12/11/2005
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09h26
O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato afirmou, em entrevista à revista "IstoÉ Dinheiro" que chega às bancas hoje, que pagamentos do banco à DNA, agência de Marcos Valério, foram autorizados por ele por ordem do ex-ministro Luiz Gushiken (Secom).
Ontem, Gushiken divulgou nota em que diz que as afirmações são "falsas" e que o ex-diretor não tinha nenhuma subordinação em relação a ele.
Segundo a CPI dos Correios, o banco pagou R$ 73,8 milhões à agência antecipadamente, por serviços da conta de publicidade da Visanet, entre 2003 e 2004. Desse dinheiro, R$ 10 milhões teriam sido desviados e repassados por Valério ao caixa dois do PT.
Pizzolato, que assinou os repasses, se defende dizendo que, "se existia algo montado para favorecer o PT, era em escalões superiores, muito acima da diretoria de Marketing", e responsabiliza o ex-presidente do BB Cássio Casseb e Gushiken pela escolha da DNA.
Antecipação
Sobre o fato de os repasses terem sido feitos antes da realização dos serviços, Pizzolato diz ter "estranhado" o fato.
"Nunca tinha visto isso. [...] Mas me disseram que tinha de ser feito assim", afirmou.
Segundo ele, os recursos da Visanet faziam parte de um "orçamento indireto", fora do orçamento interno do banco. Ao sugerir que se juntassem os dois, Pizzolato afirma ter ouvido que a mudança criaria "problemas tributários". "Haveria incidência de CPMF e de muitos outros impostos. Por isso, seria melhor transferir o dinheiro direto da Visanet para a agência", disse.
"Chegaram para mim [em março de 2003] com o documento pronto para assinar. Já tinha até parecer de auditoria. Faltava o meu "de acordo". E eles disseram que os outros bancos sócios da Visanet também faziam assim."
Ordem
No dia seguinte, diz Pizzolato, em uma reunião com o então ministro Gushiken, ele mandou que o diretor assinasse o primeiro repasse, de R$ 35 milhões, feito em março de 2003. "Assim que saí da Secom [então Secretaria de Comunicação de Governo] dei o "de acordo'", afirma.
"Todo o marketing das estatais passava pela Secom. Eu não queria que o Gushiken pensasse que eu estivesse decidindo sobre como aplicar uma verba que não estava no orçamento oficial do BB."
Segundo Pizzolato, o "de acordo" foi dado para repasses que somam R$ 58,3 milhões, além de outras "notas menores".
Ele diz que, ao questionar o motivo de o dinheiro ser para a DNA, a justificativa foi de que havia um "rodízio", e que era a vez da agência de Valério.
O ex-diretor do BB afirma também que chegou a notificar a DNA, pedindo a comprovação dos gastos, e que todo mês a agência entregava os dados.
Pizzolato também diz que "o dinheiro que ia para a DNA não era gasto só por eles". Segundo ele, os valores eram repassados, por meio da empresa de Valério, a outras agências. "Diziam que, se fosse para outro lugar, a gente pagaria pelo menos a CPMF."
Especial
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Gushiken ordenou repasse à DNA, diz Pizzolato
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da Folha de S.Paulo O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato afirmou, em entrevista à revista "IstoÉ Dinheiro" que chega às bancas hoje, que pagamentos do banco à DNA, agência de Marcos Valério, foram autorizados por ele por ordem do ex-ministro Luiz Gushiken (Secom).
Ontem, Gushiken divulgou nota em que diz que as afirmações são "falsas" e que o ex-diretor não tinha nenhuma subordinação em relação a ele.
Segundo a CPI dos Correios, o banco pagou R$ 73,8 milhões à agência antecipadamente, por serviços da conta de publicidade da Visanet, entre 2003 e 2004. Desse dinheiro, R$ 10 milhões teriam sido desviados e repassados por Valério ao caixa dois do PT.
Pizzolato, que assinou os repasses, se defende dizendo que, "se existia algo montado para favorecer o PT, era em escalões superiores, muito acima da diretoria de Marketing", e responsabiliza o ex-presidente do BB Cássio Casseb e Gushiken pela escolha da DNA.
Antecipação
Sobre o fato de os repasses terem sido feitos antes da realização dos serviços, Pizzolato diz ter "estranhado" o fato.
"Nunca tinha visto isso. [...] Mas me disseram que tinha de ser feito assim", afirmou.
Segundo ele, os recursos da Visanet faziam parte de um "orçamento indireto", fora do orçamento interno do banco. Ao sugerir que se juntassem os dois, Pizzolato afirma ter ouvido que a mudança criaria "problemas tributários". "Haveria incidência de CPMF e de muitos outros impostos. Por isso, seria melhor transferir o dinheiro direto da Visanet para a agência", disse.
"Chegaram para mim [em março de 2003] com o documento pronto para assinar. Já tinha até parecer de auditoria. Faltava o meu "de acordo". E eles disseram que os outros bancos sócios da Visanet também faziam assim."
Ordem
No dia seguinte, diz Pizzolato, em uma reunião com o então ministro Gushiken, ele mandou que o diretor assinasse o primeiro repasse, de R$ 35 milhões, feito em março de 2003. "Assim que saí da Secom [então Secretaria de Comunicação de Governo] dei o "de acordo'", afirma.
"Todo o marketing das estatais passava pela Secom. Eu não queria que o Gushiken pensasse que eu estivesse decidindo sobre como aplicar uma verba que não estava no orçamento oficial do BB."
Segundo Pizzolato, o "de acordo" foi dado para repasses que somam R$ 58,3 milhões, além de outras "notas menores".
Ele diz que, ao questionar o motivo de o dinheiro ser para a DNA, a justificativa foi de que havia um "rodízio", e que era a vez da agência de Valério.
O ex-diretor do BB afirma também que chegou a notificar a DNA, pedindo a comprovação dos gastos, e que todo mês a agência entregava os dados.
Pizzolato também diz que "o dinheiro que ia para a DNA não era gasto só por eles". Segundo ele, os valores eram repassados, por meio da empresa de Valério, a outras agências. "Diziam que, se fosse para outro lugar, a gente pagaria pelo menos a CPMF."
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