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11/12/2005 - 09h12

PT e políticos ganharam presentes de Valério

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RUBENS VALENTE
MARTA SALOMON
da Folha de S.Paulo, em Brasília

O publicitário mineiro Marcos Valério Fernandes de Souza deu um presente de R$ 17,2 mil para o departamento financeiro do PT no primeiro Natal após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2002, dois presentes de R$ 4.700 ao todo para o governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz (PMDB), além de bebidas, roupas, jóias e brindes para políticos, empresários e funcionários públicos que ocupavam cargos-chave em órgãos com os quais mantinha contratos.

Os registros dos presentes dados pelas empresas de Valério entre 2001 e 2004 estão na contabilidade oficial da SMPB Comunicação e da DNA Propaganda. O CD com as informações, pesquisado pela Folha, foi entregue à CPI dos Correios e à Receita Federal pelo próprio Valério.

A pesquisa revela que as empresas desembolsaram pelo menos R$ 100 mil para presentear 23 políticos e executivos em Minas Gerais e Brasília, além de servidores de primeiro e segundo escalões geralmente vinculados às áreas de propaganda e marketing de órgãos públicos.

O presente para o "Financeiro PT", não especificado, foi comprado na joalheria mineira Manoel Bernardes Comércio e Indústria Ltda. Na época do presente, o publicitário já tinha sido apresentado ao tesoureiro nacional do PT Delúbio Soares pelo deputado Virgílio Guimarães (PT-MG), outro presenteado, segundo os documentos de Valério.

Ontem o publicitário, por meio de sua assessoria, disse não se lembrar do presente ao partido nem se o presenteado era o ex-tesoureiro Delúbio Soares, mas alegou que o PT era "um cliente" -- uma de suas empresas havia atuado para a campanha do deputado João Paulo Cunha (PT-SP) à presidência da Câmara -- e seria "uma prática normal" a distribuição de presentes a clientes.

A contabilidade indica a compra de presente de aniversário de R$ 237,40 para o ministro do Esporte, Agnelo Queiroz (PC do B-DF), em novembro de 2004 -- a SMPB tem contrato de R$ 10 milhões com o ministério. Pelo Código de Conduta da Alta Administração Federal, o servidor público não pode receber presentes de valor superior a R$ 100.

Um registro de fevereiro de 2002 aponta presente de R$ 509,40 para o então secretário secretário Nacional de Esportes, Lars Grael, hoje secretário da Juventude, Esporte e Lazer do Estado de São Paulo. Grael nega ter recebido o presente.

O aniversário do governador do DF, Joaquim Roriz, foi lembrado no agosto de dois anos: 2003 e 2004. Um dos presentes, de R$ 1.000, foi uma sela para montaria. Sobre a natureza do outro, de R$ 3.700, não há pistas.
O secretário de Articulação Institucional do governo do DF, Hélio Doyle, recebeu 12 CDs do cantor e compositor Chico Buarque, mas achou que era um presente pessoal de Eliane Lopes, então a representante em Brasília mais influente do grupo de Valério.

Só na última sexta-feira, após consulta da reportagem, disse saber que se tratava de um mimo da SMPB Comunicação. A empresa mantém contrato com o governo do DF.

Um alto executivo da siderúrgica Usiminas recebeu entre outros mimos, "presente de Natal" de R$ 15,5 mil da mesma joalheira Manoel Bernardes e produtos de até R$ 3.000 comprados da grife Hugo Boss.
A Usiminas aparece no noticiário do escândalo do mensalão quando a CPI revelou que dinheiro destinado por Valério à campanha do deputado Roberto Brant (PFL-MG) teve como origem o caixa da siderúrgica.

Tucano na lista

O Banco Rural, um dos bancos que teriam alimentado o caixa dois do PT com supostos empréstimos, também aparece com destaque na lista dos presenteados. A presidente do banco, Kátia Rabelo, que reconheceu em Valério um "facilitador" nos negócios com o governo, recebeu presente de R$ 2.900 no Natal de 2002, seis meses depois de a SMPB ter pago R$ 1.400 por outro presente comprado para ela em loja da grife Louis Vuitton.

Rabelo negou que o banco soubesse das triangulações envolvendo a instituição, as empresas de Valério e o PT. "O banco foi usado", disse a presidente.

Outro personagem que freqüentou o noticiário, por empréstimos tomados no Banco Rural com aval de Valério, o ex-ministro das Comunicações Pimenta da Veiga (PSDB-MG) aparece na contabilidade recebendo casaco de couro adquirido por R$ 2.680.

De acordo com a contabilidade, Andréa Neves, irmã do governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB-MG), que na prática comanda a comunicação social do governo, recebeu dois "brindes" faturados por R$ 800.

A lista de Valério atesta que as empresas do publicitário não economizavam em presentes. Há o registro da compra, por R$ 520, de um abridor de garrafas de vinho para presentear o executivo de um shopping localizado em Belo Horizonte, sede das empresas do grupo.

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