12/11/2005
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15h16
Reportagem da revista "Época" desta semana afirma que os empréstimos feitos pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza no Banco Rural e depois repassados para o PT foram forjados e que a direção da instituição teria pedido para esconder dados do Banco Central. Segundo a reportagem, documentos e o depoimento do ex-superintendente do Rural Carlos Godinho mostrariam que a versão dos empréstimos era falsa.
A revista lembra que o banco afirmou que a aproximação com o PT e Valério ocorreu por iniciativa o então vice-presidente José Augusto Dumont, que morreu no ano passado, mas que a instituição manteve a versão sobre os empréstimos.
De acordo com documentos analisados pela publicação, o PT, mesmo não pagando o que devia, conseguiu renovar seu empréstimo a cada 90 dias. A revista afirma que uma das operações, foi autorizada pela presidente da instituição, Kátia Rabello.
A reportagem afirma ainda que a SMPB conseguiu renovar quatro vezes seu empréstimo e conseguiu novos créditos mesmo sem liquidar dívidas anteriores.
Em nota, o Banco Rural afirmou que as declarações de Godinho são "mentirosas e irresponsáveis" e que "revelam um oportunismo perverso, tendo em vista que só vieram a público após o seu recente desligamento do banco".
Segundo o banco, a movimentação financeira de Valério, de suas empresas e do PT foram examinadas pelos órgãos competentes. Na nota, o Rural informa ainda que os empréstimos foram devidamente registrados na Central de Riscos do Banco Central.
A instituição também argumenta que a análise de risco de crédito não era de competência do ex-executivo e que o departamento jurídico do Rural está analisando a possibilidade de mover uma ação contra Godinho.
Empréstimo
A versão sobre os empréstimos foi montada em conjunto pelo empresário e pelo ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares na tentativa de explicar os repasses de recursos para parlamentares e diretórios regionais do PT.
Conforme análise dos parlamentares de oposição, a direção nacional do PT e Marcos Valério conseguiram rolar 30 vezes os empréstimos que contraíram nos bancos Rural e BMG entre 2003 e 2005.
Ao longo desses dois anos de dívidas não pagas --um rombo que hoje alcança pelo menos R$ 100,8 milhões--, o PT e as empresas de Valério fizeram apenas quatro amortizações, num total de R$ 3,6 milhões (uma parcela de R$ 750 mil do partido e o restante das empresas do publicitário), ou cerca de 5% da dívida original, de R$ 63 milhões.
Para o deputado federal Gustavo Fruet (PSDB-PR), sub-relator de movimentação financeira na CPI dos Correios, as seguidas rolagens das dívidas feitas pelo PT e pelas empresas de Valério reforçam indícios de que os empréstimos foram tomados já com o objetivo de não serem pagos aos bancos.
A CPI dos Correios recebeu dos bancos uma relação de todos os empréstimos concedidos desde o ano 2000 e que tiveram a participação de Marcos Valério de Souza, seja como tomador, seja como avalista, além de todos os empréstimos relacionados à direção nacional do PT.
Os empréstimos do PT foram rolados 14 vezes e os de Marcos Valério 16 vezes.
Continuidade
A análise dos dados ressalta que os bancos continuaram liberando recursos mesmo após amargar meses sem nada receber.
O dia 14 de julho de 2004 é um exemplo. Em 24 horas, o BMG rolou dois empréstimos (um de R$ 2,4 milhões para o PT e outro de R$ 15,7 milhões para a empresa Graffiti, de Valério), mas ainda assim não se furtou em conceder mais um novo crédito, para a SMPB Comunicação, em que Valério era sócio, no valor de R$ 3,5 milhões. Em março seguinte, também este empréstimo foi renegociado.
O empréstimo de R$ 3 milhões contraído pelo comando do PT no banco BMG em 12 de agosto de 2003, com aval de Valério, do ex-tesoureiro nacional do PT Delúbio Soares e do ex-presidente da sigla José Genoino, foi o que mais passou por renegociações. Foram dez tratativas, o que fez a dívida saltar para R$ 6,4 milhões (valor em 13 de junho último).
Não liquidados
Há hoje sete empréstimos não liquidados. Dois são para o PT, um no Rural e outro no BMG, no valor aproximado acumulado de R$ 10 milhões. As cinco dívidas das empresas de Valério são as seguintes: duas da Graffiti Participações (uma no Rural e outra no BMG), uma da Tolentino & Associados, no BMG, e outra da SMPB no Banco Rural.
As renegociações foram tema de abordagens dos parlamentares durante o depoimento concedido à CPI dos Correios pela presidente do Banco Rural no último dia 13.
Ao responder a uma pergunta de Fruet, a vice-presidente de suporte operacional do banco, Ayana Tenório Torres de Jesus, que acompanhava Kátia Rabelo, deu uma resposta genérica. Disse à comissão que "as renovações fazem parte da história normal dessas operações" feitas por Marcos Valério, mas não explicou a freqüência das repactuações no conjunto das operações do banco.
Com Folha de S.Paulo
Especial
Leia a cobertura completa sobre a crise em Brasília
Empréstimos foram forjados, diz ex-executivo do Banco Rural
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da Folha OnlineReportagem da revista "Época" desta semana afirma que os empréstimos feitos pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza no Banco Rural e depois repassados para o PT foram forjados e que a direção da instituição teria pedido para esconder dados do Banco Central. Segundo a reportagem, documentos e o depoimento do ex-superintendente do Rural Carlos Godinho mostrariam que a versão dos empréstimos era falsa.
A revista lembra que o banco afirmou que a aproximação com o PT e Valério ocorreu por iniciativa o então vice-presidente José Augusto Dumont, que morreu no ano passado, mas que a instituição manteve a versão sobre os empréstimos.
De acordo com documentos analisados pela publicação, o PT, mesmo não pagando o que devia, conseguiu renovar seu empréstimo a cada 90 dias. A revista afirma que uma das operações, foi autorizada pela presidente da instituição, Kátia Rabello.
A reportagem afirma ainda que a SMPB conseguiu renovar quatro vezes seu empréstimo e conseguiu novos créditos mesmo sem liquidar dívidas anteriores.
Em nota, o Banco Rural afirmou que as declarações de Godinho são "mentirosas e irresponsáveis" e que "revelam um oportunismo perverso, tendo em vista que só vieram a público após o seu recente desligamento do banco".
Segundo o banco, a movimentação financeira de Valério, de suas empresas e do PT foram examinadas pelos órgãos competentes. Na nota, o Rural informa ainda que os empréstimos foram devidamente registrados na Central de Riscos do Banco Central.
A instituição também argumenta que a análise de risco de crédito não era de competência do ex-executivo e que o departamento jurídico do Rural está analisando a possibilidade de mover uma ação contra Godinho.
Empréstimo
A versão sobre os empréstimos foi montada em conjunto pelo empresário e pelo ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares na tentativa de explicar os repasses de recursos para parlamentares e diretórios regionais do PT.
Conforme análise dos parlamentares de oposição, a direção nacional do PT e Marcos Valério conseguiram rolar 30 vezes os empréstimos que contraíram nos bancos Rural e BMG entre 2003 e 2005.
Ao longo desses dois anos de dívidas não pagas --um rombo que hoje alcança pelo menos R$ 100,8 milhões--, o PT e as empresas de Valério fizeram apenas quatro amortizações, num total de R$ 3,6 milhões (uma parcela de R$ 750 mil do partido e o restante das empresas do publicitário), ou cerca de 5% da dívida original, de R$ 63 milhões.
Para o deputado federal Gustavo Fruet (PSDB-PR), sub-relator de movimentação financeira na CPI dos Correios, as seguidas rolagens das dívidas feitas pelo PT e pelas empresas de Valério reforçam indícios de que os empréstimos foram tomados já com o objetivo de não serem pagos aos bancos.
A CPI dos Correios recebeu dos bancos uma relação de todos os empréstimos concedidos desde o ano 2000 e que tiveram a participação de Marcos Valério de Souza, seja como tomador, seja como avalista, além de todos os empréstimos relacionados à direção nacional do PT.
Os empréstimos do PT foram rolados 14 vezes e os de Marcos Valério 16 vezes.
Continuidade
A análise dos dados ressalta que os bancos continuaram liberando recursos mesmo após amargar meses sem nada receber.
O dia 14 de julho de 2004 é um exemplo. Em 24 horas, o BMG rolou dois empréstimos (um de R$ 2,4 milhões para o PT e outro de R$ 15,7 milhões para a empresa Graffiti, de Valério), mas ainda assim não se furtou em conceder mais um novo crédito, para a SMPB Comunicação, em que Valério era sócio, no valor de R$ 3,5 milhões. Em março seguinte, também este empréstimo foi renegociado.
O empréstimo de R$ 3 milhões contraído pelo comando do PT no banco BMG em 12 de agosto de 2003, com aval de Valério, do ex-tesoureiro nacional do PT Delúbio Soares e do ex-presidente da sigla José Genoino, foi o que mais passou por renegociações. Foram dez tratativas, o que fez a dívida saltar para R$ 6,4 milhões (valor em 13 de junho último).
Não liquidados
Há hoje sete empréstimos não liquidados. Dois são para o PT, um no Rural e outro no BMG, no valor aproximado acumulado de R$ 10 milhões. As cinco dívidas das empresas de Valério são as seguintes: duas da Graffiti Participações (uma no Rural e outra no BMG), uma da Tolentino & Associados, no BMG, e outra da SMPB no Banco Rural.
As renegociações foram tema de abordagens dos parlamentares durante o depoimento concedido à CPI dos Correios pela presidente do Banco Rural no último dia 13.
Ao responder a uma pergunta de Fruet, a vice-presidente de suporte operacional do banco, Ayana Tenório Torres de Jesus, que acompanhava Kátia Rabelo, deu uma resposta genérica. Disse à comissão que "as renovações fazem parte da história normal dessas operações" feitas por Marcos Valério, mas não explicou a freqüência das repactuações no conjunto das operações do banco.
Com Folha de S.Paulo
Especial


