10/11/2005
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21h21
da Agência Folha, em Teófilo Otoni
Discursando de improviso, Luiz Inácio Lula da Silva fez nesta quinta-feira a defesa dos direitos dos pobres e criticou seus antecessores na Presidência da República, sobre um palanque montado em frente à prefeitura petista de Teófilo Otoni, cidade do Vale do Mucuri, uma das regiões pobres de Minas Gerais.
Mesmo sem citar nome, Lula disse que Fernando Henrique Cardoso (PSDB) não tem "liga" com os mais pobres.
Depois de dizer às cerca de 5.000 pessoas presentes (estimativa da segurança da Presidência) que elas elegeram "não um presidente, mas um companheiro", devido à sua sensibilidade para com os mais pobres, Lula se voltou contra a oposição, especialmente o PSDB.
Repetiu as comparações que têm feito nos últimos dias sobre a geração de empregos mensais no governo FHC ("8.000, em média") e na sua gestão ("105 mil") até chegar na educação, quando falou do projeto do Fundeb (fundo para o ensino básico) que tramita no Congresso.
"Eu fico olhando o que fizemos de política social. Fico olhando o que vamos fazer na educação nesse país na hora em que o Congresso aprovar o Fundeb. Aí o pessoal vai dizer: puxa vida, mas passou tanto professor pela presidência da República [e] era necessário um metalúrgico para fazer o que nós deveríamos fazer", disse o presidente.
"Possivelmente, todos eles eram muito mais cultos do que eu, leram muito mais livros do que eu, eram até mais inteligentes. O que não tinham era uma ligação sentimental e de coração com os problemas do povo. É uma coisa chamada liga, é uma coisa chamada sangue", acrescentou Lula, sobre aplausos e gritos do público.
Clima eleitoral
A crítica ao tucano e à oposição ao seu governo foi, mais uma vez, uma constante no seu discurso de 27 minutos, em um ambiente totalmente favorável ao petista.
Só havia faixas de apoio e agradecimento a ele entre as muitas estendidas na área da cerimônia de doação de R$ 8 milhões para o terreno da primeira universidade pública dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri --as faixas foram inspecionadas pela segurança. Bandeiras do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e da CUT (Central Única dos Trabalhadores) foram estendidas no palanque das autoridades.
Lula falou das investidas do seu governo nos programas sociais, disse que a população deve "ajudar e dar as mãos" aos governantes e afirmou que é preciso acabar com a mania dos perdedores de torcer contra.
"Quando uma prefeita é eleita, um governador é eleito ou um presidente é eleito, aqueles que perderam, ao invés de ficar torcendo para que ele faça bem, ficam torcendo para que ele dê um azar e não faça nada, que é para poder justificar a volta dele [que perdeu]."
Na solenidade, em que antes foi tocado um forró sobre sua trajetória de vida, cujo refrão da música era "já chegou o Lula", o presidente não citou diretamente a crise política, mas disse que as pessoas ficam "incomodadas" com as ações sociais do governo.
"Vocês que acompanham o noticiário percebem que tem muita gente incomodada. E incomoda porque cuidar de pobre é uma tarefa muito difícil", disse. "Vocês que ficam preocupados quando vêem na televisão político xingando político, quero dizer para vocês que isso faz parte da cultura política do Brasil."
Especial
Leia o que já foi publicado sobre o governo Lula
Lula critica antecessores e defende direito dos pobres
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PAULO PEIXOTOda Agência Folha, em Teófilo Otoni
Discursando de improviso, Luiz Inácio Lula da Silva fez nesta quinta-feira a defesa dos direitos dos pobres e criticou seus antecessores na Presidência da República, sobre um palanque montado em frente à prefeitura petista de Teófilo Otoni, cidade do Vale do Mucuri, uma das regiões pobres de Minas Gerais.
Mesmo sem citar nome, Lula disse que Fernando Henrique Cardoso (PSDB) não tem "liga" com os mais pobres.
Depois de dizer às cerca de 5.000 pessoas presentes (estimativa da segurança da Presidência) que elas elegeram "não um presidente, mas um companheiro", devido à sua sensibilidade para com os mais pobres, Lula se voltou contra a oposição, especialmente o PSDB.
Repetiu as comparações que têm feito nos últimos dias sobre a geração de empregos mensais no governo FHC ("8.000, em média") e na sua gestão ("105 mil") até chegar na educação, quando falou do projeto do Fundeb (fundo para o ensino básico) que tramita no Congresso.
"Eu fico olhando o que fizemos de política social. Fico olhando o que vamos fazer na educação nesse país na hora em que o Congresso aprovar o Fundeb. Aí o pessoal vai dizer: puxa vida, mas passou tanto professor pela presidência da República [e] era necessário um metalúrgico para fazer o que nós deveríamos fazer", disse o presidente.
"Possivelmente, todos eles eram muito mais cultos do que eu, leram muito mais livros do que eu, eram até mais inteligentes. O que não tinham era uma ligação sentimental e de coração com os problemas do povo. É uma coisa chamada liga, é uma coisa chamada sangue", acrescentou Lula, sobre aplausos e gritos do público.
Clima eleitoral
A crítica ao tucano e à oposição ao seu governo foi, mais uma vez, uma constante no seu discurso de 27 minutos, em um ambiente totalmente favorável ao petista.
Só havia faixas de apoio e agradecimento a ele entre as muitas estendidas na área da cerimônia de doação de R$ 8 milhões para o terreno da primeira universidade pública dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri --as faixas foram inspecionadas pela segurança. Bandeiras do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e da CUT (Central Única dos Trabalhadores) foram estendidas no palanque das autoridades.
Lula falou das investidas do seu governo nos programas sociais, disse que a população deve "ajudar e dar as mãos" aos governantes e afirmou que é preciso acabar com a mania dos perdedores de torcer contra.
"Quando uma prefeita é eleita, um governador é eleito ou um presidente é eleito, aqueles que perderam, ao invés de ficar torcendo para que ele faça bem, ficam torcendo para que ele dê um azar e não faça nada, que é para poder justificar a volta dele [que perdeu]."
Na solenidade, em que antes foi tocado um forró sobre sua trajetória de vida, cujo refrão da música era "já chegou o Lula", o presidente não citou diretamente a crise política, mas disse que as pessoas ficam "incomodadas" com as ações sociais do governo.
"Vocês que acompanham o noticiário percebem que tem muita gente incomodada. E incomoda porque cuidar de pobre é uma tarefa muito difícil", disse. "Vocês que ficam preocupados quando vêem na televisão político xingando político, quero dizer para vocês que isso faz parte da cultura política do Brasil."
Especial

