quinta-feira que o bispo de Barra (BA), dom Luiz Flávio Cappio encerrou a greve de fome, que teve início no último dia 26, em protesto contra o projeto de transposição do rio São Francisco.
Pela manhã, o ministro entregou ao religioso uma carta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O governo propõe ao bispo o prolongamento do diálogo sobre o projeto. Os dois conversaram a sós, por cerca de uma hora, na capela São Sebastião, a cerca de cinco quilômetros do município de Cabrobó (PE).
Após conversar com o ministro, o bispo se reuniu com outros membros da igreja para analisar a carta.
O núncio apostólico Lorenzo Baldisseri, representante do Vaticano no Brasil, participou da viagem para levar uma carta enviada pelo papa Bento 16.
Assim que o bispo estiver recuperado, deve vir a Brasília para conversar pessoalmente com o presidente Lula.
Controvérsia
Ontem, entidades e órgãos públicos favoráveis à transposição reagiram à greve de fome do bispo e iniciaram uma campanha em favor da execução imediata do projeto.
Faixas com frases de apoio à causa foram instaladas nas avenidas de Cabrobó (600 km de Recife, PE). Carros de som circulam nas ruas conclamando a população a apoiar a campanha. Veículos particulares trafegam com frases como 'transposição já' pintadas nos vidros.
Uma nota assinada por dez prefeituras e Câmaras Municipais, além de entidades ligadas ao comércio, sindicatos e grêmios estudantis do sertão pernambucano, afirma que o rio não será prejudicado e que o projeto "é benéfico e necessário para atender as necessidades do sertanejo".
De acordo com o documento, a transposição "criará perspectivas de desenvolvimento sustentável, melhorando a qualidade de vida". O grupo anunciou a realização de um ato público com representantes de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará --Estados beneficiados pelo projeto --no próximo sábado, na cidade de Custódia (PE).
Ao mesmo tempo em que acontecia a reunião favorável à transposição, foi realizada uma missa, no acampamento do MST montado em frente à sede do Incra, em Fortaleza, em solidariedade à vida de dom Luiz Cappio e pela suspensão do projeto.
Em Maceió (AL), 15 seminaristas e religiosos ligados à CPT (Comissão Pastoral da Terra) encerraram ontem pela manhã um jejum de 24 horas em solidariedade a Cappio.
A presidência do Conselho Regional Nordeste 2, da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), divulgou nota na qual se coloca a favor da transposição do rio São Francisco e contra a greve de fome do bispo Luiz Flávio Cappio.
A regional abrange, além de Alagoas, três Estados diretamente beneficiados com o projeto: Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba.
O documento diz ser a favor de que o processo seja iniciado "com a devida urgência, contemplando as necessidades vitais das populações ribeirinhas".
A nota afirma ainda que a posição foi tomada em 9 de março de 2001 e está mantida.
Com Agência Brasil e Agência Folha
Especial

